12/12/2025

 O Ciclo da Borracha marcou profundamente a história econômica de Gurupá, no Pará, durante o final do século XIX e início do XX. Gurupá, localizado na região de ilhas do nordeste paraense, foi influenciada pela exploração da borracha nativa, que impulsionou a colonização e gerou renda para a população local, embora sob condições exploratórias. 

Essa atividade extrativista moldou a estrutura produtiva do município, com resquícios até hoje na economia rural.

A economia da borracha na Amazônia, incluindo Gurupá, floresceu entre 1879 e 1912, com o látex da seringueira sendo o principal produto de exportação, superando até o café em volume. 

Em Gurupá, a conjuntura foi marcada pela exploração intensa, levando a lutas de trabalhadores rurais e posterior decadência após a concorrência asiática. O sistema de aviamento predominava, com aviadores controlando preços e suprimentos, endividando seringueiros nordestinos e indígenas.

A borracha influenciou a sobrevivência ribeirinha em Gurupá, integrando-se a outras atividades como extrativismo de açaí e castanha, mas gerou declínio econômico local após o fim do ciclo. Hoje, iniciativas sustentáveis resgatam a extração de borracha com apoio técnico, diversificando renda sem degradar a floresta. 

A zona rural de Gurupá ainda reflete essa herança, com transição para pecuária e agricultura de subsistência.

O comércio de grãos, frutas e sementes em Gurupá, no Pará, integra a economia ribeirinha tradicional da região do Marajó e Xingu, com ênfase em produtos como arroz, açaí Historicamente ligado ao extrativismo e agricultura familiar, esse comércio enfrenta desafios como conflitos territoriais com fazendeiros e expansão da rizicultura em larga escala.

Grãos como arroz dominam o comércio, impulsionados por projetos coloniais do século XVIII via Companhia Geral do Grão-Pará, que visavam transformar a região em produtor de exportação.

Frutas como açaí e sementes de castanha complementam, com beneficiamento local em comunidades quilombolas para gerar renda sustentável. O transporte fluvial sustenta o escoamento para Belém e mercados regionais.

Iniciativas de apoio técnico buscam diversificar a produção de frutas e sementes, preservando a floresta e promovendo equidade. 

A zona rural de Gurupá reflete essa transição, com potencial para agroecologia.

Os principais produtos agrícolas comercializados em Gurupá, no Pará, incluem mandioca, açaí, arroz, banana e pupunha, com destaque para o extrativismo vegetal e a agricultura familiar em áreas de várzea. Esses itens sustentam a economia ribeirinha, com escoamento fluvial para Belém e mercados locais, integrando-se a iniciativas quilombolas agroecológicas.

A mandioca lidera a produção temporária, usada para farinha e subsistência, contribuindo significativamente para o PIB regional. O arroz ganhou destaque recente, com expansão para milhares de hectares, apesar de conflitos territoriais.

Na lavoura permanente, mamão, laranja, banana, cacau e pimenta são colhidos em volumes expressivos. O açaí, pupunha e castanha-do-pará dominam o extrativismo, com produção anual superior a 800 mil latas de açaí para exportação regional.

Os modos de vida dos ribeirinhos de Gurupá, no Pará, centram-se na integração harmoniosa com o rio e a floresta, combinando pesca artesanal, extrativismo vegetal e agricultura de roça em várzeas. 

Essa população ribeirinha, incluindo quilombolas e agricultores familiares, depende do transporte fluvial para sobrevivência diária e comércio local.

Pesca de peixes e camarões em manejo comunitário sustenta a dieta e renda, com desafios crescentes pela rizicultura intensiva.

Extrativismo de açaí, castanha e palmito, aliado à coleta de frutas silvestres, forma a base econômica tradicional.

Roças de mandioca, arroz e bananas em áreas inundáveis complementam a subsistência, com criação de pequenos animais.

A expansão de monoculturas como arroz irrigado ameaça os recursos hídricos e pesqueiros, gerando conflitos territoriais e perda de biodiversidade. Iniciativas agroecológicas em comunidades quilombolas promovem diversificação sustentável, preservando modos de vida ancestrais. 

A mobilidade ribeirinha, via canoa ou rabeta, reforça laços comunitários e culturais.

A pesca artesanal influencia diretamente a segurança alimentar local em Gurupá ao fornecer proteínas acessíveis e diversificadas, complementando a dieta ribeirinha baseada em mandioca e frutas. 

Essa atividade sustenta famílias quilombolas e ribeirinhas, garantindo consumo diário de peixes e camarões capturados de forma sustentável nos rios Xingu e Amazonas.

Peixes frescos representam até 80% da proteína animal consumida, reduzindo dependência de carnes industrializadas e promovendo saúde em comunidades vulneráveis. 

O manejo comunitário minimiza desperdícios, com sobras usadas em farinhas, fortalecendo a resiliência alimentar frente a secas ou inundações.

A renda da venda de pescado no mercado local financia roças e extrativismo, mas enfrenta ameaças da rizicultura que polui águas e reduz estoques pesqueiros. Iniciativas agroecológicas integram pesca à produção de açaí e arroz, elevando a autossuficiência alimentar em Gurupá.

Os colonos imigrantes nas terras do Mariocay, próximo a Gurupá no Pará, representaram fluxos migratórios europeus e africanos durante o período colonial, integrando-se à exploração de recursos amazônicos como drogas do sertão e borracha. 

Esses colonos, incluindo portugueses e holandeses que ergueram fortes como o de Mariocay em 1623, estabeleceram bases para agricultura, pecuária e comércio fluvial.

Portugueses fundaram o Forte Santo Antônio de Gurupá em 1627, sucedendo o holandês de Mariocay, para controlar navegação e promover miscigenação com indígenas. 

Africanos escravizados, trazidos via tráfico transatlântico, trabalharam em fazendas de gado e roças, formando comunidades como o quilombo Jocojó no final do século XIX. Judeus marroquinos chegaram no fim do XIX, atuando no comércio de terras durante o ciclo da borracha.

Esses imigrantes moldaram a diversidade sociocultural do Marajó oriental, com redes de solidariedade entre quilombolas, fazendeiros e comerciantes. 

A transição para agricultura familiar e extrativismo reflete essa herança, apesar de conflitos por terras. Hoje, o rochedo de Mariocay simboliza resistência indígena e colonial.

A cultura da madeira em Gurupá, no arquipélago do Marajó (Pará), reflete uma herança histórica de exploração florestal que moldou a economia local, mas enfrenta transição para atividades sustentáveis. Historicamente ligada à colonização e à extração ilegal, essa cultura influenciou renda e emprego, embora com impactos ambientais negativos.

A exploração madeireira em Gurupá remonta à colonização, sustentando comunidades ribeirinhas e quilombolas por meio de corte e transporte de madeira bruta. 

Essa atividade gerava renda via comércio com regatões, mas promovia dependência econômica e degradação florestal. Comunidades como Santa Luzia do Rio Moju dependiam dela até iniciativas recentes de substituição.

Produtores locais, como os irmãos Onésimo e Onelson de Jesus, abandonaram a extração ilegal de madeira pela piscicultura, lucrando até R$ 6 mil semanais no auge (janeiro-abril), com apoio da Emater-PA e Pronaf. 

Essa mudança preserva florestas, aumenta produtividade (peixes de 2,5 kg) e complementa renda com açaí e frutas. Projetos pilotos inspiram famílias, reduzindo pressão sobre recursos madeireiros.

Embora a madeira ainda influencie indiretamente via mercado regional, sua cultura declina em favor de agricultura familiar e pesca, diversificando a economia municipal rica em recursos insulares. Isso fortalece segurança alimentar e acesso a crédito, mas exige monitoramento ambiental. 

A transição destaca o potencial de Gurupá para modelos sustentáveis no Marajó.


Os principais produtos madeireiros de Gurupá, no Pará, incluem madeiras brancas extraídas historicamente por comunidades ribeirinhas e quilombolas. Essas atividades sustentaram a economia local por décadas, embora em declínio devido a transições sustentáveis.

Espécies Principais

Virola: Madeira branca comum, usada em construção e extraída ilegalmente em áreas de várzea.

Pau-mulato: Valorizada por sua durabilidade, explorada em florestas próximas ao rio Gurupá.

Sumaúma: Espécie de grande porte, cortada para toras e comércio regional.


