Sou uma cria do bairro do Telégrafo, nas ruas do bairro a gente jogava bola, andava nas palafitas da vila da barca, fugíamos da escola para jogar fliperama, aos 14 anos já tinha hábitos etílicos que me chamava atenção a vida noturna de Belém, bares e danceteria foi uma adolescência intensa mais só amadureci com o tempo, hoje meu objetivo e reconquistar tudo que perdi! Conheço naquele povo a beleza exótica de uma cultura unindo o passado com o presente, minha origem jamais neguei e às vezes fico com os olhos cheios de lágrimas, toda vez que lembro desse tempo que passei lá, toda vez que vejo o mar vem em minha lembrança as embarcações, casas de madeiras sobre palafitas, paisagens naturais e relembro com emoção tudo que vivi, logo eu que sempre fui urbano e de repente me vi na zona rural, cercado por uma beleza incomensurável, com pessoas e estilos de vida completamente diferente do meu, foi um tempo de aprendizagem. Em um exílio de 45 meses na ilha grande de Gurupá no rio Mararú. Quando descobrimos que podemos ir além de nossos limites, também ousamos enfrentar nossos próprios medos. Passei por diversas reflexões pilotando um velho barco, em viagens cansativas em dias e noites, meu destino estava traçado. No rio Mararú percebi que os rios e igarapés são as estradas naturais da floresta é de enorme importância na vida dos ribeirinhos, dos rios as pessoas tiram seu sustento e junto aos rios encontra-se as terras férteis da várzea e nas cheias é inundada. Isso fazia parte da vida dos ribeirinhos e além de fertilizar a terra, Possibilita a retirada de madeira em lugares de difícil acesso, no meio da mata, estava remando em uma canoa no igarapé admirado com tamanha exuberância da floresta baixa e diversificada e me deparei com santuários intactos da natureza e sobre a sombra da grande árvore rainha da várzea "Samauma".
DIÁRIO PESSOAL-1998/ GILVANDRO TORRES

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