4/25/2026

A Pandemia de 2020: quando o mundo parou Em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou oficialmente o início de uma pandemia global causada pela COVID-19. O vírus, identificado inicialmente na cidade de Wuhan, na China, espalhou-se rapidamente, conectando o planeta por meio de uma crise sem precedentes na era contemporânea. Pela primeira vez em gerações, fronteiras foram fechadas, cidades inteiras ficaram vazias e bilhões de pessoas foram orientadas a permanecer em casa. Máscaras tornaram-se símbolo de uma época, enquanto hospitais enfrentavam uma pressão extrema e profissionais de saúde assumiam o papel de verdadeiros protagonistas históricos.

 


O governo de José Sarney (1985–1990) marcou o início da redemocratização do Brasil após mais de duas décadas de regime militar. Sarney assumiu a presidência de forma inesperada, após a morte de Tancredo Neves, tornando-se o primeiro presidente civil do país desde 1964.

 

República Velha: quando o voto existia, mas não era livre

 A República Velha (ou República Oligárquica) funcionava como uma engrenagem perfeita de favores e medo. Para visualizar como esse sistema se sustentava, vale destacar três pilares que você mencionou:

1. O Coronelismo e o "Curral Eleitoral"

O termo "voto de cabresto" é uma metáfora perfeita. Assim como o animal é guiado pelo cabresto, o eleitor era conduzido ao local de votação. Como o voto era aberto (escrito em papel e entregue ao mesário), os capangas dos coronéis vigiavam cada cédula. Quem desobedecesse corria riscos físicos ou perdia o acesso a necessidades básicas, como remédios e emprego.

2. A Política do "Café com Leite"

Embora o nome sugira um revezamento perfeito entre São Paulo (café) e Minas Gerais (leite), a realidade era uma aliança pragmática. Os dois estados eram os mais ricos e populosos, garantindo que o governo federal estivesse sempre alinhado aos interesses dos grandes cafeicultores.

3. A Política dos Governadores e a Degola

Este era o "seguro" do sistema. Criada por Campos Sales, funcionava assim:

O Governo Federal apoiava os governadores estaduais.

Em troca, os Governadores garantiam a eleição de deputados que apoiassem o Presidente.

Se alguém da oposição conseguisse vencer apesar das fraudes, passava pela Comissão Verificadora de Poderes. Esse órgão simplesmente não diplomava os opositores, alegando irregularidades. Esse processo era chamado de "degola".

Por que isso mudou?

A exclusão que você citou (analfabetos, mulheres e pobres) criava um abismo social. O sistema só começou a ruir quando as novas classes urbanas e os militares (movimento tenentista) passaram a exigir o voto secreto e a justiça eleitoral.

Foi a Revolução de 1930 que deu o golpe final nessa estrutura, levando à criação do Código Eleitoral de 1932, que finalmente introduziu o voto secreto e o voto feminino no Brasil.

O TRAPICHE DE GURUPÁ- 1ª Antologia Literária da Academia Marajoara de letras 2026.

 

