12/19/2025

 Andar pelas ruas de Gurupá é sentir nossa cultura. 

Passear pelo Forte de Santo Antônio de Gurupá Fazem desta cidade uma fonte inesgotável de cultura. 

Poetizar Gurupá é algo fantástico, um sentimento de descoberta de uma cidade de cores, cheiros e fé. 

A diversidade cultural, a farinha de tapioca do Bacá o açaí do Rio Mojú. 

O vento do Amazonas, na hidroviária; A feira dos sábados e quartas, esquina com a praça Oscar Santos

O recanto dos poetas no bar do ver o rio, sem contar com o por do sol do forte, é sem duvida minha inspiração poética, como Ruy Barata dizia: “tudo que amei estava aqui.”

GILVANDRO TORRES


 HISTÓRICO DOS QUILOMBOLAS DE GURUPÁ No começo do século XVI, quando os europeus começaram o processo de ocupação da Amazônia, os holandeses estabeleceram uma feitoria localizada abaixo da foz do rio Xingu onde comercializavam especiarias com as tribos indígenas

Este entreposto comercial ficou conhecido com o nome dos índios que ali moravam: os Mariocay

Depois de ter conseguido derrotar seus opositores, os portugueses construíram naquele lugar o Forte de Santo Antonio de Gurupá que foi o ponto de apoio para a conquista de toda a região. 

Deste forte saiam as expedições de captura dos índios que eram escravizados e obrigados a trabalhar na coleta das especiarias (drogas do sertão). 

Em poucas décadas centenas de milhares de índios foram exterminados sendo necessária a importação de mão de obra para trabalhar nas fazendas que começaram a surgir ocupando grandes extensões de terra.

 Entre os maiores fazendeiros da região de Gurupá Mirim encontravam-se Pedro Lima, Celestina Custódia de Aragão e Patrocínio


GILVANDRO TORRES

 SOBRE O PROCESSO DE CRIAÇÃO DA ARQUIMG DE GURUPÁ, CONTRIBUIÇÃO DO AMIGO PEDRO TAPURU

Em 21 de setembro de 1999 o Sindicato dos Trabalhadores Rurais apresentou o pedido de reconhecimento de domínio das comunidades quilombolas tendo como base legal o art. 68 do ADCT em nome das comunidades Gurupá Mirim, Maria Ribeira, Jocojó, Flexinha, Carrazedo, Camutá do Ipixuna, Bacá do Ipixuna, Alto Ipixuna e Alto Pucurui. 

No final do requerimento, assinado pelo presidente e pelo Diretor de Política Agrícola e Agrária do STR, e pelos representantes de todas as comunidades, se evidencia que: “informamos que as comunidades estão em processo de criação de uma Associação dos Remanescentes de Quilombos que irá administrar o título” . 

O processo foi acompanhado pelo mapa de localização da área (já neste documento se pode visualizar a exclusão da área ocupada por Foad, Fl. 465). 

Em 07.12.99 a ARQMG enviou cópia da certidão cartorial de seu registro, Estatuto, CNPJ, Ata de Fundação, cópia dos documentos pessoais do presidente e secretária da Associação, coordenadas geográficas dos limites da área pretendida (fls. 474-492). 

No pedido de juntada destes documentos a Associação pede: “Solicitamos que o supracitado processo, a partir deste momento seja formalizado em nome de nossa Associação“ (fl. 474). 

Em 20.12.99 foi elaborado o memorial descritivo com uma área de 85.428,2213 ha (Fls. 495-496). 

Em 20 de dezembro de 1999 o Diretor do Departamento Jurídico analisou detidamente o processo exarando seu parecer (fls. 497-501). 

Nele comprova a legitimidade de quem apresentou o pedido (o STR e os representantes das comunidades), comprovou o auto-reconhecimento considerando que o requerimento fazia explicita menção ao fato de serem comunidades remanescentes de quilombo e a referência ao Art. 68 do ADCT. 

Destaca também: “Devemos registrar, ainda, que como às fls. 13 dos autos (hoje 474), existe o requerimento da Associação da Comunidade Remanescente de Quilombo de Gurupá, para que o processo seja autuado em seu nome, esta pessoa jurídica reafirma a condição de comunidades remanescente de quilombo das comunidades interessadas (fl. 499)”. 

Mais adiante escreve: “Percebemos que o pedido foi formulado por quem de direito, devidamente comprovada a sua legitimidade representativa, e juntando nos autos a declaração de auto-reconhecimento da comunidade como remanescentes de quilombo (...)”. 

