4/20/2026

Caniggia e Stoichkov num Boca Juniors e Parma, pela Copa Parmalat em 1995.

 


Sempre em todas as tentativas se deram mal.



A expansão territorial do Brasil é um dos processos mais fascinantes da geopolítica sul-americana, transformando uma estreita faixa litorânea em um país de dimensões continentais.














1. O Ponto de Partida: Tratado de Tordesilhas (1494)

O território original, representado em rosa, limitava Portugal a apenas cerca de 2,8 milhões de km². A linha imaginária passava aproximadamente pelas cidades de Belém (PA) e Laguna (SC). Tudo a oeste pertencia, legalmente, à Espanha.

2. Os Motores da Expansão (Séculos XVI a XVIII)

Antes mesmo dos tratados diplomáticos, a fronteira foi movida na prática por três grupos principais:

  • Bandeirantes: Partindo de São Paulo, adentraram o interior em busca de metais preciosos e indígenas para escravizar.

  • Jesuítas: Fundaram missões no sul e no norte, estabelecendo presença física em áreas espanholas.

  • Criadores de Gado: Ocuparam o sertão nordestino e as planícies do sul, expandindo as pastagens.

3. A Diplomacia e o Princípio de Uti Possidetis

O grande marco jurídico foi o Tratado de Madri (1750). Graças à diplomacia de Alexandre de Gusmão, adotou-se o princípio de Uti Possidetis ("quem possui de fato, possui de direito"). Isso validou a ocupação brasileira além da linha de Tordesilhas.

Principais Aquisições e Acordos:

Período/EventoTerritório / Detalhe
Tratado de Madri (1750)Reconheceu a maior parte da expansão para o Oeste e a Amazônia.
Tratado de Petrópolis (1903)Compra do Acre da Bolívia, mediada pelo Barão do Rio Branco.
Questão de Palmas (1895)Disputa com a Argentina resolvida a favor do Brasil.
Tratado de Bogotá (1907)Definição de fronteiras com a Colômbia.

4. Perdas e Consolidação

Como você bem pontuou, a história territorial também envolveu perdas. A Província Cisplatina, anexada em 1821, tornou-se independente em 1828 após a Guerra da Cisplatina, dando origem à República Oriental do Uruguai em 1830.

Essa evolução transformou o Brasil no gigante que faz fronteira com quase todos os países da América do Sul (exceto Chile e Equador), consolidando-se como uma potência regional definida mais pela diplomacia do que por conflitos armados prolongados no século XX.

GILVANDRO TORRES

As maiores reservas de petróleo do mundo...A ambição em destruir nações para explorar riqueza o mal prevalece triste realidade do homem moderno.

 


Em meados de 1500, no momento da chegada dos portugueses ao Brasil, estima-se que havia entre 2 e 5 milhões de indígenas no território. Algumas fontes mencionam números ainda maiores, chegando a 8 ou até 10 milhões. Esses povos estavam distribuídos em diversos grupos étnicos e línguas, com mais de 1.000 povos diferentes e mais de 1.200 línguas e dialetos, de acordo com o Museu da Língua Portuguesa.

 


Biografia do autor: GILVANDRO DOS SANTOS TORRES, historiador, escritor e Membro da Academia Marajoara de letras. É natural do Pará do município de Gurupá. Autor do livro "Gurupá: Uma Conquista pelo Povo" publicada em 2019. Tem um histórico ligado aos movimentos sociais, adepto a Teologia da Libertação unindo fé e militância por melhorias na qualidade de vida dos cidadãos. Já atuou em diversos órgãos municipais e estaduais, colaborando com a gestão pública. Recebeu formalmente o título de Cidadão Honorário de Gurupá pela Câmara Municipal, um reconhecimento oficial por seus serviços prestados à história e à cultura da cidade de Gurupá.

