3/31/2026

AS MUDANÇAS EM GURUPÁ

 A paisagem natural e cultural de Gurupá, no Pará, era originalmente dominada por florestas densas de várzea, rios como Amazonas e Xingu.

A ocupação indígena pré-colonial com sítios arqueológicos. 

Ao longo do tempo, ocorreu colonização europeia com construção de fortes, ciclos econômicos de borracha e aviamento, levando a declínio populacional e abandono de áreas urbanas no século XX.

Gurupá apresenta relevo plano amazônico, com altitudes baixas, clima equatorial úmido e vegetação de floresta densa aluvial, rica em açaí, buriti e maçaranduba, além de várzeas inundáveis na Ilha Grande de Gurupá. 

Rios como Amazonas, Xingu e igarapés sustentavam pesca artesanal , com solos férteis para roças tradicionais.

Para entender a história: 

há diversidade indígena com vestígios desde o século XVII, holandeses e portugueses ergueram o Forte Santo Antônio (1623), 

característica dos traços culturais indígenas e africanos na áreas de quilombo, mudaram o cenário, tivemos imigrantes europeus- judeus no ciclo da borracha em GURUPÁ. 

Hoje as Comunidades ribeirinhas vivem de extrativismo, em suas comunidades.

Mudanças ao Longo do Tempo

Desmatamento limitado, as ameaças persistem com projetos de carbono ainda sofremos como o passado da exploração madeireira ilegal

Muitos  migrando para criação de peixe . e manejo de açaizal

Hoje as pessoas preservam floresta, com agroflorestais e manejo sustentável.

GILVANDRO TORRES



A Itália está fora da Copa do Mundo pela terceira edição seguida. A Bósnia vence nos pênaltis e conquista a vaga! Itália fora nas edições 2018, 2022 e 2026.

 


Por alguns anos, o povo realmente tomou o poder no Pará. Indígenas, negros e mestiços governaram a província — algo inédito na história do Brasil. A Cabanagem provou que os de baixo também podem liderar. Esse capítulo precisa estar em todo livro de história deste país.

 


Entrando no Túmulo Vazio com Esperança

A fé nasce quando, em vez de fechar o sepulcro com medo, entramos nele com esperança. 

Vamos ao 'vazio' das nossas dores, confiando no Ressuscitado!"

Imagine as mulheres no túmulo: o pavor as paralisa, mas o anjo as chama a "entrar". Elas não fogem do vazio – vão, tocam as faixas vazias e encontram vida! Assim somos nós.

No "sepulcro" de uma perda familiar, entramos orando juntos, e a memória do ente querido vira semente de união. 

No vazio de um projeto comunitário falido, entramos organizando, e Deus o ressuscita em frutos novos. 

Na dor da comunidade esquecida, entramos com fé, e surge a força para lutar por justiça e sustentabilidade na Amazônia.

Não fechemos o sepulcro com medo! Entremos com esperança no Ressuscitado. 

Ele transforma nosso "vazio" em Páscoa viva. 

GILVANDRO TORRES


O Túmulo Vazio: Esperança para o Nosso Povo- GILVANDRO TORRES

No Evangelho, as mulheres chegam ao túmulo de Jesus e o encontram vazio. 

Não há corpo, só faixas de linho e o anúncio dos anjos: "Por que procuram o vivo entre os mortos?" (Lc 24,5). 

Para nós, esse "túmulo vazio" não é apenas história antiga – é profecia para a nossa vida!

Pode ser um projeto que parecia acabado, como aquela iniciativa de desenvolvimento comunitário que o desânimo enterrou. 

Mas Deus abre nova porta: com fé e organização, ele ressuscita em mutirões de trabalho, parcerias e frutos inesperados.

Pode ser uma família que perdeu alguém querido, no luto das enchentes ou das durezas da vida ribeirinha. 

A memória dele não é fim, mas semente de vida: inspira os filhos a lutar pela educação, pela saúde e pela dignidade, florescendo em novos caminhos de esperança.

Pode ser uma comunidade que parece esquecida, como tantos rincões do Pará e Amapá, à mercê da política distante ou das crises ambientais. 

Mas ela ressurge na força da fé, da oração coletiva e da organização popular – virando motor de mudança, com assembleias, projetos sustentáveis e voz profética.

Assim, o túmulo vazio nos ensina lições eternas para o hoje:

A morte não tem a última palavra. Nem o fracasso, nem a perda, nem o abandono – Cristo venceu tudo isso.

