vós sois guardiões da memória ancestral, como os discípulos enviados
por Jesus a semear o Evangelho (Mc 16,15).
Com opas vermelhas e entoadas antigas, visitais casas
em alvoradas, levantais o mastro em procissões e cantais a Varrição para purificar as ruas,
perpetuando rituais de dezembro que unem fé e cultura desde os tempos da escravatura.
Essa
hierarquia – mantenedores, sargentos, mestres-salas – reflete a organização do Reino de Deus,
onde cada um tem seu lugar para servir o santo negro protetor dos humildes.
Fé em Ação Cotidiana
No Evangelho, Jesus ensina: "Quem ouve minhas palavras e as pratica é como o homem sábio que
constrói sobre a rocha" (Mt 7,24).
Assim, vós, foliões perpétuos como José Iram, dominais cantos e
toques de rabeca, transmitindo oralmente a história aos mirins, resistindo ao esquecimento em
cortejos, Dezembrada e derrubada do mastro.
Maquetes de promessas e proteção em chuvas
simbolizam milagres que renovam a aliança com São Benedito, enchendo Gurupá de bênçãos
abundantes.
Chamado Atual
Foliões de Gurupá, sede sentinelas da tradição: ensinai os jovens, saí às ruas com bandeiras
erguidas, fazei da festividade um eco de liberdade!
Que São Benedito vos fortaleça na irmandade,
para que vossa vocação preserve não só costumes, mas almas para o Senhor.
Os foliões de São Benedito em Gurupá preservam tradições centenárias por meio de rituais coletivos, transmissão oral e hierarquia interna, mantendo viva a herança quilombola do Marajó. Rituais Anuais
A festividade de 9 a 28 de dezembro inicia com alvoradas, onde foliões visitam casas cantando e tocando das 4h às 6h, seguido do enfeite e levantamento do mastro em procissão noturna. Inclui cortejos diários pelas comunidades, missas, leilões e derrubada do mastro no dia 27, com distribuição de lascas curativas da árvore.
O cântico de "Varrição" encerra, purificando ruas e renovando a fé coletiva. Transmissão Cultural Foliões perpétuos, como José Iram Muniz, dominam "entoadas antigas" – versos que narram a história desde a escravatura, passados por gerações via prática e dom para cantar, tocar rabeca e tambores. Vestem opas vermelhas simbolizando compromisso eterno, com crianças como anjos e foliões mirins aprendendo cedo.
Pesquisadores notam que esses cantos costuram eventos como uma "encantação", resistindo ao esquecimento cultural. Hierarquia e Identidade
A Irmandade segue estrutura militar católica: mantenedores (líderes com opa), sargentos, alferes, mestres-salas (com rapador) e tamboreiros, atuando como "guarda real" do santo. Reconhecimento como Patrimônio Cultural reforça a preservação, unindo fé, dança (retumbão, mazurca) e memória ancestral em atos de resistência identitária. Maquetes de promessas atendidas e proteção ao santo em chuvas simbolizam continuidade

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