Encantador
és tu Marajó, a vida passa devagar, nesta correnteza, com seu tempo tão
particular no olhar do barqueiro, cresce e vendo, seus portos imaginários
atraca os barcos, com todos os sonhos no porão. Destas pequenas embarcações,
calafetadas de zarcão, os trapiches de madeira, à beira do rio com olhar
ribeirinho.
Atravessam
nas noites de ventos, as redes balançando no convés e a proa desbravando essas
águas inquietas do verão amazônico. Deste trapiche, somente a despedida,
aqueles que viajam, por esse rio de saudade, tão natural quanto o tempo que
passa e nunca para. No trapiche rios que se transformam em rua, um vai e vem de
embarcações, cada imagem vira poesia, no cotidiano ribeirinho das ilhas.
As
pessoas chegando bem cedinho e os barcos cruzando o rio tão vagaroso, sem
pressa, as águas vão cortando sua frente e nem fazem maresias neste imenso rio
de sonhos e esperança. Olhando este rio de saudade, vem uma lágrima em meu
olhar, sem palavras, uma perda que não sei explicar, nem consigo falar, sua
ausência tão grande. O barco vai
atravessar as veias dos seus rios e igarapés, enfrentando os impiedosos
invernos desta imensa Amazônia. Que me permite pensar na Intocável pintura,
rios que viram ruas em seus habitantes imaginários de um universo de pescadores
artesanais. Sonhos ilustrados em redes de pesca e barcos encantados num rio sem
ruas.
AUTOR: GILVANDRO TORRES


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