Deus age no que parece "vazio" e "sem sentido". No silêncio da oração, no jejum da espera, ele semeia vida nova.

A fé nasce quando, em vez de fechar o sepulcro com medo, entramos nele com esperança. Vamos ao "vazio" das nossas dores, confiando no Ressuscitado!

Irmãos, nesta Páscoa, levantemo-nos! Do túmulo vazio de Jesus flui a força para transformar Gurupá e nossa região. Aleluia!

Com carinho em Cristo,

Gilvandro Torres

“A fé nasce no túmulo vazio” GILVANDRO TORRES
























O Evangelho nos conta que, bem cedo, as mulheres foram ao túmulo de Jesus carregando unguentos, luto e medo. 

Elas não iam celebrar; iam apenas cumprir um gesto de amor até o fim. 

Mas, ao chegar, encontram o túmulo aberto e vazio. 

O que parecia o fim se torna o começo de uma fé nova.

O túmulo vazio não é apenas um lugar da história de Jesus; é um símbolo poderoso para quem hoje chora, sofre, se sente preso na morte de projetos, sonhos, direitos e até de entes queridos. 

Na Amazônia, tantas vezes sentimos como se nossa terra tivesse um sepulcro fechado: por esquecimento, por abandono, pela pobreza que parece vencer. 

Mas a Páscoa nos lembra: não adianta apenas olhar para o túmulo fechado; é preciso ousar entrar, apesar do medo, para ver que ele está vazio.

A fé nasce ali, justamente quando não encontramos o que esperávamos: o corpo da desesperança, o peso da indiferença. 

O que encontramos é um sinal de que Deus é mais forte do que a morte e mais ousado do que o nosso desespero. 

Pedro e o discípulo amado correm, veem as faixas deitadas, o lençol dobrado, e algo se transforma no coração deles: ainda não entendem tudo, mas começam a crer. 

Nossa fé também não precisa começar pronta, perfeita ou sem dúvidas; ela começa quando, diante do vazio, continuamos a caminhar, a buscar a voz do Senhor.

Para o nosso povo, o “túmulo vazio” pode ser:

  • Um projeto que parecia acabado, mas Deus abre nova porta.
  • Uma família que perdeu alguém, mas descobre que a memória dele é semente de vida.
  • Uma comunidade que parece esquecida, mas ressurge na força da fé, da oração e da organização.

Assim, o túmulo vazio nos ensina:

  • Que a morte não tem a última palavra.
  • Que Deus age no que parece “vazio” e “sem sentido”.
  • Que a fé nasce quando, em vez de fechar o sepulcro com medo, entramos nele com esperança.

Que a Páscoa deste ano nos encontre dispostos a entrar no túmulo vazio da nossa história sem perder a fé, porque, se o túmulo está vazio, significa que Jesus vive – e, vivendo Ele, nossa terra, nossa gente e nosso futuro também podem ressuscitar.

GILVANDRO  TORRES

Dante Alighieri

 


Martin Luther King

 



 

O “canhão de madeira” de Cuipiranga Nos relatos locais e em estudos sobre a Cabanagem em Santarém, diz‑se que os cabanos construíram uma “praça de guerra” sobre os barrancos de Cuipiranga, à margem do rio Amazonas, simulando uma fortaleza com canhões de verdade.

 Na prática, a maioria dessas “peças de artilharia” seria feita de troncos de bacabeira ou outros troncos de madeira, dispostos em fileira para criar o efeito visual de uma bateria de canhões.

Esse engano só teria sido desfeito quando chegaram reforços vindos do Rio de Janeiro, munidos de binóculos melhores, que permitiram perceber que se tratava de um “espantalho” em vez de armas reais. 

Mesmo assim, a estratégia adiou investidas, deu tempo para articulações internas e reforçou a imagem de Cuipiranga como um reduto resistente e quase invencível.

Por que a escola “esconde” essa história

Muitos livros didáticos de história do Brasil tratam a Cabanagem de forma genérica, focando apenas em Belém, datas e nomes oficiais, e acabam “apagando” estratégias criativas, como o canhão de madeira de Cuipiranga. 

Essa omissão transforma a guerra em uma sucessão de batalhas entre “legalistas” e “rebeldes”, sem mostrar a inteligência, a criatividade e a cultura material dos cabanos pobres, índios e caboclados.

