O Trapiche de Gurupá
Encantadora és tu, Gurupá,
onde a vida scorre devagar,
na correnteza dos rios Xingu e Amazonas.
Tempo particular no olhar do barqueiro,
que cresce vendo os portos atracarem barcos,
cheios de sonhos no porão.
Pequenas embarcações calafetadas de zarcão,
trapiches de madeira à beira-rio,
com olhar ribeirinho que atravessa noites ventosas.
Redes balançam no convés, proa desbrava
águas inquietas do verão amazônico.
Deste trapiche, só a despedida:
viajantes pelo rio de saudade,
tão natural quanto o tempo que passa, sem parar.
Rios viram ruas num vai e vem de barcos,
cada imagem, poesia no cotidiano das ilhas,
na revoada das águas.
Cedinho, pessoas chegam; barcos cruzam
o rio vagaroso, sem pressa.
Águas cortam a frente, sem maresia,
neste imenso fluxo de sonhos e esperança.
Olhando o rio de saudade, uma lágrima cai,
perda sem palavras, ausência imensa.
O barco atravessa veias de rios e igarapés,
enfrentando invernos impiedosos da Amazônia.
Penso na intocável pintura: rios que viram ruas,
habitantes imaginários de pescadores artesanais.
Sonhos em redes de pesca, barcos encantados
num rio sem ruas.
Nas ruas de Gurupá, ouro ribeirinho:
açaizais vencem estirões da Ilha Grande,
navegando ao destino da esperança diária.
Intocável pintura de pescadores sonhadores.
Contempla a fé em São Benedito de Gurupá.
Ribeirinho vence os estirões, navega ao lar.
Plantios de açaí à beira-rio, várzea com buritizeiros,
grandeza do rio e povo simples, acolhedor.
Áreas alagadas pela água escura, açaizeiros inesgotáveis —
fonte de renda, manejados como garimpo de esperança.
Na pele, o esforço do tirador de açaí;
naturalidade e destreza no corte do cacho,
com folhas no açaizeiro, peçonha em cesta de cipó.
Garante renda e sustento às famílias.
Rios fundamentais: ligam localidades,
tecem a vida ribeirinha.
Encantadora és tu, minha Gurupá!
AUTOR: GILVANDRO TORRES/2026
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