4/15/2026

O TRAPICHE DE GURUPÁ- GILVANDRO TORRES

 O Trapiche de Gurupá


Encantadora és tu, Gurupá,

onde a vida scorre devagar,

na correnteza dos rios Xingu e Amazonas.

Tempo particular no olhar do barqueiro,

que cresce vendo os portos atracarem barcos,

cheios de sonhos no porão.


Pequenas embarcações calafetadas de zarcão,

trapiches de madeira à beira-rio,

com olhar ribeirinho que atravessa noites ventosas.

Redes balançam no convés, proa desbrava

águas inquietas do verão amazônico.


Deste trapiche, só a despedida:

viajantes pelo rio de saudade,

tão natural quanto o tempo que passa, sem parar.

Rios viram ruas num vai e vem de barcos,

cada imagem, poesia no cotidiano das ilhas,

na revoada das águas.


Cedinho, pessoas chegam; barcos cruzam

o rio vagaroso, sem pressa.

Águas cortam a frente, sem maresia,

neste imenso fluxo de sonhos e esperança.

Olhando o rio de saudade, uma lágrima cai,

perda sem palavras, ausência imensa.


O barco atravessa veias de rios e igarapés,

enfrentando invernos impiedosos da Amazônia.

Penso na intocável pintura: rios que viram ruas,

habitantes imaginários de pescadores artesanais.

Sonhos em redes de pesca, barcos encantados

num rio sem ruas.


Nas ruas de Gurupá, ouro ribeirinho:

açaizais vencem estirões da Ilha Grande,

navegando ao destino da esperança diária.

Intocável pintura de pescadores sonhadores.

Contempla a fé em São Benedito de Gurupá.


Ribeirinho vence os estirões, navega ao lar.

Plantios de açaí à beira-rio, várzea com buritizeiros,

grandeza do rio e povo simples, acolhedor.

Áreas alagadas pela água escura, açaizeiros inesgotáveis —

fonte de renda, manejados como garimpo de esperança.


Na pele, o esforço do tirador de açaí;

naturalidade e destreza no corte do cacho,

com folhas no açaizeiro, peçonha em cesta de cipó.

Garante renda e sustento às famílias.


Rios fundamentais: ligam localidades,

tecem a vida ribeirinha.

Encantadora és tu, minha Gurupá!

AUTOR: GILVANDRO TORRES/2026

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