O truque dos cabanos revela, então, algo que os manuais raramente dizem: que a resistência popular não é apenas fúria, mas também tática e simbolismo — transformar troncos em “canhões” é uma metáfora de como o povo, sem recursos, usa o que tem para enfrentar uma máquina de guerra organizada.

GILVANDRO TORRES

Preservar a história da Cabanagem é um ato político e de amor ao nosso povo. Durante anos essa revolta foi ignorada nos livros didáticos, tratada como caso de polícia e não como luta por direitos. Mas a memória resiste. E cada vez que contamos essa história, os cabanos vivem de novo

 











“A fé nasce do túmulo vazio” é uma expressão teológico‑pastoral que expressa uma ideia central da Páscoa: a fé cristã tem sua origem no fato de que o sepulcro de Jesus está vazio, porque Ele ressuscitou, e não em ideias puramente abstratas ou sentimentos sem referência histórica concreta.

O túmulo vazio é o sinal de que Jesus não foi apenas “lembrado” pelos discípulos, mas historicamente ressuscitou (Mt 28; Mc 16; Lc 24; Jo 20). 

Os Evangelhos insistem nos detalhes: a pedra removida, os panos de linho cuidadosamente dobrados, e a ausência do corpo, convertem‑se em sinais de fé e não apenas objetos de curiosidade.

Como a fé nasce a partir disso?

Nos relatos de João 20, vemos Pedro e o “discípulo amado” entrando no sepulcro, vendo os sinais, e “crendo” ainda antes de verem o próprio Jesus ressuscitado. 

A fé, nesse contexto, não brota de um raciocínio frio, mas do encontro com indícios concretos do poder de Deus, que conduzem ao coração a crer que “o Senhor ressuscitou”.

Frases como “a fé nasce do túmulo vazio” lembram que o cristianismo não é um mito bonito, mas uma fé ancorada em um acontecimento histórico que transforma a existência: se o túmulo está vazio, a morte não tem a última palavra, e é possível viver com esperança, mesmo diante de sepulturas pessoais (luto, injustiça, desespero).


Coelhos não botam ovos. Eles são mamíferos, o que significa que os filhotes se desenvolvem dentro da barriga da mãe e nascem vivos. A ideia do coelho que bota ovo é apenas uma lenda associada à Páscoa, simbolizando a fertilidade e a vida nova, mas biologicamente é impossível para eles.

 


A quantidade de petróleo que chegou em Cuba, enviado pelo Rússia, é suficiente para ilha se manter por aproximadamente 1 mês e meio.


 

"O tempo é o campo do desenvolvimento humano. O homem que não disponha de nenhum tempo livre, cuja vida -- afora as interrupções puramente físicas do sono, das refeições etc. -- esteja toda ela absorvida pelo trabalho para o capitalista, é menos que uma besta de carga. É uma simples máquina, fisicamente destroçada e intelectualmente brutalizada, para produzir riqueza alheia." Salário, Preço e Lucro - Karl Marx

Plano de Jerusalém no tempo de Nosso Senhor Jesus Cristo, onde você pode observar o itinerário seguido por Jesus durante sua Paixão e Morte no Gólgota

 


No dia 31 de março de 1964, eclodiu o golpe militar que depôs o presidente João Goulart, conhecido como Jango, instalando um regime ditatorial no Brasil que perdurou até 1985.

Jango servira como vice-presidente nos governos de Juscelino Kubitschek (1956-1961) e Jânio Quadros (1961), assumindo a presidência em setembro de 1961 após a renúncia de Jânio. Seu mandato inicial operou sob o parlamentarismo, imposto como condição para sua posse, mas recuperou plenos poderes presidenciais em janeiro de 1963, via plebiscito que restaurou o presidencialismo.

O governo foi marcado pelas "reformas de base", anunciadas no comício da Central do Brasil (13 de março de 1964), incluindo reforma agrária, controle de remessas de lucros, nacionalização de refinarias de petróleo e habitação popular. Essas propostas inflamaram oposição de elites rurais, setores empresariais, Forças Armadas, Igreja Católica conservadora e Estados Unidos — no auge da Guerra Fria, temendo uma "ameaça comunista". Manifestações como a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em São Paulo (19 de março), mobilizaram a sociedade civil contra Jango.