 




























O TRAPICHE DE GURUPÁ

Encantador és, Gurupá. A vida aqui passa devagar, no compasso largo da correnteza dos rios Xingu e Amazonas, como se o tempo tivesse um ritmo próprio, conhecido apenas pelos barqueiros que te atravessam desde sempre. Nos olhos de quem navega, a cidade cresce e se revela pelos portos onde atracam barcos carregados de mercadorias e de sonhos, todos guardados, silenciosos, no porão. As pequenas embarcações, calafetadas de zarcão, encostam nos trapiches de madeira à beira do rio, sob o olhar atento e antigo dos ribeirinhos, acostumados a ver o vai e vem das marés humanas que chegam e partem todos os dias. 
À noite, quando o vento sopra mais forte, as redes balançam no convés, embalando conversas, memórias e cansaços, enquanto a proa corta firme as águas inquietas do verão amazônico. Deste trapiche, quase sempre o que se vê é a despedida. 
Partem homens, mulheres e crianças por esse rio de saudade, tão natural quanto o próprio tempo, que passa sem nunca parar. Os rios se transformam em ruas, e as embarcações passam como se fossem carros em uma avenida de águas; num incessante vai e vem, cada imagem parece virar poesia no cotidiano das ilhas, das revoadas de pássaros, do movimento discreto da vida ribeirinha. 
De manhã bem cedo, as pessoas começam a chegar. Trazem sacolas, paneiros, filhos pela mão, pequenos carregos da vida diária. Os barcos cruzam o rio devagar, sem pressa de chegar, como se conhecessem o peso do silêncio de quem fica aguardando na beira. As águas se abrem à frente das embarcações, sem alarde, quase sem fazer ondas, neste imenso rio de sonhos e esperança. Ao olhar esse rio de saudade, uma lágrima insiste em brotar; é uma dor antiga, uma perda que não se sabe explicar, uma ausência tão grande que nem encontra palavra para se dizer. 
O barco segue, atravessando as veias líquidas dos rios e igarapés, enfrentando os invernos impiedosos desta Amazônia sem fim. Há momentos em que tudo parece uma grande pintura intocável: rios que viram ruas, casas que se refletem na água, embarcações que se confundem com miragens, como se ali morassem habitantes imaginários de um universo encantado de pescadores artesanais. 
Seus sonhos se desenham em redes de pesca estendidas ao sol, em barcos que parecem encantados, deslizando sobre um rio que, paradoxalmente, não tem ruas, mas define todos os caminhos. 
Nas ruas de Gurupá, o ouro do ribeirinho não está nas vitrines, mas nas margens dos rios e nas várzeas férteis. São os açaizais que vencem, um a um, os longos estirões de rio da ilha grande de Gurupá. Lá estão eles, erguidos como colunas vivas, marcando o caminho de quem navega em busca do sustento diário. Cada palmeira de açaí é uma promessa silenciosa de alimento e renda, um fio de esperança que puxa a canoa para frente. Quem navega conhece bem essas paisagens e sabe que, ao final do percurso, mora sempre uma esperança de cada dia, uma fé teimosa que não se deixa levar pela enchente. 
A cidade, por sua vez, guarda em suas ruas o brilho discreto da fé em São Benedito de Gurupá, protetor dos que caminham e dos que navegam. O ribeirinho vence, dia após dia, inúmeros estirões de água. Navega entre silêncio e correnteza, desviando de troncos, enfrentando chuvas, sol forte e noites escuras. Segue sempre em direção ao seu destino, guiado pela experiência do corpo e pelo conhecimento ancestral da floresta e das marés. À beira dos rios, as plantações de açaí se espalham, firmes na terra úmida da várzea. Entre buritizeiros e mata fechada, se abre o cenário grandioso do rio, que acolhe um povo simples, resistente e acolhedor. 
Na pele do tirador de açaí, marcam-se o esforço, a coragem e a destreza de quem sobe ao alto da palmeira com a naturalidade de quem caminha no chão firme. De lá de cima, ele alcança o cacho maduro, corta com precisão, desce trazendo nas mãos o futuro da família. Com as folhas do próprio açaizeiro, tece sua peçonha, arruma os frutos em cestos de cipó, simples e perfeitos, que garantirão a renda e a alimentação de muitos lares. 
Em cada curva, uma história; em cada porto, um encontro, um abraço, uma despedida. Encantador tu és, minha Gurupá: cidade de rios que viram ruas, de barcos que carregam saudades, de gente que transforma a dureza da vida em poesia silenciosa, bordada na água e na memória.
GILVANDRO TORRES


SÃO LUCAS

São Lucas, Evangelista, é tradicionalmente conhecido como um discípulo de São Paulo, médico de profissão, convertido ao cristianismo e autor do terceiro Evangelho e dos Atos dos Apóstolos.