No que diz respeito ao memorial descritivo o Dr. Ibraim José das Mercês Rocha escreveu: “A partir de dados fornecidos em complemento ao mapa preliminar da FASE – Federação dos Órgãos para Assistência Social e Educacional - Programa Pará o Departamento Técnico, através da Divisão de Cartografia, elaborou o Memorial Descritivo Preliminar da área pretendida pela ARQM, inclusive excluindo do perímetro o total de 6.276,00 ha, correspondentes as áreas das posses Boa Vista, Curralinho, Laranjal, Iguara, Maria Ribeira e dos senhores Arnaldo e Foad”. Finalmente sugere que o processo seja recapeado em nome da Associação das Comunidades Remanescente de Quilombo de Gurupá - ARQM e expedido edital. Os editais foram publicados no DOE e Jornal O Liberal em 15 de fevereiro de 2000 e 2 de março de 2000.

 Em 15.02.00 e 23.05.00 os editais foram remetidos para a Prefeitura Municipal, Câmara Municipal, Juíza e Cartório de Registros de Imóveis. 

O Processo tramitou sob o número 1999172148 e culminou com a expedição do título em 28 de julho de 2000 com uma área de 83.437,1287 hectares beneficiando cerca de trezentas famílias. 

Em 08.10.2003 foi mandada uma equipe para fiscalizar os trabalhos de demarcação na área que faz limite com Foad Dib Tachy e Jorge Luiz Fonseca Tachy. Em 29.01.04 Foad Dib Tachy solicitou vista do processo por ser possuidor de algumas posses no local. Considerando que o pedido de ampliação abrange também o município de Porto de Moz o Dr. Pedro Marques da Conceição solicita publicação de novo edital. Neste processo foi apensado o processo 2003179986, de 18.07.03 do Raízes solicitando a efetivação da retificação do título da ARQMG ampliando a área. 

EM 24 de outubro de 2001, por meio do processo número 2001286451, a ARQM apresentou um pedido de substituição do título incorporando as áreas pleiteadas. Foi juntada a ata da Associação na qual se faz a inclusão das famílias que moram no Alto Pucuruy e Arinhoá; procuração; listagem dos novos pontos da área e mapa. Em 27 de março de 2002 foi juntado um novo croquis, memorial descritivo com uma área de 91.320,1066 ha. 

Em 27.05.03 o Dr. Raimundo Pedro Marques da Conceição sugere que os autos retornem ao DT para que seja elaborado estudo histórico-antropológico (fls. 31-33). Parecer aceito no mesmo dia pelo Diretor do DJ. Em 05.06.03 o presidente remete o processo para o DT para encaminhamentos. 

Em 20.06.03 o DT determinou: “Notificar o procurador da comunidade da necessidade de adequar o processo conforme está previsto no Dec. 357299 e IN 0299, como consta do parecer do DJ, que foi acolhido pelo Sr. Presidente (Fls 33). 

Em 01.07.03 Girolamo Domenico Treccani, procurador da associação, dirigiu um expediente para o presidente do ITERPA afirmando: “Considerando o disposto no inciso I, do art. 3˚ da IN n˚ 299 que prevê que a auto-declaração da comum idade permite comprovar sua situação como comunidade remanescente de quilombo, sugiro que o pleito da associação (ARQMG) relativo à ampliação da área, seja atendido (fl. 33v). 

Em 20.08.03 o Dr. Carlos Lamarão Correa, Diretor DJ remeteu o processo para o presidente para última decisão. 

Em 27.08.03 o Dr. Sérgio Maneschy remeteu o processo para o DT: “conforme entendimentos mantidos na última reunião de Diretoria, realizada em 26 do mês corrente, encaminho os autos ao DT, para as providências cabíveis visando a re-ratificação (fl. 35)”. 

Em 13.10.03 o processo foi remetido para o técnico Justo Marques para que procedesse aos levantamentos necessários a re-ratificação. 

Em 20.11.03 foi juntado um novo memorial descritivo com uma área de 92.800,3481 há e, posteriormente uma proposta de decreto de ratificação do título. 

Em 29.01.04 Foad Dib Tachy solicitou vista do processo. 

Em seguida (19.02.2004) ele apresentou um documento requerendo a suspensão do processo até a publicação de um novo edital. Em 05.04.04 Pedro Marques solicitou ao DT um parecer sobre o pedido do Foad. 

No mesmo dia foi designado o técnico Justo Marques da Costa Filho para que realizasse uma nova vistoria. 

Em foi 30.04.04 Justo apresentou um relatório contendo levantamento de campo. 

