5/29/2026

a cabanagem com GILVANDRO TORRES

 













A Cabanagem — a revolução que matou o presidente da província, assumiu o poder e dizimou 40% da população amazônica.

Entre 1835 e 1840, na província do Grão-Pará, eclodiu a Cabanagem, também chamada de Guerra dos Cabanos.

Foi uma revolta popular liderada por indígenas, mestiços, negros e pobres ribeirinhos chamados 'cabanos' porque moravam em cabanas.

Essa foi a única revolta brasileira em que os revoltosos assumiram o poder político da província e governaram por anos.

Após a Independência do Brasil em 1822, o Grão-Pará foi abandonado pelo governo imperial. A população vivia em condições semelhantes à escravidão, explorada pela extração de borracha e castanhas.

Mas não foi só a pobreza. Parte da elite local também se revoltou contra o autoritarismo do governo regencial no Rio. Essa aliança entre elite e povo foi o que fez a revolta explodir.

Na madrugada de 6 de janeiro de 1835, os cabanos invadiram Belém e assassinaram o presidente da província, Bernardo Lobo de Souza, junto com o vice-presidente e comandantes militares.

Os corpos foram arrastados pelas ruas. A revolta havia começado de forma violenta.

Os cabanos assumiram o poder! Três presidentes cabanos governaram a província: Félix Malcher, Francisco Vinagre e Eduardo Angelim — este último chegou a criar um governo republicano independente.

Imagine: um governo de pobres, indígenas e mestiços no poder, enquanto o Império do Brasil era governado por elites brancas do Sudeste.

O governo imperial respondeu com força. Em 1836, o regente Diogo Feijó enviou mais de 3.000 soldados e mercenários estrangeiros.

Belém foi bombardeada.

O resultado foi devastador: 30.000 a 40.000 pessoas morreram — cerca de 40% da população do Grão-Pará.

Eduardo Angelim foi capturado e enviado ao Rio de Janeiro. A anistia só veio em 1840, com a ascensão de Dom Pedro II ao trono.

A Cabanagem é considerada a maior revolta popular da história do Brasil. Representou a luta das 'classes ínfimas' por igualdade e justiça social na Amazônia.

GILVANDRO TORRES

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