4/23/2026

MASSACRE DE ELDORADO DO CARAJÁS- GILVANDRO TORRES

 O Massacre de Eldorado do Carajás é um dos episódios mais violentos e marcantes da história recente do Brasil, simbolizando o conflito agrário e a luta pela terra no país.

Aqui está um resumo detalhado do ocorrido:

1. O Contexto (Abril de 1996)

Cerca de 3.500 famílias de trabalhadores rurais sem-terra, ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), estavam acampadas na região sudeste do Pará. O objetivo principal era marchar até Belém para reivindicar a desapropriação da fazenda Macaxeira, que consideravam improdutiva, para fins de reforma agrária.

2. O Bloqueio na Curva do S

No dia 17 de abril de 1996, os manifestantes bloquearam a rodovia PA-150 (atual BR-155), em um trecho conhecido como "Curva do S", no município de Eldorado do Carajás. O bloqueio era uma forma de pressionar o governo estadual por comida e transporte para continuarem a marcha.

3. O Ataque

Por ordem do então governador do Pará, Almir Gabriel, a Polícia Militar foi enviada para desobstruir a rodovia. A operação envolveu cerca de 155 policiais militares de Marabá e Parauapebas.

O confronto resultou em uma tragédia:

  • Mortes: 19 sem-terra morreram no local e 2 faleceram pouco depois no hospital (totalizando 21 vítimas fatais).

  • Feridos: Mais de 60 pessoas ficaram feridas, muitas com sequelas permanentes.

  • Violência: Laudos posteriores indicaram que muitos foram mortos com tiros à queima-roupa ou por instrumentos cortantes (facões), sugerindo execuções sumárias após a rendição.

4. Consequências e Impunidade

O massacre gerou indignação internacional e colocou a reforma agrária no centro do debate político brasileiro.

  • Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária: Em memória às vítimas, o dia 17 de abril foi instituído como o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária no Brasil e o Dia Internacional da Luta Camponesa pela Via Campesina.

  • Julgamento: O processo judicial foi longo e complexo. Apenas em 2012, os comandantes da operação, o coronel Mário Colares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira, foram presos com penas que ultrapassavam os 150 anos. No entanto, os policiais que efetuaram os disparos e as autoridades políticas que ordenaram a ação não foram condenados ou cumpriram penas curtas.

5. O Local Hoje

A "Curva do S" tornou-se um local de memória. Ali foi erguido o Monumento das Castanheiras Mortas, composto por troncos de castanheiras queimadas, simbolizando as vidas interrompidas e a persistência da luta camponesa na Amazônia.



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