PESQUISA: GILVANDRO TORRES








 Os indígenas foram os primeiros habitantes da região de Gurupá, no Pará, antes da chegada de europeus. 

A área de Gurupá, localizada na margem direita do rio Amazonas, próximo à foz do Xingu, era primitivamente ocupada por povos indígenas, com registros arqueológicos indicando presença há milhares de anos. 

O nome "Gurupá" tem origem indígena e significa "porto de canoas", refletindo a importância fluvial. 

Entre os grupos mencionados, destaca-se a nação tupinambá, cuja aldeia serviu de base para as primeiras estruturas coloniais portuguesas em 1623. 

Esses povos viviam da pesca, agricultura como mandioca e milho, e caça, adaptados ao ecossistema amazônico.

Holandeses e ingleses chegaram no final do século XVI, estabelecendo feitorias para extração de recursos, mas foram expulsos pelos portugueses, que fundaram o Forte de Santo Antônio de Gurupá na antiga aldeia indígena. 

Essa transição marcou o fim da predominância indígena exclusiva na região.

Os indígenas foram os primeiros habitantes de Gurupá, com etnias específicas como os Tupinambá e os Mariocay ocupando a região antes da colonização europeia.

Os Tupinambá formavam uma nação proeminente, cuja aldeia serviu de base para as primeiras estruturas portuguesas em 1623, destacando-se pela adaptação ao ambiente fluvial do Amazonas e Xingu. 

Os Mariocay, também chamados Mariocaí pelos holandeses, habitavam o local exato da atual cidade de Gurupá, conforme relatos históricos.

Esses povos viviam em aldeias ao longo do rio, praticando pesca, agricultura de mandioca e caça, com o nome "Gurupá" derivado de sua língua, significando "porto de canoas". 

A chegada de holandeses no século XVII alterou o cenário, mas resquícios arqueológicos em sítios como Gurupá Mirim confirmam a presença pré-colonial diversificada.

Evidências arqueológicas confirmam a presença indígena milenar em Gurupá, no Pará, com sítios revelando ocupações pré-coloniais intensas.

Mais de 50 sítios arqueológicos foram identificados na região, incluindo Jacupi, Carrazedo, Gurupá Mirim, Forte de Santo Antônio e Maria Ribeira, com escavações do projeto OCA (Origens, Cultura e Ambiente) do Museu Goeldi desde 2014.

Esses locais contêm cerâmicas com traços estilísticos indicando contatos culturais norte-sul, das Guianas ao Xingu, além de carvões e solos datados de milhares de anos.

Cerâmicas pré-coloniais mostram interações com povos do norte da América do Sul, enquanto terras pretas antropogênicas evidenciam manejo sustentável do solo por indígenas há séculos. 

Vestígios abrangem períodos pré e pós-europeus, com achados analisados no Museu Goeldi confirmando economia baseada em recursos locais.

Solos Antropogênicos

Terras pretas arqueológicas, solos férteis escuros criados por ação humana há séculos ou milênios, indicam áreas de assentamento intensivo com manejo agrícola e descarte orgânico, comuns em sítios grandes da região.

Artefatos Associados

Cerâmicas pré-coloniais, carvões de fogueiras e amostras de solo de diversas épocas foram escavados, sugerindo vilas ou aldeias com atividades diárias como cozimento e habitação ao longo do rio.

 Portugueses colonizaram Gurupá a partir de 1623, expulsando holandeses e ingleses para estabelecer domínio na foz do Xingu.

Bento Maciel Parente destruiu o forte holandês em Mariocaí, erguendo o Forte de Santo Antônio de Gurupá na antiga aldeia tupinambá, guarnecido por soldados e indígenas sob Jerônimo de Albuquerque

Expedições dali, entre 1623-1647, varreram invasores estrangeiros da região amazônica. 

Pedro Teixeira reforçou ataques em 1625, destruindo fortalezas holandesas e inglesas na foz do Xingu. No século XVIII, sob o Marquês de Pombal, Francisco Xavier de Mendonça Furtado implementou políticas imperiais, criando companhias de comércio e fortalecendo o controle português contra jesuítas e rivais europeus.

Portugueses organizaram o Forte de Santo Antônio de Gurupá em 1623 como base militar estratégica na confluência do Amazonas e Xingu, substituindo o forte holandês de Mariocai destruído por Bento Maciel Parente.

Bento Maciel Parente, capitão-mor do Pará, ergueu a fortificação na antiga aldeia tupinambá, guarnecido por soldados portugueses e indígenas aliados sob comando de Jerônimo de Albuquerque, para defender a região de invasões holandesas e inglesas. 

Pedro Teixeira reforçou a estrutura em operações subsequentes, usando-a como ponto de partida para expedições que expulsaram estrangeiros até 1647.

Abandonado após ataques constantes, o forte foi reconstruído em 1690 por ordem de Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, ganhando novo impulso no século XVIII com ampliações pelos engenheiros Gerhard Pressler sob políticas do Marquês de Pombal.

 A vila cresceu ao seu redor, fundada oficialmente em 1639 por João Pereira Cáceres, servindo como sentinela comercial e militar.

Portugueses contribuíram para Gurupá ao estabelecer controle territorial na Amazônia, expulsando rivais europeus e fundando estruturas que deram origem à cidade.

Bento Maciel Parente destruiu o forte holandês em 1623, construindo o Forte de Santo Antônio na aldeia tupinambá, base para expedições que varreram holandeses e ingleses até 1647, consolidando a soberania portuguesa na foz do Xingu. 

No século XVIII, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, sob Marquês de Pombal, reforçou defesas e companhias comerciais pós-Tratado de Madrid.

A vila surgiu ao redor do forte, fundada em 1639 por João Pereira Cáceres, evoluindo para centro comercial de drogas do sertão como cacau e salsaparrilha, com reconstruções em 1690 ampliando influência luso-brasileira.

Essas ações integraram Gurupá ao império português, promovendo povoamento e trocas econômicas.

A construção do Forte de Santo Antônio em Gurupá em 1623 marcou o domínio português na região amazônica, substituindo estruturas holandesas e impulsionando o povoamento local.

O forte serviu como base para expedições que expulsaram holandeses e ingleses da foz do Xingu até 1647, consolidando a soberania luso-brasileira e controlando navegação fluvial contra contrabando de drogas do sertão. Sua presença estimulou a fundação da vila em 1639 por João Pereira Cáceres, atraindo colonos e comércio de cacau e salsaparrilha.

Reconstruções em 1690, 1760 e 1774 promoveram engenharia militar, mas o abandono recorrente devido a erosão e topografia amazônica limitou sua eficácia estratégica, evoluindo para ponto de controle aduaneiro no século XIX. 

Tombado em 1963 pelo IPHAN, hoje representa patrimônio histórico, com escavações recentes revelando camadas culturais mistas

Africanos escravizados chegaram a Gurupá durante a colonização portuguesa, trabalhando em atividades extrativistas e agrícolas, o que levou à formação de comunidades quilombolas remanescentes na região. 

Quilombos como Jocojó e Rio Ipixuna surgiram no final do século XIX e início do XX, com fugas de escravizados de fazendas locais, como Gurupá Mirim, buscando refúgio em matas e rios próximos, formando redes de solidariedade com comerciantes para sobrevivência pós-abolição. 

Essas comunidades mantiveram práticas como roça de mandioca, pesca e farinha, trocando produtos por bens essenciais apesar de dívidas impostas.

Hoje, quilombolas de Gurupá enfrentam desafios de regularização fundiária pelo INCRA, conflitos com agronegócio de arroz que polui rios e afeta pesca, preservando identidade afro-amazônica através de saberes tradicionais e resistência cultural. 

A memória oral destaca resiliência contra escravidão por dívida e degradação ambiental, contribuindo para a diversidade do Marajó.

Fontes orais dos moradores do Quilombo Jocojó descrevem a fuga como originada no final do século XIX, quando um grupo de negros escravizados de Gurupá Mirim aproveitou a viagem do patrão para fugir coletivamente rumo às matas.

Esses relatos, coletados em estudos etnográficos, enfatizam a sapiência dos fugitivos que, antes da escapada, negociaram proteção com um fazendeiro de Munituba, trocando produção agroextrativista por abrigo, formando redes de solidariedade com comerciantes locais. 

A memória oral destaca o deslocamento como ato de ruptura com a escravidão por dívida pós-abolição, preservada por gerações em Jocojó.