O memorial descritivo apresenta uma área de 92.680,3601 ha (fl. 74-106). Em 18 de junho de 2004 Jorge Santos, Diretor DT, remeteu o processo para o jurídico com cópia do decreto de ratificação. 

Em seu relatório ele destaca: “Vale ressaltar que o agrimensor Justo Marques, ao executar a demarcação da área quilombola, respeitou os limites das áreas requeridas pelo Sr. Foad Dib Tachy, citadas nos documentos as fls. 67, 70-71 dos autos, saneando, assim, as pendências existentes (fl. 107)”. 

Em 01.07.04 o Dr. Carlos Lamarão remeteu o processo para o DT escrevendo: “devo alertá-lo qualquer providência subseqüente a ser adotada pelo ITERPA de área tida como de ocupação “quilombola”, deve ser precedida de documentação comprobatória de que as ditas terras se acham caracterizadas como tal, tornando-se por base as diretrizes traçadas pelo art. 68 do ADCT da Constituição Federal de 1988” (fl. 107v). 

Em 23.06.04 a cartografia afirmou: “com base nas coordenadas apresentadas as fls. 105 informo que a área em questão está localizada em dois municípios, em Porto de Moz e em Gurupá como demonstra o mapa em anexo (fls. 112-113). 


Em 05.07.04 Girolamo D. Treccani, procurador da associação, solicitou a juntada da ata da Assembléia Geral de constituição da ARQMG, ata da incorporação das famílias das comunidades de Arinhoá e Alto Pucurui e da ficha cadastral de todas as famílias da associação (fls. 114-464). Em 20 de novembro de 2000, também a Associação dos Remanescentes de Quilombo Maria Ribeira – ARQMR, foi beneficiada com uma área de 2.031,8727, beneficiando 32 famílias. 

Diante da necessidade de contemplar também as outras comunidades quilombolas que não tinha sido incluída no primeiro título (Arinoá e Alto Pucuruy), a Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombo de Gurupá (ARQMG), apresentou um pedido de ampliação da área cujo processo está ainda em tramitação. 

Analisando o processo se percebe como o ITERPA não leva em consideração a Instrução Normativa n˚ 299 que permite o auto reconhecimento da comunidade. Se percebeu, também, que a morosidade da tramitação deste processo administrativo levou a impedir a ampliação da área pretendida pelos quilombolas, pleito hoje impossível de ser feito, considerando a existência do processo judicial movido pelo Foad Dib Tachy.

A pesquisa do Antropólogo americano Charles Wagley, que esteve em Gurupá no ano de 1948, o levantamento foi realizado no banco de dados da Universidade da Florida na biblioteca “George A. Smathers”, que dispõe do material digitalizado onde consta notas de campos e fotografias, do projeto Gurupá. A equipe formada por Charles Wagley, sua esposa Cecilia Roxo, Eduardo Galvão, as informações pertencem a Universidade da Flórida. FOTOS: 1950- CHARLES WAGLEY PESQUISA: GILVANDRO TORRES

 

 Os rastros da exploração ilegal no município de Gurupá causaram destruição dos seringais na Ilha Grande de Gurupá. 

A consequência foi avassaladora. 

Latifundiários e outros posseiros extraíam madeira e palmito, sem consciência ambiental. 

Nesse contexto, o povo ribeirinho tomou conhecimento dos seus direitos, ao se organizar e perceber que a mata em pé dá mais lucro do que derrubada. 

A Ilha Grande de Gurupá tem um grande tesouro em sua floresta: a vazão fluvial constante e a entrada e saída de água das marés. 

Uma floresta com predominância de palmeiras de açaí e buriti, sendo aproveitadas desde as folhas até a semente. 

São várias espécies de árvores de grande valor comercial como Sumaúma, Ucuuba, Andiroba, Virola e Macacaúba

Os ribeirinhos moram na zona rural às proximidades dos rios, sobrevivendo da pesca artesanal, caça e agro extrativismo

Esta vivência ribeirinha transformada em poesia tem como objetivo conhecer e compreender o povo amazônico.


GILVANDRO TORRES

 Gurupá é um dos municípios mais antigos do estado do Pará, localizado na região do Baixo Amazonas, às margens do rio Amazonas.Fundado no período colonial

Gurupá teve grande importância estratégica e militar durante a ocupação portuguesa. 

O Forte de Santo Antônio de Gurupá é um dos principais símbolos históricos da cidade. 

A cidade foi ponto de disputa entre portugueses, holandeses e ingleses no século XVII.