Encantador és, minha querida cidade de Gurupá. A vida aqui passa devagar, no compasso largo da correnteza dos rios Xingu e Amazonas, como se o tempo tivesse um ritmo próprio, conhecido apenas pelos barqueiros que te atravessam desde sempre. Nos olhos de quem navega, a cidade cresce e se revela pelos portos onde atracam barcos carregados de mercadorias e de sonhos, todos guardados, silenciosos, no porão.
As pequenas embarcações, calafetadas de zarcão, encostam nos trapiches de madeira à beira do rio, sob o olhar atento do ribeirinho, acostumados a ver o vai e vem das marés humanas que chegam e partem todos os dias.
À noite, quando o vento sopra mais forte, as redes balançam no convés, embalando conversas, memórias e cansaços, enquanto a proa corta firme as águas inquietas do verão amazônico. Deste trapiche, quase sempre o que se vê é a despedida.
Partem homens, mulheres e crianças por esse rio de saudade, tão natural quanto o próprio tempo, que passa sem nunca parar. Os rios se transformam em ruas, e as embarcações passam como se fossem carros em uma avenida de águas; num incessante vai e vem, cada imagem parece virar poesia no cotidiano das ilhas, das revoadas de pássaros, do movimento discreto da vida ribeirinha.
De manhã bem cedo, as pessoas começam a chegar. Trazem sacolas, paneiros, filhos pela mão, pequenos carregos da vida diária. Os barcos cruzam o rio devagar, sem pressa de chegar, como se conhecessem o peso do silêncio de quem fica aguardando na beira. As águas se abrem à frente das embarcações, sem alarde, quase sem fazer ondas, neste imenso rio de sonhos e esperança. Ao olhar esse rio de saudade, uma lágrima insiste em brotar; é uma dor antiga, uma perda que não se sabe explicar, uma ausência tão grande que nem encontra palavra para se dizer.
O barco segue, atravessando as veias líquidas dos rios e igarapés, enfrentando os invernos impiedosos desta Amazônia sem fim. Há momentos em que tudo parece uma grande pintura intocável: rios que viram ruas, casas que se refletem na água, embarcações que se confundem com miragens, como se ali morassem habitantes imaginários de um universo encantado de pescadores artesanais.
Seus sonhos se desenham em redes de pesca estendidas ao sol, em barcos que parecem encantados, deslizando sobre um rio que, paradoxalmente, não tem ruas, mas define todos os caminhos.
Nas ruas de Gurupá, o ouro do ribeirinho não está nas vitrines, mas nas margens dos rios e nas várzeas férteis. São os açaizais que vencem, um a um, os longos estirões de rio da ilha grande de Gurupá. Lá estão eles, erguidos como colunas vivas, marcando o caminho de quem navega em busca do sustento diário. Cada palmeira de açaí é uma promessa silenciosa de alimento e renda, um fio de esperança que puxa a canoa para frente. Quem navega conhece bem essas paisagens e sabe que, ao final do percurso, mora sempre uma esperança de cada dia, uma fé teimosa que não se deixa levar pela enchente.
A cidade, por sua vez, guarda em suas ruas o brilho discreto da fé em São Benedito de Gurupá, protetor dos que caminham e dos que navegam. O ribeirinho vence, dia após dia, inúmeros estirões de água. Navega entre silêncio e correnteza, desviando de troncos, enfrentando chuvas, sol forte e noites escuras. Segue sempre em direção ao seu destino, guiado pela experiência do corpo e pelo conhecimento ancestral da floresta e das marés. À beira dos rios, as plantações de açaí se espalham, firmes na terra úmida da várzea. Entre buritizeiros e mata fechada, se abre o cenário grandioso do rio, que acolhe um povo simples, resistente e acolhedor.
Na pele do tirador de açaí, marcam-se o esforço, a coragem e a destreza de quem sobe ao alto da palmeira com a naturalidade de quem caminha no chão firme. De lá de cima, ele alcança o cacho maduro, corta com precisão, desce trazendo nas mãos o futuro da família. Com as folhas do próprio açaizeiro, tece sua peçonha, arruma os frutos em cestos de cipó, simples e perfeitos, que garantirão a renda e a alimentação de muitos lares.
Em cada curva, uma história; em cada porto, um encontro, um abraço, uma despedida. Encantador tu és, minha Gurupá: cidade de rios que viram ruas, de barcos que carregam saudades, de gente que transforma a dureza da vida em poesia silenciosa, bordada na água e na memória.
BIOGRAFIA DO AUTOR: GILVANDRO DOS SANTOS TORRES, na década de 90 participou do movimento estudantil secundarista em Belém. Ex aluno Afonseano recebeu solida formação religiosa humanista. Historiador, Escritor e Membro da Academia Marajoara de letras. É natural do município de Gurupá-PA. Autor do livro "Gurupá: Uma Conquista pelo Povo" (Editora Paka-Tatu, 2019). Coautor do Livro Conhecendo Gurupá Vol. I e II (Editora Marajó,2026). Tem um histórico ligado aos movimentos sociais, adepto a Teologia da Libertação unindo fé e militância por melhorias na qualidade de vida dos cidadãos. Já atuou em diversos órgãos municipais e estaduais. Ex Conselheiro Tutelar de Gurupá(2020-2024). Recebeu formalmente o Título de Cidadão Honorário de Gurupá pela Câmara Municipal, um reconhecimento oficial por seus serviços prestados à história e à cultura da cidade de Gurupá.