O antropólogo Charles Wagley, em meados do século XX, registrou essas histórias ao descrever quilombolas como roceiros autônomos em relações econômicas intensas com Gurupá, validando as narrativas como base para a formação do território. 

Tais fontes orais contrastam com documentos textuais, revelando estratégias de resistência afro-amazônicas.

Portugueses construíram o Forte de Santo Antônio de Gurupá em 1623 sobre os escombros de um forte holandês chamado Mariocai ou Tucujus, na margem direita do rio Amazonas, próximo à foz do Xingu. 

Bento Maciel Parente, capitão-mor do Pará, liderou a conquista em maio de 1623, junto a Luís Aranha de Vasconcelos e outros, destruindo a posição holandesa na aldeia indígena Mariocay e erguendo a fortificação em taipa de pilão, guarnecido por soldados portugueses e indígenas aliados sob Jerônimo de Albuquerque. 

O forte serviu como base estratégica para expedições que expulsaram holandeses e ingleses da região entre 1623 e 1647.

A obra inicial foi simples, adaptada ao terreno amazônico, com foco em defesa fluvial contra invasores europeus interessados em produtos como drogas do sertão, marcando o início da colonização portuguesa na área e dando origem à vila circundante. 

Ataques subsequentes em 1629, 1639 e 1647 danificaram a estrutura, levando a abandonos até reconstruções no século XVII.

Documentos oficiais do século XVII, como relatórios da Capitania do Pará e correspondências reais, descrevem a construção do Forte de Santo Antônio de Gurupá em 1623.

Bento Maciel Parente, capitão-mor do Pará, registrou em ofícios à Coroa a destruição do forte holandês Mariocai em maio de 1623 e a imediata edificação do novo forte na aldeia Mariocay, com auxílio de indígenas Tupinambá e sob comando de Jerônimo de Albuquerque. Esses documentos destacam a guarnição inicial com soldados e aliados nativos para defesa fluvial.

Cartas de Luís Aranha de Vasconcelos e crônicas do Arquivo Nacional português narram a operação conjunta, enfatizando a taipa de pilão e o papel estratégico contra invasores estrangeiros na foz do Xingu. 

Esses textos oficiais servem como base primária para historiadores, confirmando o evento como marco da reconquista portuguesa na Amazônia.

Os principais relatos provêm de ofícios e cartas da Capitania do Pará enviados à Coroa portuguesa, como os de Bento Maciel Parente, que narram a destruição do forte holandês Mariocai em maio de 1623 e a imediata edificação do novo forte em taipa sobre a aldeia Mariocay. 

Esses documentos, arquivados no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro e na Torre do Tombo (Lisboa), destacam a guarnição com soldados e indígenas sob Jerônimo de Albuquerque.

Crônicas coloniais posteriores, como as de Luís Aranha de Vasconcelos, e compilações históricas do Arquivo Nacional resumem esses eventos como operação militar expedicionária, sem plantas ou especificações técnicas detalhadas do ano exato. Historiadores baseiam-se nesses para reconstruir o contexto estratégico na foz do Xingu.

A vila de Gurupá fortaleceu-se entre 1623 e 1639 como povoado militar ao redor do Forte de Santo Antônio, impulsionada por expedições portuguesas contra holandeses e ingleses.

Após a construção do forte por Bento Maciel Parente em 1623, Pedro Teixeira usou o local como base para ataques em 1625 e 1629, destruindo fortalezas inimigas na foz do Xingu e consolidando o controle português, atraindo guarnições e aliados indígenas. Interceptações de navios holandeses em 1639 reforçaram a posição estratégica, elevando o povoado a freguesia de Santo Antônio de Gurupá.

Em 1639, João Pereira Cáceres fundou oficialmente a vila, marcando a transição de posto avançado para núcleo civil, com crescimento ligado ao comércio de drogas do sertão como cacau e salsaparrilha. 

Essa elevação integrou Gurupá à administração colonial do Pará.

Fontes primárias detalhando a fortificação do Forte de Santo Antônio de Gurupá antes de 1639 são escassas e limitam-se a relatos militares da Capitania do Pará.

Relatos de Luís Aranha de Vasconcelos e Pedro Teixeira, de 1625-1629, mencionam reforços e uso do forte como base contra invasores, registrando danos por ataques holandeses em 1629. 



 

O PESCADOR- DESENHO GILVANDRO TORRES-2004

 


 A missão capuchinha em Gurupá ocorreu em 1692, quando os Frades Capuchinhos da Piedade de

São José assumiram a responsabilidade pastoral da matriz de Santo Antônio

Detalhes da Chegada

Essa data marca a transição após os jesuítas abandonarem a região devido a conflitos com

colonos sobre mão de obra indígena no século XVII. Os capuchinhos ergueram uma igreja matriz

canônica e estabeleceram uma presença missionária estável na segunda paróquia do Pará. 

Contexto na Amazônia

A missão reflete a expansão franciscana na região amazônica colonial, com foco em evangelização

e organização paroquial em Gurupá, no Xingu paraense, integrando-se à história local de fortes e

resistências indígenas.

HISTÓRIA DE GURUPÁ com GILVANDRO TORRES

 O ESTADO DO PARÁ E A SITUAÇÃO DO TERRITÓRIO DE GURUPÁ NOS PRIMEIROS TEMPOS DA REPÚBLICA


No início da República Brasileira, em 1889, o Pará transitou de província imperial para estado federativo, enfrentando desafios de integração do interior à autoridade central em meio ao coronelismo e disputas oligárquicas. Gurupá, já elevada a cidade em 1885 pela Lei Provincial nº 1209, mantinha sua condição administrativa como sede de distrito no nordeste paraense, na zona do Marajó e ilhas, sem alterações territoriais imediatas. 

A região, historicamente marcada por disputas coloniais e o Forte de Santo Antônio (fundado em 1623), permaneceu integrada ao estado do Pará, com economia baseada em agricultura, pecuária e extração. 

Oligarquias como a família Chermont dominaram a política paraense nos primeiros anos republicanos, com corrupção eleitoral e "bico de pena" em pleitos locais. Gurupá, influenciada pelo coronelismo regional, não registrou mudanças significativas em sua governança imediata, mas inseria-se nas tensões entre facções como lemistas e lauristas. 

A estabilidade administrativa persistiu até divisões maiores no século XX, como a criação do Território do Amapá em 1943. Gurupá abrangia territórios que incluíam futuramente Carrazedo e Itatupã, com limites na confluência dos rios Amazonas e Xingu

Não houve desmembramentos no período inicial da República (1889-1900), diferentemente de divisões anteriores como a separação do Amazonas em 1850. 

A área permaneceu sob jurisdição estadual, com foco em defesa fluvial e povoamento. 

Durante a Primeira República (1889-1930), Gurupá experimentou poucas mudanças administrativas diretas, mantendo-se como município no estado do Pará após sua elevação a cidade em 1885. A principal alteração ocorreu em 1930, com o decreto estadual nº 6 de 4 de novembro, que incorporou o extinto município de Porto de Moz ao território de Gurupá. 

Em 1911, o município consistia apenas no distrito sede de Gurupá. Pela divisão de 1933, formava-se por dois distritos: Gurupá e Porto de Moz, refletindo a integração recente. Até o fim do período, não houve desmembramentos significativos, diferentemente de expansões posteriores nos anos 1930-1940. 

O Pará, como estado federativo, viu disputas oligárquicas e coronelismo influenciarem a administração local, mas Gurupá permaneceu estável territorialmente na bacia do Xingu-Amazona. Mudanças maiores, como a criação do Território do Amapá em 1943, ocorreram após a Primeira República. 

O Decreto Estadual nº 6, de 4 de novembro de 1930, do Pará, extinguiu o município de Porto de Moz e incorporou seu território ao município de Gurupá, ampliando assim sua área administrativa na região do Xingu. Esse ato ocorreu logo após a Revolução de 1930, em meio às reestruturações políticas sob o Governo Provisório de Getúlio Vargas, que dissolveu legislaturas e nomeou interventores. Embora o artigo 2º do decreto não mencione explicitamente Gurupá, registros do IBGE confirmam a adição do território de Porto de Moz, que já havia sido criado e extinto anteriormente. Posteriormente, o Decreto nº 72, de 27 de dezembro de 1930, listou Gurupá na relação de municípios com essa nova configuração. 