Gurupá possui pesquisadores, professores e escritores locais que se dedicam à preservação da história e da identidade amazônica, valorizando narrativas que não aparecem nos livros oficiais. 

A produção cultural local fortalece o sentimento de pertencimento e resistência cultural. Gurupá representa a Amazônia histórica e viva, onde passado colonial, cultura tradicional e desafios contemporâneos convivem.


GILVANDRO TORRES

Olhar ribeirinho

Rio mararu em Gurupá

12/16/2025

 A vida nos ensina o verdadeiro valor de algumas pessoas, e ao mesmo tempo, a verdadeira face de outras.

Não se deixe arrastar pela vaidade.

 Aprenda a conhecer-se. 

Não se julgue indispensável. 

Quando vier a tentação de julgar-se insubstituível, lembre-se de uma verdade irrefutável: só Deus é indispensável. 

Não se envaideça! 

Deus, que é grande, não assinou nenhuma de suas obras... 

Não se esqueça: quem se exalta será humilhado, mas quem se humilha será exaltado. 

Cada um recebe de acordo com o que dá. Se você der ódios e indiferenças, há de recebê-los de volta. 

Mas se der atenção e carinho, há de ver-se cercado de afeto e Amor. 

Ninguém se aproxima do espinheiro, por causa dos espinhos, nem do lodo, porque suja. 

Mas todos apreciam permanecer perto das flores, que espalham beleza e perfume.



 













FRENTE DE GURUPÁ- GILVANDRO TORRES-2014


Nomes das ruas de Gurupá- GILVANDRO TORRES

 Atualmente, a cidade ganhou outras ruas e travessas que com o crescimento da cidade, foram necessárias abrir outras ruas e criar suas denominações, entre as quais destacamos 

Rua Alda Monteiro dos Santos em homenagem unicamente por esta senhora ser mãe do atual prefeito de Gurupá Raimundo Nogueira

Rua João Paulo II – justa homenagem ao falecido papa da igreja católica Karol Hoitylla

Rua Mariocay em homenagem a tribo indígena do mesmo nome que marcou na história da colonização desta cidade. 

Trav. Brasil Norte em homenagem a antiga serraria que funcionou em Gurupá na década de 80

Rua Dico Dias – Justa homenagem ao saudoso Raimundo Ribeiro Dias que tanto contribuiu com a saúde do povo de Gurupá, sendo considerado por muitos o patrono da saúde deste município. 

Rua São José – Justo homenagem ao Santo Padroeira da igreja católica no mundo inteiro. 

Travessa Barradinha – batizada com este nome devido na entrada da travessa morar um senhor que tem este pseudônimo. 

Travessa do Alfinete – também esta travessa assim foi batizada por morar um senhor nesta travessa que atende por este apelido. 

Trav. 11 de Novembro – justa homenagem a data da emancipação política de Gurupá, dia em que Gurupá ganhou foros de cidade. 

Rua Tiradentes – Justa homenagem ao mártire da história brasileira Joaquim José da Silva Xavier que tive seu corpo esquartejado e pendurado em postes nas estradas que vão de Belo Horizonte até a cidade do Rio de Janeiro.




 Eles fizeram a Diferença 

Intendente Wortingenr Castelo Branco (inaugurou o prédio da prefeitura municipal). 

Mário da Silva Machado (construiu a 1ª usina de Gurupá ―Força e Luz‖). 

Wilson Lima (Construiu o Trapiche Municipal e a Praça Mariocay em 1959). Wilson Benathar (Construiu o Mercado Municipal, atual Biblioteca e o Grupo Escolar Prof. Dr. Jaime Aben-Athar — Clube de Mães). 

Oscar José dos Santos (construiu a Casa de Saúde de Gurupá). 

José Vicente de Paula Barreto Melo (Construção da Delegacia, Coletoria, reformou o Forte de Santo Antonio, inaugurou o 1º sistema de água na cidade, inaugurou o sistema elétrico da Celpa, reformou o Trapiche Municipal, aquisição de uma caçamba, construção do Fórum, residência da juíza e instalou o sistema de telefonia Telepará). 

Jorge Palheta de Souza, (construção do Marcílio Dias e caz de arrimo em frente a cidade). Juvenal do Vale Tavares, (construção / asfaltamento das Av. São Benedito e Santo Antônio).

Benedita Cecília Palheta Pereira, (Construiu o B/M Gurupá, asfaltou várias ruas e travessas ao longo de seus dois mandatos, deu apoio a cultura gurupaense — Festival do Camarão, 07 de setembro, Guarda Miri, Concurso de Quadrilhas). 

