A Cabanagem — a revolução que matou o presidente da província, assumiu o poder e dizimou 40% da população amazônica.
Entre 1835 e 1840, na província do Grão-Pará, eclodiu a
Cabanagem, também chamada de Guerra dos Cabanos.
Foi uma revolta popular liderada por indígenas, mestiços,
negros e pobres ribeirinhos chamados 'cabanos' porque moravam em cabanas.
Essa foi a única revolta brasileira em que os revoltosos
assumiram o poder político da província e governaram por anos.
Após a Independência do Brasil em 1822, o Grão-Pará foi
abandonado pelo governo imperial. A população vivia em condições semelhantes à
escravidão, explorada pela extração de borracha e castanhas.
Mas não foi só a pobreza. Parte da elite local também se
revoltou contra o autoritarismo do governo regencial no Rio. Essa aliança entre
elite e povo foi o que fez a revolta explodir.
Na madrugada de 6 de janeiro de 1835, os cabanos invadiram
Belém e assassinaram o presidente da província, Bernardo Lobo de Souza, junto
com o vice-presidente e comandantes militares.
Os corpos foram arrastados pelas ruas. A revolta havia
começado de forma violenta.
Os cabanos assumiram o poder! Três presidentes cabanos
governaram a província: Félix Malcher, Francisco Vinagre e Eduardo Angelim —
este último chegou a criar um governo republicano independente.
Imagine: um governo de pobres, indígenas e mestiços no
poder, enquanto o Império do Brasil era governado por elites brancas do
Sudeste.
O governo imperial respondeu com força. Em 1836, o regente
Diogo Feijó enviou mais de 3.000 soldados e mercenários estrangeiros.
Belém foi bombardeada.
O resultado foi devastador: 30.000 a 40.000 pessoas morreram
— cerca de 40% da população do Grão-Pará.
Eduardo Angelim foi capturado e enviado ao Rio de Janeiro. A
anistia só veio em 1840, com a ascensão de Dom Pedro II ao trono.
A Cabanagem é considerada a maior revolta popular da
história do Brasil. Representou a luta das 'classes ínfimas' por igualdade e
justiça social na Amazônia.
GILVANDRO TORRES

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