Essa mudança manteve Gurupá com dois distritos (Gurupá e Porto de Moz) até 1933, pavimentando expansões como a anexação de Carrazedo em 1938. A medida refletiu o centralismo provisório da era varguista no Pará. 

Joaquim de Magalhães Cardoso Barata, interventor federal nomeado pelo Governo Provisório de Getúlio Vargas após a Revolução de 1930, assinou e publicou o Decreto Estadual nº 6, de 4 de novembro de 1930, no Pará. Ele assumiu o poder estadual em novembro de 1930, substituindo as estruturas oligárquicas anteriores em meio às reestruturações varguistas. Magalhães Barata, major e figura central no movimento revolucionário paraense, exerceu a interventoria de 1930 a 1935, centralizando poderes executivo e legislativo locais conforme o Decreto Federal nº 19.398. O decreto sobre Gurupá e Porto de Moz integrou-se a essa fase de intervenções, dissolvendo legislaturas e reorganizando municípios. Barata promoveu reformas como a criação de secretarias estaduais (Decreto nº 15/1930) e atuou até sua eleição como governador em 1935. Seu mandato consolidou o controle provisório no Pará, afetando diretamente divisões territoriais como a de Gurupá.

 Gurupá manteve estabilidade administrativa na Primeira República (1889-1930), como município criado em 1885 pela Lei Provincial nº 1209. Sua economia baseava-se em agricultura, pecuária e extração na confluência dos rios Amazonas e Xingu, com influência do Forte de Santo Antônio fundado em 1623. 

Em 1930, o Decreto Estadual nº 6, de 4 de novembro, assinado pelo interventor Magalhães Barata, extinguiu Porto de Moz e incorporou seu território a Gurupá, formando dois distritos em 1933. Em 1938, o Decreto-Lei nº 3131 recriou o distrito de Carrazedo, ampliando a jurisdição.Inserida no coronelismo paraense, Gurupá integrou disputas oligárquicas como lemistas e lauristas, sem grandes desmembramentos até 1943, quando ganhou Itatupã do Amapá. A região permaneceu vital para defesa fluvial e povoamento da região.

Gurupá, no Pará, experimentou sobressaltos durante a Cabanagem (1835-1840), uma revolta popular na província do Grão-Pará motivada por pobreza extrema, fome, disputas políticas e descontentamento com o governo regencial. 

Os cabanos, compostos por camponeses, indígenas, negros e pobres ribeirinhos, tomaram Belém e se espalharam pela região amazônica, chegando a Gurupá entre 1835 e 1839.

Durante esses anos, Gurupá alternou entre domínio cabano e lealdade às forças legalistas, com moradores armados defendendo bens e tranquilidade local. Os cabanos impuseram tropelias semelhantes às observadas em outras áreas, interrompendo a quietude habitual da vila. A revolta gerou destruição ampla, mortes estimadas em 30 mil (30-40% da população paraense) e escassez de produção agrícola, afetando vilas como Gurupá indiretamente via instabilidade econômica e demográfica. Esses eventos moldaram a formação social de Gurupá, reforçando sua identidade ribeirinha em meio a conflitos que influenciaram etnias e migrações na Amazônia. 

Após a Cabanagem (1835-1840), Gurupá, no Pará, enfrentou profundas transformações sociais decorrentes da devastação regional, com perda de 30-40% da população paraense por fome, violência e doenças. A revolta, que envolveu cabanos locais em conflitos intermitentes, intensificou a miscigenação entre indígenas, negros, mestiços e ribeirinhos, fortalecendo comunidades autônomas e identidades caboclas. 

A despovoação afetou Gurupá diretamente, com migrações forçadas e formação de mocambos por fugitivos cabanos, alterando a estrutura familiar e o protagonismo de grupos marginalizados como indígenas Mawé e Mura. Moradores locais oscilaram entre apoio a cabanos e legalistas, gerando desconfiança social e reorganização de lideranças comunitárias.

A escassez agrícola pós-revolta forçou dependência de suprimentos externos, enfraquecendo ranchos tradicionais e impulsionando extrativismo inicial, como borracha, o que mudou hierarquias sociais ao valorizar mão de obra ribeirinha. 

Terras indígenas foram invadidas, acelerando aculturação e conflitos étnicos, mas também solidariedade em vilas isoladas como Gurupá.

 Cabanagem (1835-1840) provocou uma drástica redução populacional em Gurupá e na região do Grão-Pará, com estimativas de 30-40% de perdas totais por violência, fome e doenças, afetando diretamente vilas ribeirinhas como Gurupá.

Nas décadas seguintes (1840-1870), Gurupá viu despovoamento acentuado, com formação de mocambos por cabanos fugitivos, alterando composições étnicas para maior miscigenação cabocla. Migrações internas intensificaram-se, com sobreviventes buscando refúgio em áreas isoladas, enfraquecendo núcleos familiares tradicionais.O vácuo demográfico favoreceu invasões de terras indígenas e reo

Organização de ranchos, com crescimento lento via influxo de mestiços e ribeirinhos, mas persistência de quilombos e conflitos étnicos até meados do século. Esses efeitos moldaram uma sociedade mais autônoma e resiliente em Gurupá, com identidades locais fortalecidas pela memória coletiva da revolta.

 As principais revoluções populares no território do Pará durante o período imperial foram a Cabanagem (1835-1840), motivada por pobreza, fome e exclusão política. 

Essa revolta, iniciada em Belém, espalhou-se por todo o Grão-Pará, envolvendo cabanos (ribeirinhos pobres, indígenas e negros) que tomaram o poder por meses, mas foram sufocados por forças imperiais. Causou 30-40% de perdas populacionais (cerca de 30 mil mortes), despovoamento de vilas, extinção de etnias indígenas e migrações forçadas.

A adesão tardia à independência em 1823 gerou revoltas contra portugueses, como o Massacre do Brigue do Palhaço, com 256 prisioneiros executados. 

Movimentos posteriores, influenciados pela Cabanagem, reforçaram tensões sociais até 1840.

O território sofreu devastação econômica com colapso agrícola, formação de mocambos e quilombos, maior miscigenação cabocla e repressão imperial que isolou o Pará até o ciclo da borracha nos anos 1870. 

Essas revoltas moldaram uma identidade amazônica resiliente, marcada por autonomia local e memória de luta popular.


Nordestinos desempenharam papel crucial na história contemporânea das populações amazônicas, especialmente desde o final do século XIX, via migrações em massa durante os ciclos da borracha.

No Primeiro Ciclo (1879-1912) e Segundo (1942-1945), secas no Nordeste impulsionaram fluxos de cearenses, maranhenses e paraibanos para o Pará, Amazonas e Acre, com mais de 60 mil "Soldados da Borracha" organizados pelo SEMTA, suprindo mão de obra para extração de látex e alterando demografias locais.

Esses migrantes introduziram tradições nordestinas como forró, literatura de cordel e culinária (ex.: baião de dois), fomentando miscigenação cabocla-nordestina e formação de comunidades resilientes em vilas ribeirinhas como Gurupá. 

Nas décadas de 1970-1980, migrações continuaram com projetos federais como Transamazônica, integrando populações e impulsionando urbanização.

Legado Atual

Hoje, descendentes nordestinos representam parcela significativa da população amazônica, influenciando identidades híbridas, economia extrativista e políticas sociais, apesar de desafios como invisibilidade em debates regionais.

PESQUISA: GILVANDRO TORRES


Identidade Afro Amazonida das Comunidades Eclesial de Base no município de Gurupá-PA.

 

O município de Gurupá-PA contém uma zona de comunidades quilombolas compostos por 10 comunidades tituladas: Alto Pucuruí, Arinoá, Gurupá – Miri, Maria Ribeira, Jocojó, Flexinha, Carrazedo, Camutá, Bacá e Alto Ipixuna. Os escravos africanos entravam pelo porto de Belém, vindos da Guiné-Bissau, CaboVerde, Angola, Quênia, Tanzânia e Moçambique. Inicialmente ficavam em Belém e região marajoara, incluindo Gurupá, servindo como servos domésticos ou na agricultura. Em 1783 os africanos chegaram a mais de 30% da população total de Gurupá. Os maus tratos dos senhores e escassez periódica de alimentos, também os escravos africanos passaram a fugir e criar suas aldeias fora da cidade: os primeiros quilombos de Gurupá foram formados neste período. A presença africana na Amazônia, embora muitas vezes negligenciada pela história oficial, foi significativa e deixou marcas profundas na região. Apesar de não ter havido uma escravidão em larga escala como no Nordeste, a influência africana se manifesta na cultura, religião e culinária da região. 