Segundo a tradição, nasceu em Antioquia da Síria, numa família de origem pagã, por isso também é chamado de “mestre dos gregos” entre os antigos escritores cristãos. 

Relatos posteriores situam sua conversão à fé cristã por volta do ano 40, entrando em contato com a doutrina de Jesus através de testemunhas e de Paulo.

Lucas acompanhou São Paulo em parte de suas viagens missionárias, sendo citado como “o médico amado” na carta aos Colossenses (4,14). 

Boa parte da segunda viagem de Paulo e mesmo a sua prisão em Roma conta com a presença de Lucas, que permaneceu ao seu lado na última fase da vida do apóstolo.

No Evangelho que leva o seu nome, organiza com cuidado histórico os ensinamentos e ações de Jesus, destacando a misericórdia e a atenção de Cristo aos pobres, aos pecadores e aos marginalizados. 

Já nos Atos dos Apóstolos, narra o nascimento e o crescimento da Igreja primitiva, culminando com a chegada de Paulo em Roma, daí sua ligação com “os primeiros passos da vida da Igreja”.

Por causa do tom compassivo e humano de seu Evangelho, São Lucas é frequentemente chamado de “evangelista da mansidão” ou “da misericórdia”, pois sublinha especialmente a ternura, a piedade e o perdão de Jesus. 

Essa característica faz de seu texto um instrumento privilegiado para meditar a vida interior de Cristo e a forma como a Igreja deve acolher cada pessoa com caridade.

GILVANDRO TORRES

GILVANDRO TORRES, e a TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO como opção pelos pobres na Igreja Católica


Bases Históricas e Documentais

A Teologia da Libertação é a opção pelos pobres ganharam força através de eventos cruciais na Igreja Católica:

Evento

Impacto na Teologia da Libertação

Concílio Vaticano II (1962-1965)

Abriu a Igreja para os problemas do mundo moderno e a busca pela justiça social.

Conferência de Medellín (1968)

O momento em que o termo "opção pelos pobres" foi consolidado pela Igreja latino-americana.

Conferência de Puebla (1979)

Reafirmou o compromisso com os pobres diante das ditaduras militares na região.

 

Ver, Julgar e Agir

A metodologia da Teologia da Libertação é prática e divide-se em três etapas:

1.    Ver: Analisar a realidade concreta da pobreza e da injustiça usando, muitas vezes, as ciências sociais (como a sociologia).

2.    Julgar: Interpretar essa realidade à luz da Bíblia e da tradição cristã.

3.    Agir: Tomar medidas concretas para transformar a realidade e promover a justiça social.

As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)

A aplicação prática da opção pelos pobres ocorreu principalmente através das CEBs. Eram pequenos grupos de fiéis que se reuniam para ler a Bíblia e discutir problemas comunitários (falta de saneamento, direitos trabalhistas, moradia), unindo fé e ação política.

A Teologia da Libertação enfrentou resistência, especialmente durante os anos 80:

  • Vaticano: Sob o pontificado de João Paulo II e a liderança do Cardeal Ratzinger (futuro Bento XVI), o Vaticano expressou preocupação com a influência de análises marxistas (luta de classes) dentro da teologia.
  • Conflitos Políticos: Em contextos de Guerra Fria, teólogos foram acusados de politizar excessivamente a fé, embora muitos defendessem que não há como separar a espiritualidade da justiça terrena.

A opção pelos pobres não significa que Deus exclui os outros, mas que Ele toma o partido dos que sofrem para restaurar a justiça, exigindo que a Igreja faça o mesmo como prova de sua fidelidade ao Evangelho.