O golpe, liderado por generais como Mourão Filho, consolidou-se entre 31 de março e 4 de abril, com Jango fugindo para o Uruguai. Exilado em países como Uruguai, Argentina e México, morreu em 6 de dezembro de 1976, em Corrientes (Argentina), vítima de ataque cardíaco — fato contestado por indícios de envenenamento, investigados em CPIs recentes.

GILVANDRO TORRES

Os que mais quiseram ver Jesus morto não foram os marginalizados, mas os que se diziam guardiões da moral e da fé. Isso não é achismo, é história.

 







































3/30/2026

biografia do SENADOR JOSÉ PORFÍRIO- AUTOR GILVANDRO TORRES

 Biografia de José Porfírio

Nascido em Remanso (BA), veio ao Pará como sobrinho de Agrário Cavalcante, herdando propriedades como o Forte Ambé e tornando-se o maior seringueiro do estado. 

Ele concluiu a estrada até o rio Ambé, foi intendente de Souzel (criado pela Lei nº 811 de 1874) e senador estadual até 1930, usando alianças como o casamento com Rosalina Lemos. 

Fontes confirmam seu luxo (palacete europeu, iluminação a gás) contrastando com a exploração de seringueiros via aviamento.

Colonização e Missões

Jesuítas chegaram ao Xingu antes de 1750, fundando missões acima da Volta Grande, seguidos por capuchinhos em 1868 que impulsionaram o povoado de Altamira

A estrada primitiva ligava ao Tucuruí; após a Lei Áurea (1888), escravos foram perdidos, mas Porfírio prosperou na borracha. Isso ecoa os fatos cronológicos do texto, como missões em 1750 e explorações em 1842.

Ciclo da Borracha

Seringueiros nordestinos enfrentavam aviamento, com barracões vendendo mercadorias caras e jagunços vigiando fugas; índígenas  Araras atacavam seringais. Porfírio controlava terras, votos e comércio, financiando festas em Altamira enquanto trabalhadores morriam de malária ou maus-tratos. O declínio veio em 1913 com borracha asiática e Crise de 1929.

Declínio Político

A Revolução de 1930 extinguiu senados estaduais e enfraqueceu coronéis; no Pará, Magalhães Barata, interventor, reprimiu oligarquias como a de Porfírio. Regatões desafiaram o aviamento, e Porfírio, falido, morreu no Rio em 1932.

Formação Municipal

Souzel (extinto em 1921, anexado a Porto de Moz/Altamira) foi recriado em 1961 pela Lei nº 2.460 como Senador José Porfírio, desmembrado de Altamira e Porto de Moz; instalado em 1962. Posterior desmembramentos criaram Vitória do Xingu (1991) e Anapu (1995). O município destaca-se pela praia no Xingu.


AUTOR: GILVANDRO TORRES

ESTIRÃO DO RIO - AUTOR GILVANDRO TORRES

 

ESTIRÃO DE SAUDADE

Intocável pintura, rios que viram ruas em seus habitantes imaginários de um universo de pescador.

Sonhos ilustrados em redes de pesca e barcos encantados num rio sem ruas.

Nas ruas da cidade, contempla a fé.

O ribeirinho vence os inúmeros estirões de rio, que está em seu caminho navega para chegar ao seu destino.

Os sinos da igreja alertam, para novos tempos.

A esperança de caminha juntos num tom poético de libertação.

As plantações de açaí a beira do do rio, a mata da várzea com seus buritizeiros e a grandeza do rio, seu povo simples.

Acolhedor e amigo, as áreas alagadas pela água escura.

Os açaizeiros são fonte inesgotável de renda, manejado se transforma em um garimpo esperança.  

A pele reflete o esforço do tirador de açaí, a naturalidade e a destreza que o ribeirinho executa seu serviço retira o cacho do açaí com folhas do açaizeiro faz sua peçonha em cesta de cipó, garante a renda e alimentação das famílias.

Onde os rios possuem um papel fundamental na vida dos ribeirinhos, é através dos rios que são estabelecida das ligações entre localidades.

 

 GILVANDRO TORRES

O VELHO TRAPICHE- AUTOR GILVANDRO TORRES

 

 O VELHO TRAPICHE

Encantador és tu Marajó, a vida passa devagar, nesta correnteza, com seu tempo tão particular no olhar do barqueiro, cresce e vendo, seus portos imaginários atraca os barcos, com todos os sonhos no porão. 

Destas pequenas embarcações, calafetadas de zarcão, os trapiches de madeira, à beira do rio com olhar ribeirinho.