Você Sabia? Etiópia e Libéria são frequentemente citados como os únicos países africanos que não foram colonizados por potências europeias durante a "Partilha da África" no século XIX. A Etiópia manteve sua independência através de resistência militar (Batalha de Adwa), enquanto a Libéria foi fundada por ex-escravizados americanos, tornando-se uma nação soberana em 1847.

 

A Resistência da Etiópia

O que aconteceu na Etiópia foi um feito militar impressionante. Na Batalha de Adwa (1896), o Imperador Menelik II não contava apenas com coragem; ele tinha um exército modernizado com armas de fogo e uma estratégia de unificação nacional que pegou os italianos de surpresa. Foi um dos raros momentos em que uma potência europeia foi derrotada de forma decisiva por uma nação africana em uma guerra de larga escala.

A Singularidade da Libéria

A Libéria tem uma origem única e, de certa forma, irônica. Embora não tenha sido colonizada por europeus, ela foi estabelecida sob o patrocínio da American Colonization Society. O país adotou uma constituição, uma bandeira e um sistema de governo fortemente inspirados nos Estados Unidos.


Outros fatos que valem o registro:

  • A "Colonização" Italiana: Algumas correntes historiográficas debatem se a Etiópia permaneceu totalmente livre, já que a Itália de Mussolini a ocupou entre 1936 e 1941. No entanto, a maioria dos historiadores considera isso uma ocupação militar temporária durante a Segunda Guerra Mundial, e não um regime colonial estabelecido.

  • O Império da Abissínia: A Etiópia é uma das nações mais antigas do mundo, com raízes que remontam a milênios, o que conferiu ao país uma identidade nacional muito sólida para resistir às invasões.

A campanha do Tetra para a Seleção Brasileira foi bastante dura e quase todas as partidas foram bastante duras, mas brilhou a eficiência e o jogo coletivo dos comandados por Carlos Alberto Parreira

 


Chico Mendes (1944–1988) foi seringueiro, sindicalista e ativista ambiental que se tornou símbolo internacional da luta pela Amazônia e pelos povos da floresta.

Chico Mendes foi realmente um dos grandes símbolos da luta pela Amazônia, articulando a defesa dos povos da floresta com a preservação ambiental de forma inédita no Brasil. Nascido em 1944, ele aprendeu a ler aos 19 anos e, a partir daí, passou a organizar sindicatos de seringueiros no Acre, enfrentando a pressão de fazendeiros que expulsavam trabalhadores e derrubavam a mata.

Empates e resistência não violenta

Chico foi um dos formuladores da estratégia dos “empates”, uma forma de resistência pacífica em que comunidades inteiras se colocavam diante das motosserras, de mãos dadas, para impedir o desmatamento. Esses embates foram centrais na luta contra o avanço de grandes propriedades sobre terras usadas por seringueiros e fazendeiros, mostrando que a floresta em pé também podia sustentar vidas.

Assassinato e criação das Reservas Extrativistas

Em 22 de dezembro de 1988, exatamente uma semana depois de completar 44 anos, Chico Mendes foi assassinado a tiros de escopeta na porta dos fundos de sua casa, em Xapuri (Acre), por mandante de um grande fazendeiro e grileiro da região. Sua morte mobilizou a opinião pública nacional e internacional e foi um dos impulsionadores diretos na criação das Reservas Extrativistas, como a Reserva Extrativista Chico Mendes, formalizada por decreto federal em 12 de março de 1990, com quase 971 mil hectares de floresta destinados ao uso sustentável pelas comunidades que ali vivem.

Legado político e simbólico

Em 2004, o Congresso reconheceu Chico Mendes como “Herói da Pátria”, e em 2013 ele foi instituído como “Patrono Nacional do Meio Ambiente”, consolidando sua figura como símbolo da luta ambiental e dos direitos dos povos da floresta. Hoje, sua história continua inspirando movimentos pela floresta em pé, justiça social no campo e modelos de desenvolvimento que colocam comunidades e biodiversidade no centro, em vez da destruição a serviço da pecuária e da monocultura.