Esmeraldina Nunes dos Santos, (implantou o sistema de organização modular de ensino — SOME, aquisição de caminhões para o transporte dos colonos e limpeza pública, construção da Secretaria de Saúde, Semae e residência oficial do prefeito, reformou o B/M Gurupá). 

Moacir Alho, (construção da Escola Raimundo Ribeiro Dias, alfabetização de mais de 600 pessoas, realização dos Projetos Gavião 1 e 2, reforma da Escola Mariocay, construiu o primeiro escolão do município — Manoel Januário Nunes, aquisição de uma lancha voadeira). 

Raimundo Nogueira, revitalização do prédio da prefeitura, inauguração prédio da câmara municipal, ginásio municipal, estádio municipal, casa da cultura, ruas asfaltadas, ruas aterradas, escolas revitalizadas e construídas no meio urbano e rural e pagamento do funcionário em dias, concurso publico e dialogo transparente com as entidades de classe. 

Fonte:Alaércio Gonçalves dos Santos

Biografia JOSE VICENTE EX PREFEITO DE GURUPÁ- GILVANDRO TORRES

 
Biografia 

José Vicente de Paula Barreto Mello

Foi o segundo filho de Clodoveu Araújo Mello e Ignácia Barreto da Fonseca ( filha do Intendente Francisco Cardoso da Fonseca nomeado por D. Pedro II) e nasceu em Gurupá/PA, em 1932. Vítima de impaludismo  (malária), seu pai morreu muito jovem, deixando esposa e dois filhos. Cleto e José Vicente, criados com as dificuldades de uma viúva nos anos de 1930. José Vicente estudou e tornou-se Enfermeiro e Laboratorista, indo trabalhar na Fundação SESP, no posto de saúde se Gurupá. Logo constituiu família, com Maria Raimunda Santos Fernandes Mello, e juntos tiveram 04 filhos. Nos meados da década de 1960, por insistência de amigos e familiares, ingressou na política, sendo eleito prefeito de Gurupá/PA em 1967 pela então Arena, em época na qual o cenário nacional comportava 2 Partidos políticos Arena e MDB. Seu primeiro ato administrativo foi pagar os salários dos funcionários municipais com dinheiro em espécie, direito há muito esquecido pelos chefes do executivo municipal, pois naquela época havia se tornado comum o uso de vales para o comércio local. José Vicente foi prefeito de Gurupá por 2 mandatos. Ao longo desse tempo suas obras mais relevantes foram.

. Levar energia elétrica e água encanada à população.

. Aquisição de caminhão, barco e camionete para os trabalhos da Prefeitura e atendimento de necessidades da população de forma gratuita, visto que até então o Município não possuia veículos próprios para execução de obras.

. Calçamento das ruas, feitas em cimento e concreto branco, que por muitas décadas se tornaram marcas da cidade. Embora hoje em dia esquecidas as ruas claras traziam charme e identidade própria às ruas gurupaenses.

. Construção de escolas públicas e aquisição de seus equipamentos em todo o Município de Gurupá/PA, tanto na zona urbana quanto nas zonas rurais próximas e distantes.

. Hospital na sede do Município.

. Construção da Biblioteca Pública Municipal de Gurupá 

. Restauração de prédios públicos Prefeitura, Forte, Praça Mariocay, Mercado e Trapiche Municipal.

. Criou e instituiu através de lei os símbolos do Município, Bandeira e Brasão inspirados nas riquezas e distritos do Município.

Fonte: família Barreto Mello


As Cebs de Gurupá e suas intervenções sociais- GILVANDRO TORRES

 As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) em Gurupá, Pará, surgiram em 1972 sob liderança do padre italiano Giulio Luppi, organizando cerca de 79 a 88 grupos em áreas urbanas e ribeirinhas, divididos em 11 setores paroquiais da Paróquia de Santo Antônio. 

Essas comunidades promoveram conscientização social inspirada na Teologia da Libertação, questionando concentração de terras por poucas famílias e incentivando reflexão crítica sobre relações patrão-freguês.​

Padre Giulio Luppi revolucionou a paróquia ao formar CEBs como espaços de celebrações litúrgicas e formação política para ribeirinhos e trabalhadores rurais, evoluindo de irmandades tradicionais para grupos de base centrados nos pobres. 