Atravessam nas noites de ventos, as redes balançando no convés e a proa desbravando essas águas inquietas do verão amazônico

Deste trapiche, somente a despedida, aqueles que viajam, por esse rio de saudade, tão natural quanto o tempo que passa e nunca para. 

No trapiche rios que se transformam em rua, um vai e vem de embarcações, cada imagem vira poesia, no cotidiano ribeirinho das ilhas.

As pessoas chegando bem cedinho e os barcos cruzando o rio tão vagaroso, sem pressa, as águas vão cortando sua frente e nem fazem maresias neste imenso rio de sonhos e esperança. 

Olhando este rio de saudade, vem uma lágrima em meu olhar, sem palavras, uma perda que não sei explicar, nem consigo falar, sua ausência tão grande.  

O barco vai atravessar as veias dos seus rios e igarapés, enfrentando os impiedosos invernos desta imensa Amazônia

Que me permite pensar na Intocável pintura, rios que viram ruas em seus habitantes imaginários de um universo de pescadores artesanais. Sonhos ilustrados em redes de pesca e barcos encantados num rio sem ruas.

Nas ruas da cidade, contempla-se ouro dos ribeirinho, os açaizais que vencem os inúmeros estirões de rio, que estão em seu caminho, navegando para chegar ao seu destino, onde mora a esperança de cada dia.

GILVANDRO TORRES


 


 

Evangelho (Jo 13,21-33.36-38)

 

Nesta Terçafeira da Semana Santa, Jesus está à mesa com os discípulos, celebrando uma refeição fraterna, um momento de comunhão. De repente, o clima muda: ele anuncia que um deles o trairá e que Pedro o negará três vezes.

A Ceia é, também, sinal da nossa comunidade de Gurupá, onde rezamos juntos, tomamos o mesmo pão, cantamos as mesmas músicas, mas, às vezes, traímos a confiança do próximo, seja por fofoca, por indiferença ou por falta de justiça.

A traição de Judas e as traições de hoje

Jesus diz: “Um de vós me entregará”. E é alguém que estava à mesma mesa, comendo do mesmo pão, da mesma comida. Judas, que cuidava do dinheiro do grupo, recebe o pedaço de pão, sai para trair o Senhor… e entra a noite.

Quantas vezes traímos Jesus no rosto do pobre, do ribeirinho, do trabalhador que não tem direitos?

Quantas vezes traímos a confiança de nossa comunidade por interesses pessoais, por favores políticos ou por comodidade?

Pergunta à assembleia:

“Em que situações, neste Pará, neste Gurupá, eu também me torno como Judas, favorecendo a injustiça e o malestar dos que mais sofrer?”.

A negação de Pedro e a nossa fraqueza humana

Pedro, impetuoso, diz: “Eu darei a minha vida por ti!”. Mas Jesus, sem humilhálo, responde com ternura realista: “O galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes”. Isso nos fala de presunção e humildade:

Muitas vezes, na missa, nos sentimos fortes, mas, depois, na vida diária, nos escondemos de nossa fé por medo de serem zombados, por medo de perder proveito, por medo de enfrentar a verdade.

Muitas pessoas negam Jesus ao ficarem caladas diante da destruição da natureza, da exploração do povo e da corrupção. “Assim como Pedro negou Jesus, também nós negamos Cristo quando não nos posicionamos em favor da vida, do povo e da terra.” Mesmo com a traição de Judas e a negação de Pedro, Jesus afirma: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele”. A glória aparece não no poder, mas na entrega; não na vitória fácil, mas na fidelidade até o fim. São cruzes de trabalho duro, de injustiças, de expropriação da terra, de filhos que vão embora buscando vida melhor.

Mas, mesmo nisso, Deus se glorifica onde há amor, serviço, cuidado com a família e com a comunidade.

Jesus não fica preso somente na traição e na negação: depois desse texto, ele anuncia o “novo mandamento”: “Amaivos uns aos outros, como eu vos amei”. Esse mandamento é o coração da nossa vida cristã aqui em Gurupá.

Peçamos a Deus a graça de reconhecer onde traímos e negamos Jesus em nossa família, na comunidade, na política local.

Decidamos, esta Semana Santa, viver o novo mandamento:

Defendendo a vida da Amazônia, não apenas com palavras, mas com ações concretas.

Acolhendo o pobre, o idoso, o sofrido, o que chega à nossa igreja com a dor no coração.

GILVANDRO TORRES