A resistência e a luta pela preservação da cultura e identidade afrodescendente continuam presentes até hoje. Povos africanos foram trazidos para a Amazônia, principalmente a partir do século XVIII, como mão de obra escrava, e sua cultura se misturou com a indígena e europeia. Apesar da resistência e formações de quilombos.

 Uma das áreas em que a influência afrodescendente é mais evidente é na música. Gêneros musicais têm suas raízes na cultura africana e se tornaram símbolos da identidade musical de Manaus Gurupá como a dança do Gamba(estilo de carimbo). As batidas contagiantes, os ritmos envolventes e as letras que retratam histórias e tradições afro-brasileiras fazem parte do panorama musical da cidade e são apreciados tanto por moradores gurupaense quanto por visitantes.

A Amazônia, pesquisas científicas documentam que a ocupação remonta ao período da pedra, além dos povos tapajônica, marajoara e konduri, outros povos da Guiana estiveram aqui entre a região de Santarém e Xingu e a cidade de Gurupá está localizado entre os Xingu e Amazonas, no arquipélago do Marajó.

O município possui pouco mais de 31 mil habitantes de acordo com o censo do IBGE, e tem abundância de sítios arqueológicos.

No século XVIII a população amazônica somava cerca de 54.200 e atualmente são menos de 12.000 com cerca de 21% do território nacional, os primeiros contatos deu-se pelo século XIV com holandeses na região de Gurupá, relatos que grupos indígenas viviam harmonia entre ENGAIBAS, MAPUAS, ARUANES, TACONHAPÉS, INGABAYBAS. Os primeiros contatos com os europeus deu-se necessário através de técnicas necessárias como a linguagem universal indígena, contudo o desaparecimento de línguas indígenas foi concentrada em dois troncos linguísticos: MACRO E TUPI.

Estima-se que 75% das línguas se perderam ao longo de 500 anos e parte dos povos indígenas que viviam na costa, no período da colonização, falavam línguas que pertenciam ao tronco Tupi.

Dentro desse tronco, o Tupinambá era uma das línguas gerais que existiam no Brasil e que era usada para se comunicar com os indígenas, o Tupi não é o único tronco linguístico indígena existente no Brasil.

O tronco macro-jê é outro grande exemplo. Os colonizadores se apossaram de terras e intensificaram o tráfico de pessoas escravizadas trazidas do continente Africano.

O Tupi Guarani era língua originária em 1751 uma provisão real proibiu a utilização do Tupi, nossa língua recebeu influência dos povos originários e também dos povos da África que aqui chegaram forçadamente para trabalhar.

O Tupi se originou da língua tupinambá que foi incorporado à nação indígena tupinambás e a nossa língua ganhou diferencial da língua portuguesa falada em Portugal e os dialetos, costumes linguísticos, o legado do povo africano e indígenas contribuiu para os dias atuais uma enorme herança cultural, a beleza e cultura a culinária tem influência dos negros e indígenas assim como as festas populares danças e ritmos.

Quem somos nós e uma pergunta a ser feita em nossas comunidades, reconhecer a diversidade cultural de nossa formação pode ser uma maneira de compreender nossa riqueza cultural.  

A cultura afrodescendente no Brasil veio da cultura africana e chegou às terras brasileiras pelos africanos trazidos para cá para servirem de escravos, os navios carregavam pessoas de várias etnias africanas, o que permitiu a pluralidade cultural de origem africana no Brasil.

Deste contexto nasceu a fusão entre a cultura africana e os vários elementos da cultura indígena e europeia, nasceu no país uma cultura muito vasta, se buscarmos em nossas origens, diversos são os elementos que compõem a nossa formação tradicional e têm origem no continente africano.

Candomblé e umbanda são religiões originalmente brasileiras, mas que surgiram com base em elementos religiosos africanos, consiste no culto aos orixás da cultura IORUBÁ, enquanto a umbanda é uma forma sincrética entre o candomblé, o catolicismo e o espiritismo kardecista. Sendo uma religião monoteísta que acredita na existência da alma e na vida após a morte.

A palavra “candomblé” significa “dança” ou “dança com atabaques” e cultua os orixás, normalmente reverenciados por meio de danças, cantos e oferendas.

A partir do momento que a Igreja Católica faz a fusão de elementos culturais desse povo na religiosidade, ela já configurou uma forma de sincretismo religioso, o sincretismo de origem afro surge com a religião católica, numa busca de camuflar as suas crenças, que eram totalmente proibidas em país católico.

Embaixo do altar católico e das imagens de santos os negros louvavam e cultuavam seus orixás africanos, tendo assim o sincretismo afro-brasileiro. Essa mistura religiosa originou as religiões afro-brasileiras. 

Durante o período da escravatura no Brasil, nas senzalas, para poderem cultuar os seus Orixás, Inkices e Voduns, os negros foram obrigados a usar como camuflagem altares com as imagens de santos católicos, cujas características melhor correspondiam às suas Divindades Africanas, e por baixo desses altares escondiam os assentamentos dos Orixás, dando assim origem ao chamado Sincretismo. 

Mesmo usando imagens e crucifixos, os seus cultos e rituais inspiravam perseguições por parte das autoridades e pela Igreja, que viam o Candomblé como paganismo e bruxaria.

Sabe-se hoje, segundo alguns pesquisadores, que este sincretismo já teria começado em África, induzido pelos próprios missionários para facilitar a conversão dos indígenas.

Exemplos de sincretismo:    Oxalá (Candomblé) associado a Jesus Cristo (Catolicismo), considerado o pai da criação no Candomblé, é frequentemente associado à figura de Jesus Cristo no sincretismo. No sincretismo religioso entre o Candomblé e o Catolicismo, Oxalá, um dos orixás mais importantes do Candomblé, é frequentemente associado a Jesus Cristo. 

Essa associação surgiu como uma forma de proteger as práticas religiosas africanas durante a escravidão, permitindo que os seguidores do Candomblé cultuassem seus orixás sob a aparente identificação com figuras do Catolicismo. 

Ossaim é o orixá das plantas, das ervas, da cura e dos mistérios, responsável por fornecer folhas aos outros orixás para rituais de cura. É sincretizado com São Benedito é o santo católico associado a Ossaim, sincretizado devido à proibição das práticas religiosas africanas durante a escravidão. Ossaim é um orixá venerado nas religiões de matriz africana. Essa divindade é detentora dos mistérios e segredos ocultos na natureza, sendo reverenciada por seu conhecimento profundo desses elementos. Desempenha um papel crucial nas religiões de matriz africana, sendo o verdadeiro bruxo e guardião das folhas.

São Benedito, nasceu como filho de escravizados, em 1526, posteriormente foi alforriado e entrou para Igreja Católica como um eremita franciscano. Ele, por ser negro, sofreu com o racismo e a discriminação na sua época, mas ficou conhecido por suportar essas injustiças com paciência. Conhecido por milagres de cura e até mesmo de ressurreição, é um santo muito querido. São Benedito é um santo católico negro, sincretizado com o orixá Ossaim. Suas histórias contam que era um exímio cozinheiro e que, apesar de analfabeto, aconselhava grandes teólogos e doutores. Foi sincretizado com Ossaim pelos povos negros do Brasil, pois, na época da escravidão, todos eram obrigados a ser cristãos. Não podendo realizar seus cultos sem perseguição, os africanos e seus descendentes associaram os orixás aos santos para poderem cultuá-los sem serem mortos. Por sua paciência, suas histórias de cura e seus conhecimentos, São Benedito foi sincretizado com Ossaim. 


          


O sincretismo de São Benedito, santo católico negro, com o orixá Ossaim no Candomblé e Umbanda é um exemplo de fusão cultural e religiosa que ocorreu no Brasil durante a escravidão. São Benedito é sincretizado com Ossaim, o orixá da cura e da natureza, devido à sua história como defensor dos pobres e doentes e à sua identificação com a cultura africana. 