Elas integravam fé e análise da realidade local, com comunidades como Santa Maria do Arinhoá e Nossa Senhora de Nazaré atuando como núcleos ativos. Até hoje, as CEBs persistem, com 84 grupos na paróquia, fortalecendo presença eclesial na Amazônia.​

As CEBs impulsionaram educação popular freiriana, promovendo "leitura do mundo" para jovens e adultos, além de lutas por libertação e dignidade, combatendo exploração e desigualdades. Contribuíram para a criação da Casa Familiar Rural em 2000, focada em formação integral de jovens rurais, e movimentos como o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR). 

Essas ações transformaram o espaço cultural caboclo, fomentando sindicalismo, educação alternativa e resistência social em Gurupá.​

Intervenções das CEBs geraram mudanças na vida dos gurupaenses, como maior autonomia ribeirinha, formação de lideranças locais e projetos educacionais que articulam trabalho, fé e cidadania. 

No contexto amazônico, essas ações conectam-se a desafios atuais de moradia e sustentabilidade, alinhando-se a interesses pastorais locais.














As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) em Gurupá influenciaram profundamente a organização sindical ao promover formação política inspirada na Teologia da Libertação, conscientizando ribeirinhos e trabalhadores rurais sobre exploração pelo sistema de aviamento e concentração de terras por latifundiários. Iniciadas em 1972 pelo padre Giulio Luppi, as CEBs questionavam relações patrão-freguês durante celebrações e encontros, fomentando reflexão crítica e organização autônoma sem violência.​ Lideranças como Manoel do Carmo emergiram das CEBs, participando de seminários que integravam teoria religiosa a vivências em sindicatos e movimentos sociais, preparando-os para desafiar o STR inicial (fundado em 1975 como "pelego", ligado ao regime militar). As CEBs articularam com a paróquia para realizar encontros de lavradores, produzindo cartilhas sobre direitos à terra e necessidade de sindicato independente. Isso gerou chapas de oposição sindical em 1982, 1986 e 1987, culminando na vitória oposicionista em 1987, com saída de patrões e assunção comunitária da sede do STR.​ Com participação ativa das CEBs e STR, extinguiu-se o aviamento, reconhecendo direitos de propriedade rural e permitindo venda livre de produção, fortalecendo autonomia camponesa. Em 1989, seminário conjunto discutiu "Trabalhadores rurais em busca de alternativas", planejando projetos como "Bem Te Vi" e Casa Familiar Rural (2000), integrando educação popular freiriana à luta sindical. Essa aliança impulsionou eleições de líderes rurais, como Moacir Gonçalves Alho (prefeito em 1992 pelo PT), e avanços em assistência técnica, alfabetização e qualificação.​ A influência das CEBs no STR transformou Gurupá, promovendo sindicalismo crítico, redução do êxodo rural e práticas sustentáveis como manejo agroecológico, alinhadas a interesses pastorais locais de justiça social e moradia digna.​ 

A formação nas CEBs gerou líderes como Manoel Francisco Evangelista de Matos e Edgar Pantoja, que emergiram de encontros comunitários para desafiar o controle local de dez famílias dominantes, sem violência, mas com organização coletiva. 

Esses quadros participaram de seminários que integraram reflexão bíblica a lutas por direitos, pavimentando a eleição de Moacir Gonçalves Alho, trabalhador rural do PT, como prefeito em 1992 – marco histórico de um camponês no poder municipal.​ As CEBs influenciaram eleições ao fortalecer o STR oposicionista (vitória em 1987) e articular com movimentos sociais, criando espaços públicos de decisão que contrariaram lógicas clientelistas regionais, como conselhos e Lei Orgânica de 1990 com artigos culturais (208-213). 

Essa dinâmica resultou em gestões contra-hegemônicas pós-1988, com municipalização educacional participativa e avanços em assistência técnica rural, elevando a participação popular nas urnas contra patrimonialismo.​ 

O processo das CEBs transformou eleições em Gurupá em arenas de resistência, com PT forte até recentemente e ênfase em projetos para o campo, alinhando-se a demandas por moradia e sustentabilidade no Xingu.

As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) em Gurupá impactaram a distribuição de terras ao conscientizar ribeirinhos e camponeses sobre a concentração fundiária por dez famílias latifundiárias, promovendo reflexão crítica sobre o aviamento e posseiros via encontros freirianos desde 1972. Essa formação questionou o controle oligárquico, fomentando demandas por reforma agrária sem violência, mas com organização autônoma.​

Mudanças na Posse de Terras
Articuladas ao STR oposicionista (vitória em 1987), as CEBs impulsionaram a extinção do aviamento, reconhecendo direitos de propriedade rural para pequenos produtores e permitindo venda livre de produção, o que ampliou autonomia camponesa e reduziu dependência de patrões. Lideranças como Manoel do Carmo, formadas nas CEBs, participaram de seminários que geraram cartilhas sobre direitos à terra, resultando em avanços na Lei Orgânica municipal (1990) com proteção cultural e territorial.​

