Gurupá é um município localizado no estado do Pará, no norte do Brasil. Está situado na margem direita do rio Amazonas, próximo à confluência com o rio Xingu, na região do Marajó.
O município apresenta coordenadas aproximadas de latitude 1°24'18" Sul e longitude 51°38'24" Oeste, com altitude média de cerca de 5 a 20 metros. Faz parte da microrregião de Portel e mesorregião do Marajó.
Gurupá fica a nordeste do Pará, a cerca de 77 km ao norte-leste de Porto de Moz, e é cortado pela Ilha Grande de Gurupá, a segunda maior ilha do delta do Amazonas.
Inclui distritos como Carrazedo e Itatupã. Possui uma área de aproximadamente 8.540 km², integrando a zona fisiográfica do Marajó e Ilhas.
Gurupá, no Pará, possui clima equatorial úmido, quente o ano todo, com alta umidade e duas estações bem definidas: chuvosa (meses dezembro a maio) e menos chuvosa (no meses de junho a novembro).
As temperaturas variam pouco, com mínimas entre 23-25°C e máximas de 28-32°C mensalmente, sendo agosto e setembro os mais quentes (até 31-32°C). A sensação térmica é opressiva devido à umidade constante acima de 80%.
A pluviosidade anual supera 2.000 mm, com pico em março-abril (até 372 mm/mês) e mínimo em setembro (32 mm). Chuvas são intensas na estação úmida, influenciadas pela zona de confluência intertropical.
Ventos predominantes do nordeste, céu frequentemente encoberto (mais no inverno) e pouca variação na duração do dia (12 horas).
Proximidade do rio Amazonas e a várzeas sujeitas a cheias sazonais afeta o microclima local.
O município de Gurupá, no Pará, apresenta relevo predominantemente plano e inexpressivo, típico da Planície Amazônica, com altitude média de 16 metros na área municipal e sede a cerca de 20 metros acima do nível do mar. Suas variações altimétricas vão de mínimas negativas (-8 m, em áreas alagadas) a máximas de 286 m, influenciadas pela proximidade do rio Amazonas e ilhas do delta.
O relevo é moldado por sedimentos aluvionares quaternários na Ilha Grande de Gurupá e sedimentos terciários da Formação Barreiras ao sul, resultando em baixos terraços e várzeas.
A topografia é homogênea, com pouca variação, inserida na zona fisiográfica de Marajó e Ilhas.
Essa configuração favorece inundações sazonais devido à hidrografia dominante do Amazonas.
A estrutura geológica reflete a Ilha de Marajó, com solos aluviais e concrecionários lateríticos, promovendo relevo suave sem serras expressivas.
O corte longitudinal pela Ilha Grande de Gurupá (4.864 km²) acentua planícies aluviais, com canais como Norte e Gurupá moldando o terreno.
Gurupá, no estado do Pará, é banhado principalmente pelo rio Amazonas e pelo rio Xingu, na região do delta amazônico.
O município está na margem direita do rio Amazonas, logo abaixo da foz do rio Xingu, com a sede municipal nessa confluência estratégica.
A Ilha Grande de Gurupá, segunda maior do delta do Amazonas com 4.864 km², divide longitudinalmente o território municipal. Comunidades ribeirinhas se destacam nos rios Ipixuna, Mararu, Moju, Marajoí, Pucuruí e Gurupá-Miri, que servem como vias de acesso e sustento local. Distritos como Carrazedo e Itatupã reforçam a importância hidroviária, conectando Gurupá a Porto de Moz e Santana (AP).
Esses rios influenciam o abastecimento de água, com 34,1% da população dependendo de rede geral e o restante de poços ou fontes alternativas. O rio Amazonas forma a margem direita onde fica a sede municipal, logo abaixo da confluência com o Xingu, delimitando a Ilha Grande de Gurupá.
O rio Xingu deságua no Amazonas nessa região, influenciando o regime hídrico local e comunidades ribeirinhas.
Esses cursos d'água sustentam a pesca e o transporte hidroviário essencial à região.
A Ilha Grande de Gurupá, segunda maior ilha do delta do Amazonas com cerca de 4.864 km², é formada pelos canais do rio Amazonas.