No Contexto histórico, a escravidão no Brasil impôs a cristianização forçada, o que levou os africanos a adaptar as suas tradições e a sincretizar os santos católicos com os orixás, como forma de preservar a sua cultura e a sua espiritualidade, e sua identificação como santo negro e defensor dos pobres, foi associado ao orixá Ossaim, que também é conhecido por suas propriedades curativas e por sua relação com a natureza. 

Permitiu aos africanos escravizados encontrar um ponto de conexão entre a religião imposta e as suas tradições, preservando a sua identidade cultural e a sua espiritualidade. São Benedito é também sincretizado representa a sabedoria e a experiência dos ancestrais africanos. 

Os portugueses aderiram ao comércio de pessoas escravizadas da África para o Brasil ficou conhecido na história como Tráfico negreiro.

No continente africano os portugueses trocavam armas, tecidos por pessoas capturadas por chefes tribais, essas pessoas escravizadas eram aprisionados nas guerras tribais e eram negociados por mercadores, embarcados nos navios negreiros, muitos adoeciam e faleciam, as viagem ao Brasil levava até seis semanas, uma viagem com violência, suicídio, pouca agua potável, e alimentação escassa, as regiões que mais forneceram pessoas escravizadas, foram os países: Cabo da Guiné, Reinos do Congo e Angola.

Pertenciam a grupos étnicos sudaneses(Nigéria), Daomé (Costa do Marfim), Bantos (capturados no Congo), Angola e Moçambique. 388 anos o Brasil teve economia ligada ao trabalho escravo, as formas mais desumanas eram o açoitamento público e o chicote lamento na senzala, as feridas eram aplicadas limão e sal.

Os africanos traziam a força do continente africano, alguns se atiravam em alto mar, a travessia do atlântico era tormento, mais de 12 mil africanos vieram nos navios negreiros.

A alimentação era constituída por farinha de mandioca, milho e carne seca, uma das doenças mais comuns era o escorbuto que provoca dores no corpo, inchaço pela falta de vitamina C no organismo.

A cultura indígena e africana possui importância fundamental na construção da identidade nacional brasileira, ela está presente estudar a história e cultura Afro-brasileira e indígena é descobrir nossas raízes, nos ajuda a entender o passado, pensar no presente desmistificando ações e falas preconceituosas e nos possibilita construir um futuro melhor, mais humano e igualitário.

A obrigatoriedade de inclusão de História e Cultura afro-brasileira e africana nos currículos da educação básica é um momento histórico que objetiva não apenas mudar um foco etnocêntrico, marcadamente de raiz europeia para um africano, mas sim ampliar o foco dos currículos escolares para a diversidade cultural, racial, social e econômica brasileira.

Nessa perspectiva cabe às escolas incluir, no contexto dos estudos, atividades que abordem diariamente as contribuições histórico-culturais dos povos indígenas e dos descendentes de asiáticos, além das raízes africanas e europeias.

Em maio 1623, junto com Luís Aranha de Vasconcelos, Aires de Souza Chichorro e Salvador de Melo, Bento Maciel Parente conquistou dos holandeses os pontos fortificados de Muturu (atual Porto de Moz) e Mariocay atual Gurupá), próximo à foz do rio Xingu, fundando no lugar do Forte de Mariocay, o Forte de Santo Antônio de Gurupá, fazendo dele a base de apoio para as suas arrancadas, expulsando nos anos seguintes os neerlandeses do Baixo Xingu e do rio Tapajós.

A ação realizada no Forte de Mariocay foi um grande feito. Liderando cerca de 70 soldados e aproximadamente mil indígenas em canoas nativas, o Capitão-mor do Pará investiu contra os invasores holandeses, que não impediram o ataque luso-brasileiro à fortificação.

Bento Maciel Parente, buscando ludibriar a guarnição holandesa, manobrou na parte leste do Baixo Xingu, provocando a debandada dos invasores fugindo rumo à selva.

O que teria acontecido com os indígenas que habitavam próximo ao rochedo do Forte Mariocay, fundado pelos holandeses em Gurupá, certo que foram dizimados, escravizados, num holocausto escondido nas inúmeras batalhas entre portugueses e holandeses.

A verdadeira vítima da invasão estrangeira e dos colonizadores portugueses, foram os indígenas que viviam e ocupavam pacificamente essas terras.

À medida que o forte foi construído, aquela sociedade nativa ia se consumindo em guerras e derramamento de sangue no canal de Gurupá, sobretudo no trabalho escravo até a extinção da etnia indígena de Gurupá. 

Com a colonização atraindo comerciantes que transferiram para Portugal em navios de pequeno porte até Belém, as produções agrícolas, hoje os povos originários que eram chamados Mariocay pelos holandeses não existem, nem sabemos onde era sua aldeia central, que provavelmente eram da nação Tupinambá.

Jorge Hurley em 1936 no livro “noções de história do Brasil ” descreve que a Palavra mariocay vem do Tupi: umary= frutos da mata, Cai= verbo queimar e Umary= queimado e a palavra que deu origem ao nome Gurupá, baseia-se que os portugueses chamavam de “Corupá”, porque os indígenas afirmavam que ali era um porto de canoa ou seja origem era Iguaru pába, porto e seria chamado de igararupá ou seja um porto de muitas canoas. Informações precisas de Francisco Adolpho Varnhagem no seu livro História do Brasil do ano de 1962. 

Os holandeses que sobreviveram fugiram para a ilha grande de Gurupá. Houve outra batalha após um navio holandês, comandado por um capitão inglês chegando a frente a cidade de Gurupá, os portugueses atacaram e afundaram o navio, matando todos, os indígenas leais aos holandeses foram mortos, alguns sobreviveram e se tornaram escravos, para posterior reconstrução do forte em pedras e argila.

Bento Maciel Parente ficou em Gurupá, onde após destruir o forte dos holandeses, construiu sobre taipa um forte invocando a proteção de Santo Antônio em 1623.

A identidade Afro-Amazônica é uma identidade cultural e social complexa, resultante da interação e mistura de tradições africanas, indígenas e europeias na Amazônia. 

Caracteriza-se pela sua rica diversidade cultural, incluindo manifestações religiosas, artísticas, culinárias e práticas sociais que refletem a ancestralidade africana, indígena e a adaptação ao ambiente amazônico. 


●       Mistura cultural: A identidade Afro-Amazônica é o resultado da fusão de diferentes culturas, formando um novo tecido social e cultural. 


●       Manifestações religiosas: A religião desempenha um papel importante, com a presença de religiões de matriz africana, como o candomblé, e a sincretização com crenças indígenas. 


●       Manifestações artísticas: A música, a dança e a arte visual são formas de expressão da identidade Afro-Amazônica, com influências de ritmos africanos e estilos típicos da região. 


●       Culinária: A culinária afro-amazônica é rica em sabores e ingredientes, com destaque para pratos como a maniçoba, que incorpora elementos africanos e indígenas. 


●       Práticas sociais: A vida em comunidade, a agricultura tradicional e a organização social são aspectos importantes da identidade Afro-Amazônica. 


●       Consciência da herança e resistência: A identidade Afro-Amazônica é construída sobre a consciência da herança africana e a resistência contra a discriminação e o preconceito. 


Contexto histórico:


A presença africana na Amazônia remonta ao período colonial, com a escravidão africana e a posterior liberdade dos escravizados em comunidades quilombolas. 


Importância da identidade Afro-Amazônica:


●       A identidade Afro-Amazônica é um importante patrimônio cultural, que contribui para a riqueza e a diversidade do Brasil e a valorização da identidade Afro-Amazônica é fundamental para a promoção da igualdade racial e a luta contra o racismo.


●       A "Afro-Amazônica" como categoria identitária: A categoria "Afro-Amazônica" é utilizada para identificar e reconhecer a população negra da Amazônia, destacando a sua especificidade cultural e histórica, diferente de outras identidades negras no Brasil. 


Pedro Teixeira revelou-se decisivo para a definição do território do Brasil, ao subir o rio Amazonas até Quito, no Equador, assim, este português contribuiu para a definição do maior país da América Latina.


O Brasil é o único da América que tem o português como língua oficial. Para delimitar as terras de Portugal e de Espanha, de acordo com o Tratado de Tordesilhas, ele fundou o povoado da Franciscana, na confluência do rio Napo com o Aguarico, no alto sertão em 25 de julho de 1637, chefiou uma expedição partindo de Belém, com 45 canoas, setenta soldados e mil e duzentos flecheiros e remadores indígenas subindo o curso do rio amazonas, buscando confirmar a comunicação entre o oceano atlântico e o peru, rota percorrida no século anterior por Francisco de Orellana.