 A Teologia da Libertação nasce do compromisso com o Reino de Deus e da opção preferencial pelos pobres, sendo reconhecida por diversos papas e sustentada pelo testemunho de mártires como Dom Oscar Romero, Irmã Dorothy Stang e Padre José Comblin.

Ao atacar essa Teologia, ataca-se também a caminhada de inúmeras comunidades que, com fé e coragem, seguem anunciando a libertação de Jesus Cristo diante das injustiças do mundo.

Diante disso, reafirmamos nosso compromisso com uma Igreja profética, encarnada na realidade do povo e fiel ao Evangelho, nesse caminho seguimos firmes na caminhada, olhando para Cristo Libertador e para o testemunho dos que deram a vida pelo Reino.

 Para Refletir:

1. A Opção Preferencial pelos Pobres

  • Fundamento Bíblico: O Êxodo (a libertação dos escravos no Egito) e as bem-aventuranças de Jesus são vistos como provas de que a salvação não é apenas espiritual, mas também uma libertação das condições materiais de miséria.
  • Prática: Não se trata de exclusividade, mas de prioridade. Se há alguém sofrendo, é ali que a Igreja deve estar.

2. Pecado Social e Estrutural

Diferente da visão tradicional que foca apenas no pecado individual (mentir, roubar, etc.), a Teologia da Libertação defende que existem estruturas de pecado.

  • Sistemas econômicos que geram fome, exploração e desigualdade extrema são considerados formas de pecado institucionalizado.
  • A defesa aqui é que a Igreja não pode ser "neutra" diante de sistemas que desumanizam o próximo.

3. A Fé como "Práxis"

Para os teólogos da libertação, a teologia não deve ser apenas um exercício intelectual ou acadêmico, mas uma reflexão sobre a prática.

  • A fé é validada pela ação (práxis) transformadora na sociedade.
  • Inspirada na frase de São Tiago: "A fé sem obras é morta", a TdL argumenta que conhecer a Deus implica em praticar a justiça.

4. O Método Ver-Julgar-Agir

Utiliza-se um método prático para intervir na realidade local:

1.    Ver: Analisar a realidade social com o auxílio das ciências sociais (entender por que existe pobreza).

2.    Julgar: Analisar essa realidade à luz da Palavra de Deus e da tradição cristã.

3.    Agir: Traçar estratégias concretas para mudar a situação de injustiça.

5. Jesus como Libertador Histórico

A defesa enfatiza a humanidade de Jesus e seu papel no contexto político e social de sua época. Jesus é visto como alguém que desafiou os poderes religiosos e políticos que oprimiam o povo, pagando com a vida por sua mensagem de libertação.

GILVANDRO TORRES

GILVANDRO TORRES, a dimensão da SINODALIDADE na Igreja

As CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), que sempre foram fermento de missão e justiça na América Latina, em uma Igreja em Saída: ser uma Igreja missionária, aberta a todos, que caminha sem se esconder, levando o Evangelho a periferias existenciais.

A sinodalidade é uma Dimensão essencial da Igreja, promovendo participação e discernimento coletivo, nesse método Ver-Julgar-Agir: Realidades nas dores do povo ribeirinho, pescadores, quilombolas e povos originários, reorganizando as CEBs para ouvir e atuar.

Essa abordagem une teologia e compromisso social, ecoando a tradição latino-americana de Medellín e Aparecida.

No contexto amazônico, isso ganha força ao valorizar as lutas locais contra a mineração ilegal e o desmatamento.

A Igreja não existe para se fechar em si mesma, mas para caminhar ao encontro das pessoas. Igreja “em saída” é a comunidade dos discípulos missionários que tomam a iniciativa, se envolvem, acompanham, frutificam e festejam. 

Isso não é apenas um estilo pastoral; é uma maneira de ser Igreja, aberta à escuta, ao discernimento e à missão.

Quando falamos de sinodalidade, falamos de uma Igreja que caminha junta.

