10/20/2025

CATEQUESE Lucas = o Evangelho da pobreza e da alegria A pobreza ou simplicidade de vida como quadro dentro do qual o espírito é livre de apegos e paixões era estimada desde o exílio dos judeus na Babilônia (Jeremias dá início à escola dos pobres, anawim, no séc. VI a. C.). Ora Jesus dá o exemplo e transmite os ensinamentos de tal pobreza: Lc 9,58 (não tem onde reclinar a cabeça); 2,7 (uma manjedoura); 2,24 (a oferta dos pobres); 2,8.12 (anunciado aos pastores). Ao proclamar as bem-aventuranças, Jesus em Lc se refere a situações de desconforto: pobreza material, fome material, pranto, perseguição (cf. 6,20-24); em Mt 5,1-13 as bem-aventuranças se referem primeiramente a atitudes interiores ou a qualidades éticas. Ora Jesus certamente acentuou a importância do quadro exterior pobre, indispensável para que a virtude possa florescer, e S. Lucas fez-se arauto deste aspecto das bem-aventuranças, ao passo que S. Mateus quis mostrar que o quadro exterior (a pobreza, a fome) nada vale se não é vivificado por virtudes (pobreza de coração, fome e sede de justiça). Em Lc 12,16-21; 16,1-9 e 16,19-31 são apresentadas três parábolas de “perspectiva sapiencial”: incutem a compreensão exata dos bens que esta vida oferece; só merecem a estima do cristão se são capazes de o levar à vida eterna. A posse de riquezas pode acarretar surpresa ou inversão de sortes para quem não as usa sabiamente, isto é, à luz da eternidade. Em Lc 8,1-3e 19,8s aparecem respectivamente as mulheres generosas e Zaqueu como tipos daqueles que sabem fazer bom uso de seus haveres. Ao mesmo tempo que recomendava o desapego, Lucas apregoou também, mais que nenhum evangelista, a alegria. Tenhamos em vista os cantos de Maria (1,46-55), Zacarias (1,68-79), Simeão (2,28-32), a mensagem dos anjos aos pastores (2,10s). Vejam-se ainda 10,20s; 13,17; 19,37. O livro se encerra referindo a alegria dos Apóstolos, que aguardavam o Espírito prometido (24,52s).

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