Fundou franciscana na confluência do rio Napo com o Aguarico, no alto sertão, para delimitar as terras de Portugal e Espanha, segundo o tratado de Tordesilhas a viagem foi registrada pelo jesuíta Cristóbal de Acuña em obra editada em 1641.


Pedro Teixeira foi responsável por achar o melhor caminho terrestre fluvial entre os Estados do Pará e o Maranhão e, as vias para as transações comerciais entre as cidades de Belém e Bragança, que antes ocorria somente via rio Caeté.


Assim encontrou o Caminho do Maranhão, criado pelos Tupinambás, posteriormente serviu para condução do gado do Piauí à Belém, atualmente é uma das principais vias da capital, chamada de avenida Almirante Barroso.


De Gurupá partiu, em outubro de 1637, esta incursão, considerada por muitos como a maior façanha sertanista da região, observando a área, buscou viabilizar o acesso à região peruana por via atlântica.


Subiu os rios Amazonas e Negro onde deixou parte do grupo. Prosseguindo, alcançou Quito, em outubro de 1638.


Pedro Teixeira tomava posse das terras em nome do rei de Portugal, embora este Reino ainda estivesse sob o domínio espanhol favorecidos pelas boas condições de navegação, aqueles homens aventureiros depararam-se a todo instante com riquezas naturais da flora amazônica como o urucu, primeira especiaria a ser exportada para a Europa.


A Expedição de Pedro Teixeira foi usada pela Coroa lusitana para reivindicar a posse da Amazônia.


No contexto histórico essa ocupação do Vale do Amazonas, foi realizada através da instalação de fortes e missões religiosas nas margens dos rios.


Alguns capitães e sertanistas experientes, como Antônio Raposo Tavares, Manuel Coelho e Francisco de Melo Palheta, passaram a percorrer o Amazonas e seus afluentes descobrindo comunicações fluviais, atingindo aldeamentos espanhóis na região oriental da Bolívia, e coletando sem cessar as especiarias, com ajuda dos indígenas.


As atividades desenvolvidas pela Coroa Portuguesa, assim e pelo religiosos entre eles franciscanos, carmelitas, mercedários e jesuítas, foram importantes na expansão territorial, na conquista e na consolidação do domínio português.


Pedro Teixeira Capitão português expandiu as fronteiras da atual Amazônia brasileira e sua maior façanha, a primeira expedição subindo o rio Amazonas, de leste para oeste, até Quito, percorrendo mais de 10000km em terras desconhecidas, entre 1637 e 1639, possibilitou a aquisição de terras a oeste do Tratado de Tordesilhas, por Portugal, no século seguinte, aumentando o território da Coroa Portuguesa.


Em 1639 “O Capitão-mor Pedro Teixeira começa em Quito a sua viagem de regresso para o Pará.


Acompanhavam-no vários religiosos, entre os quais o Padre Cristóbal de Acuña, jesuíta autor da relação desta v;iagem (Nuevo descubrimiento del gran rio de las Amazonas), que partira de Cametá em 28 de outubro de 1637, terminou a sua famosa expedição no dia 12 de dezembro de 1639.


O Capitão-mor Pedro Teixeira, de volta de Quito, chega à foz do Aguarico no Napo, e toma posse da margem esquerda deste último rio, em nome de Filipe IV, para servir de divisa entre os domínios de Portugal e Castela.


 No século XVI, quando os europeus atingiram o rio Amazonas, encontraram uma floresta habitada por povos indígenas durante a conquista e a colonização portuguesa desse território as populações indígenas foram reduzidas drasticamente, sobretudo por causa das doenças trazidas pelos europeus.


Atualmente a Amazônia está composta principalmente por pessoas miscigenados (índios, brancos e negros). Pedro Teixeira foi um português que se tornou, em 1637, o primeiro europeu a viajar até toda a extensão do Rio Amazonas.


Será sempre lembrado pela Expedição através do Rio Amazonas, chegando a região da Cordilheira dos Andes, de onde seguiram viagem até Quito (atual capital do Equador), na época a cidade pertencia a Real Audiência de Quito, um território administrativo, na época parte do Vice-Reino do Peru.


 


A expedição de Pedro Teixeira, liderada em 1637, foi crucial para a expansão da fronteira amazônica brasileira. Partindo de Gurupá, a expedição subiu o rio Amazonas, chegando a Quito, no Peru, em 1638, e confirmando a comunicação entre o Atlântico e a região andina. 


Essa façanha, que envolveu a travessia de mais de 10.000 km em terras desconhecidas, permitiu a Portugal a anexação de terras a oeste do Tratado de Tordesilhas, aumentando significativamente o território do Brasil. 


Detalhes da Expedição:


●       Partida: Gurupá (PA), em outubro de 1637. 


●       Objetivo: Explorar e confirmar a comunicação entre o Atlântico e o Peru, por meio do rio Amazonas. 


●       Repercussão: A expedição de Teixeira garantiu a posse da Amazônia ao Brasil, expandindo as fronteiras portuguesas. 


●       Percurso: Subida do rio Amazonas, chegando a Quito, no Peru. 


●       Impacto: Expansão territorial do Brasil, com a anexação de terras a oeste do Tratado de Tordesilhas. 


Relevância Histórica:


●       A expedição de Pedro Teixeira é considerada um marco na história do Brasil, sendo responsável pela conquista e pela definição das fronteiras da região amazônica. 


●       A atuação de Teixeira e seus homens na Amazônia garantiu a posse e a soberania portuguesa na região, contribuindo para a construção do território brasileiro. 


●       A expedição de Teixeira é um exemplo da audácia e do espírito de conquista dos primeiros portugueses na Amazônia. 


 


Em 1783, a escravidão era uma realidade na Amazônia, com a exploração de mão de obra indígena e a chegada de africanos escravizados para trabalhar em atividades coloniais. 


A escravidão indígena, embora tenha sido alvo de leis para sua restrição, persistiu, e a região também se tornou parte do tráfico de pessoas escravizadas da África. Neste contexto da escravidão na Amazônia em 1783, percebe-se que a escravidão indígena já era uma prática antiga na região, impulsionada pelas expedições de conquista e exploração. Embora leis tenham sido criadas para limitar a escravidão indígena, como a lei de 1755 que proibia a escravização de indígenas no Estado do Grão-Pará e Maranhão, a prática continuou. 


A partir do século XVIII, a escravidão africana se intensificou na região, com a chegada de pessoas escravizadas para trabalhar em plantações, pecuária e outras atividades econômicas. 


A Amazônia também se tornou parte do tráfico atlântico de escravizados, com a chegada de africanos da Costa da Mina, entre outras regiões. 


Apesar da violência e exploração, a população escravizada desenvolveu diversas formas de resistência, como fugas, formação de quilombos e outras ações que desafiavam o sistema escravista. 


Em resumo, 1783 marca um período em que a escravidão, tanto indígena quanto africana, era uma realidade na Amazônia, com a região inserida no contexto do tráfico atlântico e com a população escravizada buscando formas de resistir à opressão.


A Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil em 1888, foi considerada insuficiente por diversas razões, principalmente porque não garantiu a completa liberdade e igualdade social aos libertos. A Lei Áurea, apesar de pôr fim à escravidão, não trouxe consigo medidas de reparação aos danos causados aos negros, nem garantias de acesso a direitos básicos como terra, emprego e educação. 


 


Aproximadamente 12.587 mil escravos africanos, muitos ficaram espalhados nas fazendas do Marajó no trabalho da pecuária, alguns conseguindo fugir e se organizando em quilombo.


Os escravos africanos e seus descendentes crioulos e mestiços influenciaram em profundidade a formação cultural do País, os aspectos de nossa cultura na religião, música, dança, alimentação, língua, temos a influência negra, apesar da repressão que sofreu as suas manifestações culturais mais cotidianas.


A preservação da cultura negra significava a luta diária pela sobrevivência. Embora ameaçados pelo cativeiro, proibidos de praticar os seus ritos, vítimas de violência e separação física entre pessoas do mesmo grupo familiar, eles continuaram lutando pela manutenção de seus valores culturais.