Ou seja, não basta cada um fazer sua parte isoladamente; é preciso ouvir o Espírito Santo na vida do povo, sobretudo nos mais pobres, nas periferias e nas realidades feridas.

As Comunidades Eclesiais de Base sempre souberam fazer isso muito bem.

O método ver, julgar e agir ajudou gerações de cristãos e cristãs a ler a realidade à luz do Evangelho e a transformar a vida concreta do povo.

Ver os sinais dos tempos, julgar com a Palavra de Deus e agir com coragem continua sendo um caminho fecundo para nossas comunidades.

Uma igreja aberta para a realidade, através da teologia da libertação que interpreta os ensinamentos de Jesus Cristo como libertador da opressão e injustiças.

Segundo o teólogo professor Leonardo Boff, as comunidades eclesiais de base seriam um novo modo de ser igreja e de experimentar a salvação comunitariamente, o lugar de encontro do povo oprimido seriam capazes de "reinventar a igreja" a partir da fé do povo.

O sofrimento dos servos de Jesus está previsto, inevitável, mais faz parte da missão, pois é uma caminhada de fé longa e cheio de desafios, ser servo de jesus cristo, significa um amor fiel, quem aceita e responde este chamado como o Apóstolo Saulo se converteu renuncia a sua autonomia se perder sua identidade, pelo contrário esta é a profunda conversão que se encontra a sua verdadeira identidade.

Esta reflexão responde às perguntas sobre a vivência comunitária: o meu papel na comunidade em que vivo; meu compromisso com a caminhada e a minha necessidade de viver em comunidade.

De acordo com seu sentido etimológico, o termo grego “sínodo” significa “caminhar juntos”, a sinodalidade expressa a participação e a comunhão em vista da missão.

Como resposta a esta Igreja Missionária no sentido de caminhar juntos na escuta e no diálogo, proporcionando novas perspectivas de convivência ecumênica e inter- religiosa.

Nestas palavras o saudoso Papa Francisco expressava que nos aproximarmos de Deus, estudar a Palavra e fortalecer nossa fé, são passos importantes para viver em comunhão na Igreja, buscando sempre ser cada vez melhor.

O esperançar é caminhar numa Igreja de Xingu- Altamira como objetivo ser: Uma Igreja Missionária capaz de anunciar a alegria do Evangelho, respeitando as culturas, que lute pela Dignidade e Direitos dos pobres.

De modo que sua voz seja ouvida. Essa é a conversão da vida em comunidade como uma ferramenta de transformação, na medida em que seus membros vão participando intensamente das comunidades, passa a conhecer suas necessidades e sua realidade.

Os questionamentos aparecem, essa é a essência de viver em comunidade, as comunidades eclesiais de base são o porto seguro para sua viagem, para tua caminhada, são através desses questionamentos que se constrói o tecido seguro e resistente.

 Vivência na comunidade:

·       a Igreja povo, as Cebs são a presença mais linda, mais verdadeira, mais autêntica da Igreja base.

·       Igreja do povo. Com o trabalho evangelizador dentro das diretrizes da educação popular percebe-se que o povo começa a ter consciência dos seus direitos e deveres na sociedade e na família.

Para isso tem que viver desprendido de bens materiais, viver a realidade, viver o dia a dia fundamentado no verdadeiro evangelho como uma pessoa simples, popular, trabalhadora, a serviço dos humildes e oprimidos.

O verdadeiro evangelho: “quando o povo coloca sua esperança em deus ele responde com todo o seu amor” sl 34-(20.22) é aquele que vive o compromisso libertador, onde a igreja é do povo, é a essência da comunidade.

É neste trabalho de conscientização que se desenvolve o despertar crítico e o compromisso sociopolítico das lideranças comunitárias.

 Que cristo encoraje todos nós nesta reflexão: vivência comunitária, onde um vive para o outro, pois é muito importante para nós numa época em que as pessoas se submetem a este sistema capitalista, onde o homem pensa tanto em ganhar em ter é preciso a gente pensar em ser e ser em função dos outros.