Conflitos Locais Gerados
As CEBs intensificaram conflitos ao desafiar elites rurais, gerando chapas sindicais oposicionistas (1982-1987) e polarização entre trabalhadores e latifundiários, com tensões em assembleias e ocupações simbólicas de espaços públicos. Apesar de não promoverem invasões diretas, sua influência no PT local (eleição de Moacir Alho em 1992) exacerbava disputas por assistência técnica e titulação, alinhando-se a lutas CPT na Amazônia.​

Legado na Região
O impacto perdura em projetos como Casa Familiar Rural (2000) e manejo agroecológico, mitigando êxodo rural, mas expondo quilombolas e ribeirinhos a pressões fundiárias atuais, conectadas a demandas por moradia digna no Xingu.


 


























12/15/2025























FOTO: FORTE SANTO ANTÔNIO DE GURUPÁ-2014 AUTOR GILVANDRO TORRES

 O sinal da cruz é um dos gestos mais importantes da fé cristã. Ele não é apenas um costume ou tradição, mas um verdadeiro ato de fé cheio de significado espiritual e teológico.

Principais significados do Sinal da Cruz:

Profissão de fé na Trindade

Ao dizer: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, proclamamos a fé no Deus Uno e Trino. O gesto é feito invocando o nome de Deus, não apenas “em nomes”, mas em nome, porque Deus é um só em três Pessoas.


Memória da Redenção

O movimento da mão lembra a cruz de Cristo, sinal do amor e da entrega de Jesus para salvar a humanidade. É como se disséssemos: “Eu me coloco debaixo da cruz de Cristo e assumo sua vitória sobre o pecado e a morte”.


Sinal de bênção e proteção

Desde os primeiros séculos, os cristãos faziam o sinal da cruz pedindo proteção contra o mal. É uma forma de consagrar a si mesmo, os outros e até os objetos a Deus.


Confissão pública da fé

Fazer o sinal da cruz é testemunhar diante do mundo que pertencemos a Cristo. É um gesto de identidade cristã.

Recordação do Batismo

O sinal da cruz retoma a marca do Batismo, quando fomos consagrados à Santíssima Trindade. Cada vez que o fazemos, renovamos esse compromisso.


Sentido do gesto

Na testa: peço que minha mente esteja em Deus.

No peito: que o amor a Cristo habite meu coração.

Nos ombros: que eu carregue com fé e coragem a cruz da vida.

Assim, o sinal da cruz expressa a totalidade da pessoa – mente, coração e corpo – entregue a Deus.




 DATAS E INFORMAÇÕES SOBRE A PARÓQUIA SANTO ANTÔNIO DE GURUPÁ

O Apostolado da Oração foi fundado em Gurupá em 1908. 

A Paróquia Santo Antônio de Gurupá foi erguida em 1693, sendo a segunda do estado do Pará.  

A Igreja matriz de Santo Antônio foi erguida em 1864 somente no ano de 1948 foi incorporada na Prelazia do Xingu em 2019 foi elevada canonicamente a Diocese de Xingu-Altamira pelo Papa Francisco sendo incorporada à Província Eclesiástica de Santarém.

A chegada do padre italiano Giulio Luppi em 1971, criando e fundando as Cebs em Gurupá em 1972. 

Em 1973 foi realizada a primeira Semana Catequética paroquial. 

Em 1975 foi criado o Conselho Pastoral Paroquial

1984 foi organizado o movimento de mulheres de Gurupá. 

Em 1985 deu-se início aos estudos bíblicos-CEBI. 

Em 29 de março de 1986 foi afundado o barco Livramento da Paróquia por motivação política, sendo resgatado em 14 de janeiro de 1988. 

O primeiro encontro de jovens da Pastoral da Juventude foi no ano de 1986. 

Em 2002 foi organizado pela Irmã Paulina a Pastoral Infância e Adolescência missionária, somente em 2006 ocorreu o primeiro encontro. 

Dom Frei João Muniz Alves, OFM com a instalação da Diocese e posse do Bispo ocorreu em 1°/02/2020, em Altamira. 

Posse do Pároco Aderney Gemaque Leal no dia 06 de maio de 2022. 

Chegada do Pe. Amaro como Padre Cooperador da Paróquia St. Antônio de Gurupá.

Em 2022 a Paróquia completou jubileu das Cebs em Gurupá, 50 anos de organização, fé e vivência comunitária.