O rio Amazonas se divide em dois grandes canais ao redor da ilha: o Canal do Norte e o Canal de Gurupá (ou Canal do Sul), que a circundam longitudinalmente, criando essa formação insular estratégica na confluência com o rio Xingu.
Na margem direita do Canal de Gurupá, destacam-se os rios Pucumí, Marajó e Camutá, enquanto na própria ilha nascem rios como Mojoí (ou Moju), Tauarí e Baquiá Preto, além de furos como Urucuricaia e Macacos que conectam essas vias hídricas.
Esses cursos d'água sustentam a navegação e as comunidades ribeirinhas do município.
Gurupá, no Pará, apresenta uma vegetação diversa influenciada pelo clima equatorial úmido e pela hidrografia amazônica.
A floresta densa de planície aluvial domina a Ilha Grande de Gurupá e ilhas vizinhas, com subtipos densos em relevo aplainado ao norte. Florestas de palmáceas, especialmente buritizeiros, ocorrem em áreas deprimidas e inundadas.
Pequenas áreas aluviais campestres aparecem na ilha, além de formações pioneiras em várzeas com influência fluvial. Na região, há Floresta Ombrófila Densa em unidades de conservação como a RESEX Gurupá-Melgaço.
Gurupá, no Pará, abriga espécies nativas típicas da floresta amazônica de várzea, com ênfase em palmeiras e árvores de alto valor econômico e ecológico.
Açaí (Euterpe oleracea) é amplamente explorado para fruto e palmito, essencial na economia local e na dieta ribeirinha. Buriti (Mauritia flexuosa) e buçu prevalecem em áreas inundadas, formando formações densas em reservas como Gurupá-Melgaço. Pupunha também é comum em extrativismo sustentável.
Espécies como maçaranduba (Manilkara huberi), jatobá (Hymenaea courbaril) e cupiúba (Goupia glabra) são as mais exploradas legalmente na região, destacando-se no Baixo Amazonas. Goiabeira e outras frutíferas nativas contribuem para a biodiversidade em florestas de planície.
Vegetação de várzea inclui formações aluviais com gramíneas e arbustos adaptados a inundações sazonais.
Exploração madeireira foca em espécies de alto volume, mas manejo sustentável é priorizado em unidades de conservação.
Gurupá, no Pará, cultiva diversas frutíferas nativas amazônicas em sistemas agroflorestais, quintais e roças familiares, adaptadas à várzea do rio Amazonas:
• Açaí (Euterpe oleracea): Principal espécie cultivada para frutos e palmito.
• Cupuaçu (Theobroma grandiflorum): Usado em sucos e doces, de alto valor econômico.
• Taperebá (Spondias mombin): Fruto sazonal consumido in natura ou em bebidas.
• Jenipapo (Genipa americana): Polpa para sucos e fermentados tradicionais.
• Goiabeira (Psidium guajava): Integrada em arborizações e cultivos locais.
• Ingá (Inga edulis): Para sombreamento e frutos doces em consórcios.
• Pupunha (Bactris gasipaes): Cultivada para frutos e palmito em manejo sustentável.
Hoje, a economia de Gurupá depende muito da natureza: pesca artesanal, extrativismo, agricultura de subsistência, coleta de frutos (como açaí), além de atividades de floresta e comércio local.
A região é majoritariamente ribeirinha e as vias fluviais — rios, canais e furos — são a principal forma de comunicação entre a sede, comunidades ribeirinhas e outras cidades da região.
Gurupá testemunha fases distintas da história amazônica: ocupação indígena; colonização holandesa; conquista e ocupação portuguesa; formação de vilas e cidades; economia de extrativismo; transformações socioeconômicas da Amazônia.
A presença de sítios arqueológicos e patrimônio histórico preservado — como o Forte de Santo Antônio, torna Gurupá uma peça-chave para estudos sobre ocupação humana, miscigenação cultural e história da colonização na Amazônia.
A história local reflete também as dinâmicas naturais da região: rios, várzeas, ilhas, comunidades ribeirinhas — e a forte relação entre população e ambiente amazônico.

















































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