Um olhar de irmãos onde perdura o amor fraterno, justiça e a paz nas Comunidade Eclesial de Base no município de Gurupá para isso é preciso viver um processo de conversão permanente, porque a vida é um processo dinâmico onde ninguém nasce perfeito aos pouco se corrige, nas quedas, nas falhas enfim somos imperfeitos.

Conversão: É retomar o caminho que havia perdido, a conversão verdadeira nasce da fidelidade ao caminho, ao projeto de vida.

É uma necessidade existencial nesta linha de pensamento podemos observar as experiências da educação popular como uma conversão e renovação espiritual só assim poderão entender com clareza que uma caminhada da Cebs que dentro de um contexto de transformação social só tem futuro se estiver fundamentada numa profunda experiência de formação permanente.

O caminho sinodal se reveste de uma necessidade diante dos desafios em que nos encontramos a enfrentar. 

Quando Deus, chamou e encontrou-se com Moisés no deserto vasto no monte Horebe e lhe disse: “Certamente tenho observado a opressão e a miséria sobre meu povo no Egito, tenho ouvido seu clamor, por causa dos seus feitores, e sei o quanto estão padecendo.

Por esse motivo desci a fim de livrá-los das mãos dos egípcios e tirá-los daqui para uma terra boa e vasta, onde mana leite e mel, porque conheci as suas dores”(cf. Ex. 3).              

Ecoa firme também o clamor na Igreja da Amazônia, faz-nos lembrar do que lemos nos relatórios e escutamos novamente do grito de clamor que nos vem nessa manhã, mas também faz nos lembrar dos nossos mártires amazônicos: Pe Ezequiel, Ir Dorothy, Ir Adelaide, Dema, Chico Mendes e tantos outros anônimos, porque nos faz compreender o valor da missão batismal que interliga a fé e a vida pela profecia.

Todo cristão e cristã, que carregaram em sua vida de missão e caminhada e, nos lembra que devemos carregar também o dom de ser profeta, ou seja, de estarmos atento aos sinais dos tempos na Amazônia, no Brasil e no mundo para anunciar os desígnios de Deus e denunciar o que vai contra o plano de Deus, autor da vida e, portanto, tudo o que gera morte.

É também a missão de todo filho e filha amados de Deus. É uma missão encarnada na realidade, Igreja que se entrosa com a realidade.

Paulo VI foi canonizado pelo Papa Francisco em 14 de outubro de 2018, expressou em 1972: “Cristo aponta para a Amazônia”.

A Igreja se faz carne e arma sua tenda na Amazônia, no meio dos povos, de tal modo que aparece um rosto eclesial bem definido. Isso nos leva a uma Igreja comunitária, orante misericordiosa e missionária que interliga em sua ação, evangelização e a promoção humana.

“Uma Igreja em saída, que vai ao encontro das periferias sociais, culturais e existenciais”, para que “todos tenham vida plena”.

Ser Igreja sinodal é o esforço coletivo e a busca contínua de aprendermos a “caminhar juntos”, como irmãos e irmãs.

É um jeito de ser Igreja no qual cada pessoa é importante, tem voz, é ouvida, capacitada e envolvida na realização da missão.

Já não se trata de estarmos uns acima dos outros, mas de nos colocarmos unidos para, juntos, fazermos a experiência de fé diante dos desafios internos e externos que se apresentam em nosso dia a dia.

Uma Igreja sinodal é uma Igreja onde todo o povo de Deus caminha junto, onde todos(a), batizados discípulos missionários, qualquer que seja a sua vocação, se reencontram na Igreja em saída.

Os discípulos(as) tornam-se missionários(as), a partir do encontro com Jesus Cristo, que é o missionário do Pai.

Somente experimentando o seu amor, podem anunciar o amor misericordioso de Deus que deseja abraçar a todos. Como diz Apóstolo Paulo: "é o amor de Cristo que impulsiona".

              O pilar central desse movimento é a Opção Preferencial pelos Pobres.

Abaixo, detalho os pontos fundamentais para compreender esse conceito e diferente de uma simples caridade ou assistência social, a "opção pelos pobres" é uma escolha ética e teológica. Ela propõe que a Igreja deve olhar o mundo a partir da perspectiva dos marginalizados.