1º Encontro da Pastoral do dízimo- 2023

50º Semana catequética-2024

TEXTE E PESQUISA: GILVANDRO TORRES


 Na Bíblia, Ruah é comparado ao temperamento humano. O vento invisível é comparado à disposição mental do ser humano, e os efeitos visíveis do vento são comparados à ação humana. 

Na Igreja Católica, o termo "Espírito" traduz o termo hebraico "Ruah". Jesus usou a imagem do vento para sugerir a Nicodemos a novidade transcendente do Espírito divino. No relato da Criação em Gênesis 1,1, se diz que a Ruah Divina vibrava sobre as águas. 

O princípio básico de uma vida plena, em comunidade e de uma sociedade justa para todos e todas é a busca do bem viver, dentro de uma ecologia integral

Sonhamos uma igreja empenhada em levar o conhecimento para as pessoas sobre a construção de igualdades entre os povos e etnias, e que esteja em harmonia com as pessoas e comunidades, praticando a compreensão, a partilha e o fortalecimento da espiritualidade. 

Sendo uma Igreja em Saída e Sinodal que cuida e protege, na busca de vida plena para todas as pessoas no aqui e agora da história; Na Bíblia, a expressão "novo céu e nova terra" significa a transformação radical do universo físico atual, com a restauração da criação e a libertação do pecado. 

Que a Ruah com seu sopro de vida nos fortaleça a tecer novo e nova terra (Is 65.17ss). Ninguém é excluído dessa missão. 

Em virtude do sacramento do batismo, todos os membros da Igreja são missionários(a). A Igreja sinodal é uma Igreja da escuta, com a consciência de que escutar é mais do que ouvir. 

É uma escuta recíproca em que cada um tem algo a aprender. Ter ouvidos, ouvir, é o primeiro compromisso. Trata-se de ouvir a voz de Deus, colher a sua presença, interceptar a sua passagem e sopro de vida. 

Construir no coletivo e caminharmos juntos no processo do Diálogo fraterno e da Conscientização de ser Igreja na Sinodalidade, com rosto Amazônico

Com as portas abertas para o acolhimento na Fé, Esperança e na Alegria do Evangelho de Cristo.

 O Papa Francisco comparou a Igreja com a água. “Se a água não corre no rio, fica estagnada e adoece. A Igreja quando sai, caminha, se sente mais forte”.

 Um tempo de desafios, mas de esperança, onde sob a proteção dos nossos padroeiros Santo Antônio de São Benedito “saibamos escutar as indicações preciosas do Espírito Santo de Deus para novos passos essenciais para o compromisso em levar a concretização da Igreja Sinodal”. 

A Igreja no Xingu no caminho da Sinodalidade. 

As sementes foram jogadas em solo fértil. O esperançar foi plantado. 

A palavra de Deus quando ela é compartilhada ela orienta, restaura e refaz nossa força alimentada na espiritualidade. 

Jesus é o cumprimento e anunciação libertadora. Alimentados pela fé e pela Eucaristia. O senhor Jesus Cristo nos chama e transforma toda nossa vida. 

A conversão de São Paulo é um grande exemplo da manifestação da graça, transformação e renovação espiritual. 

Decisão de cada um como Batizado, ser seguidores de Cristo ressuscitado. 

A valorização da cultura quilombola envolve a preservação das tradições e conhecimentos ancestrais, a participação da comunidade na definição da produção e a interação com outras comunidades. 

Identidade cultural do povo quilombola, buscando a interação da comunidade no resgate da origem e da História do Quilombo. 

A manutenção dessas populações em seus territórios originais e a valorização da sua expressão favorece o fortalecimento da identidade dessas comunidades. 

Com a participação dos quilombolas na definição da produção, espera-se que sejam recuperadas histórias e métodos de agricultura tradicional daquela comunidade. 

 O historiador contemporâneo, ao pesquisar e escrever a partir de diversas fontes documentais, deve considerar a importância de uma abordagem crítica e reflexiva, levando em conta a diversidade de perspectivas e interpretações possíveis. 

Além disso, é fundamental que o historiador esteja atento às questões éticas envolvidas na pesquisa histórica, como a preservação da privacidade e dos direitos dos indivíduos e grupos estudados, bem como a necessidade de evitar a reprodução de preconceitos e estereótipos, por fim, é importante que o historiador esteja aberto ao diálogo com outras áreas do conhecimento, como a antropologia, a sociologia e a filosofia, a fim de enriquecer sua compreensão do passado e do presente.

TEXTO E PESQUISA: GILVANDRO TORRES