 A partir desse diálogo expressado neste livro com objetivo de compreender nossa história Afro Amazônida com a necessidade de entender a multiplicidade dos clamores e gritos amazônicos provocados e mantidos, até hoje, pelo colonialismo interno.


Da mesma maneira que é importante, também, conhecer as bases, a realidade e a história da Amazônia brasileira a partir de seus povos, etnias e comunidades.


Com a presença afro- indígena é forte em vários aspectos culturais, como culinária, música e religião.


A influência não é apenas em elementos tradicionais. Hoje, a mistura de ritmos mostra que é possível trazer sons africanos, indígenas e ribeirinhos para estilos típicos da região do norte e compartilhados pelas regiões do Brasil em estilo único.


A cidade de Mazagão no Estado do Amapá é considerada, praticamente, o porto de entrada da raça negra no Amapá. Para lá foram negros originários do Norte da África, na região de Marrocos (Mauritânia), colonizados pelos portugueses que os trouxeram visando os domínios lusitanos a partir da construção de um forte na África.


Provavelmente foi pelos rios do Estado do Amapá que vieram os negros escravizados para a localidade Gurupá Mirim. O Quilombo Gurupá Mirim, em Gurupá-PA, foi certificado como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares.


No período colonial os quilombos não eram só compostos por escravos fugidos, mas também de escravizados alforriados, brancos pobres, mestiços, indígenas, entre outros, e hoje em dia ainda existem quilombos ocupados pelos remanescentes que possuem as mesmas tradições.


A Associação Das Comunidades Remanescentes De Quilombos De Gurupá foi fundada em 05/11/1999. Título de Reconhecimento de Domínio Coletivo que o Governo do Estado do Pará, através do Instituto de Terras do Pará - ITERPA, outorga em favor da ARQMG - Associação dos Remanescentes de Quilombos de Gurupá.


O que teria acontecido com os indígenas da nação Tupinambá que habitavam próximo ao rochedo do forte de Gurupá antes da chegada dos portugueses.


Os indígenas foram dizimados, escravizados, o certo que a coroa portuguesa se apoderou das terras gurupaense, num holocausto escondido entre os livros didáticos nas inúmeras batalhas entre portugueses e holandeses.


A verdadeira vítima da invasão estrangeira e dos colonizadores portugueses, foram os indígenas da nação Tupinambá; Que ocupavam pacificamente essas terras. Os verdadeiros donos.


À medida que o forte foi construído, aquela sociedade nativa ia se consumindo em guerras e derramamento de sangue no canal de Gurupá, sobretudo no trabalho escravo até a extinção da etnia indígena de Gurupá.


Com a colonização portuguesa atraindo comerciantes que transferiram para Portugal em navios de pequeno porte até Belém, as produções agrícolas, hoje os indígenas que eram chamados Mariocay pelos holandeses não existem, nem sabemos onde era sua aldeia central.


O que temos é uma praça a beira mar que homenageia através de um coreto o nome Mariocay que provavelmente eram da nação tupinambá, que de início a praça era denominada "Coronel Magalhães Barata" em homenagem ao Interventor da época que tinha aliados políticos em Gurupá, com a troca de poderes ascensão de um novo modelo político e a queda do Baratismo, foi trocado o nome da praça e rebatizada como Praça Mariocay. 


Jorge Hurley em 1936 no livro "Noções de história do Brasil” descreve que a Palavra mariocay vem do Tupi: umary= frutos da mata, Cai= verbo queimar e Umary= queimado. Verdadeiro nome em Tupi: UMARY-CAY.


Os holandeses chamavam de Mariocay os remanescentes da nação tupinambá que viviam no local onde atualmente é a sede da cidade de Gurupá. Alguns historiadores e pesquisadores acreditam que os holandeses fizeram amizade com os indígenas e até comercializavam produtos, podemos descrever que o cotidiano dessa época:


1-Os indígenas produziam roças, e trocavam os produtos com os Holandeses, eram especialistas também na pesca de tartaruga e no escambo troca de seus derivados como o óleo;


2- A caça de animais silvestre com a comercialização da pele de onça, em troca os holandeses deram espelhos, roupas e utensílios para agricultura.


 3-  Os Holandeses trouxeram pessoas escravizadas em suas embarcações provavelmente angolanos e ajudavam no trabalho pesado e no cultivo das terras pretas existentes em Gurupá para plantação do tabaco que tinha um preço muito bom na Europa.


Acredito que deveria ter um trabalho arqueológico de campo, ainda temos muitas informações guardadas neste solo. Gurupá Mirim é um dos maiores sítios arqueológicos do período Pré colonial com os impactos causados pela chegada dos colonizadores e exploradores (doenças dos brancos para a comunidade indígena que habitava a região e sua dizimação pelas guerras e doenças) e os benefícios que tivemos (termos um Brasil unificado e o mesmo idioma falado em todo o Território Nacional.


No século XIV praticamente não havia mais escravos na Europa, essa descoberta do caminho para as Índias em meados do século XV, com o cultivo da cana de açúcar nas ilhas do Atlântico.


Fizeram com que o tráfico de pessoas vindas da África fosse reativado pelos portugueses.


Quando os portugueses decidiram colonizar o Brasil eles trouxeram os escravos africanos que tinham experiência do plantio e produção de açúcar.


Os indígenas lutaram contra os portugueses opondo-se à escravidão. Muito sangue está na floresta.


Os Jesuítas eram contra a escravidão dos Indígenas.


Os africanos e seus descendentes se revoltaram contra a situação, houve fugas, assassinatos entre as duas partes os escravos e apoiadores da escravidão.


 As revoltas coletivas eram organizadas e depois alojadas em um terreno de difícil acesso que se originou os quilombos.


Ali se construí a identidade da vida comunitária, surgindo muitos quilombos entre eles o mais duradouro foi o quilombo de Palmares em Alagoas que resistiu 98 anos, tendo seu líder Zumbi morto em 1695.


Os quilombos com sua experiência comunitária foi essencial não apenas para ser refúgio dos cativos, mais se tornou instrumento de luta contra escravidão e com ideais ainda sólidos de uma sociedade de participação e resistência.


Nos quilombos eram também organizados ações de invasões contra as fazendas para libertar outros escravos.


Alguns quilombos foram formados próximos as aldeias indígenas, e com a convivência entre os povos houve a mestiçagem entre os povos indígenas.


Que formou nossa identidade afro amazonida. Com mistura das religiões, e a influência das tradições, segredos das plantas, matas. Formando assim as religiões afro brasileiras.


O município de Gurupá conta com dois distritos: 1- Carrazedo, localizado entre a sede do município e o município de Porto de Moz. 2-Itatupã localizado entre Gurupá e o município de Santana no Estado do Amapá. 


A cidade de Mazagão no Estado do Amapá é considerada, praticamente, o porto de entrada da raça negra no Amapá. Para lá foram negros originários do Norte da África, na região de Marrocos (Mauritânia), colonizados pelos portugueses que os trouxeram visando os domínios lusitanos.


Provavelmente foi pelos rios do estado do Amapá que vieram os negros escravizados para a localidade Gurupá Mirim. O Quilombo Gurupá Mirim, em, foi certificado como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares.


A Associação Das Comunidades Remanescentes De Quilombos De Gurupá foi fundada em 05/11/1999. Título de Reconhecimento de Domínio Coletivo que o Governo do Estado do Pará, através do Instituto de Terras do Pará - ITERPA, outorga em favor da ARQMG - Associação dos Remanescentes de Quilombos de Gurupá.


Aproximadamente 12.587 mil escravos africanos, muitos ficaram espalhados nas fazendas do Marajó no trabalho da pecuária. Alguns conseguindo fugir e se organizando em quilombo.


 


REFERÊNCIAS:

HURLEY, Jorge Henrique. Noções de História do Brasil. Belém: Instituto Lauro Sodré, 1938.

BETTENDORF, João Felipe. Crônica dos padres da companhia de Jesus no Estado do Maranhão. Belém: CENTUR, 1990.

MONTEIRO, Benedito. História do Pará.2006.

ROQUE, Carlos. Fortificações na Amazônia.

SANTOS, Fábio José Brito dos.  A sincretização euráfrica na construção da identidade religiosa de Gurupá.

TORRES, Gilvandro dos Santos. Gurupá, uma conquista do Povo. 1. Ed, Belém-PA: Editora Paka-Tatu, 2019.