  • Pobreza como Pecado Estrutural: Argumenta que a pobreza não é uma fatalidade ou vontade de Deus, mas o resultado de estruturas econômicas e políticas injustas (pecado social).
  • Deus Libertador: Baseia-se na imagem bíblica do Êxodo, onde Deus ouve o clamor do povo oprimido e intervém para libertá-lo da escravidão.
  • Cristo Libertador: Jesus é visto como alguém que viveu entre os pobres e denunciou as opressões de sua época, tornando a libertação dos oprimidos a missão central da Igreja.

GILVANDRO TORRES

GILVANDRO TORRES alinhado a TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO

 O saudoso Papa Francisco dizia sobre a Igreja: “A Igreja é aberta a todos, então existem regras que regulam a vida dentro da Igreja”, disse o Papa Francisco. “Cada um encontra Deus a seu modo dentro da Igreja. 

Por outro lado, a Igreja quando sai, quando caminha, se sente mais forte. Sigam adiante e que a Igreja de vocês seja sempre em saída, nunca escondida”.Em suas próprias palavras, a Sinodalidade “é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio” porque é uma “dimensão constitutiva da Igreja”. 

Igreja em saída é um termo cunhado na primavera do papa Francisco na exortação apostólica Evangelii Gaudium, a alegria do evangelho (EG). 

É nessa exortação que o pontífice exprime suas principais preocupações a respeito da Igreja e do mundo, e desenvolve alguns temas que têm implicação direta na dinâmica pastoral e missionária da Igreja, a fim de delinear novo perfil eclesial.  

Era um convite para uma “Igreja em saída” é a marca predominante do seu pontificado, que deseja ver renascer na Igreja nova experiência de fé cristã missionária, fundamentada no evangelho, de modo que a mensagem da salvação chegue realmente a todos, sem exclusão. 

Guiamo-nos pelo método ver-julgar-agir, nos dias de 18 a 22 de julho. Com o tema “ Cebs: Igreja em saída, na busca da vida plena para todos e todas” e o lema “ Vejam! Eu vou criar um novo céu e uma nova terra”( Is 65,17ss). 

Método consagrado pela tradição da Igreja na América Latina e Caribe. Reconhecer os sinais dos tempos, a presença e atuação de Deus. Diálogos em várias realidades e regiões do Brasil. Vimos que a desigualdade social é fruto de um sistema capitalista, de natureza excludente constatamos uma triste realidade, como: A imensa fila de desempregados e desempregadas, de trabalhadores e trabalhadoras informais, muitos/as em trabalhos análogos à escravidão; O desmatamento e incêndios criminosos afetando os diversos biomas. 

Poluição das águas, do ar e da terra, destruindo a vida do planeta e das pessoas, o uso desregulado de agrotóxicos, o avanço do agronegócio e da mineração ilegal.O processo de reorganização das Cebs, trazendo e Identificando o rosto das Comunidades Eclesiais de base ouvindo suas dores e lutas, dos ribeirinhos, pescadores(as), quilombolas e povos originários como identidade das Cebs.



GILVANDRO TORRES é um nome associado a um profissional paraense ligado à área social, cultural e de atuação pública, com forte conexão ao município de Gurupá, no estado do Pará.

Gilvandro é autor do livro Gurupá: Uma Conquista pelo Povo, publicado em 2019 pela editora Paca‑Tatu, que reúne recortes históricos, sociais e culturais do município a partir da perspectiva das populações locais.

A obra é citada como referência para pesquisadores e educadores interessados na história regional do Marajó, destacando temas como quilombos, povos indígenas, colonização e organização comunitária.

Está ligado às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e à Teologia da Libertação, articulando fé cristã e militância por melhorias na qualidade de vida das comunidades de Gurupá. 

Sua atuação como educador popular e na época sua atuação como Conselheiro Tutelar( 2020-2024) evidencia esse vínculo entre pastoral, direitos humanos e defesa dos mais vulneráveis.