10/11/2025

 1998 fui para um longo exilio num cenário poético e reflexivo no rio mararú absorvendo novas experiências

Eu sempre estava indignado porque uns tinham e outros não, fui aluno frequentador da fundação Curro Velho no Telegrafo onde a cultura era arte em tudo que fazíamos, fiz alguns cursos e aprendi a pintar, conheci o outro lado do asfalto nessa época nas favelas da vila da barca onde mantinha amigos de infância, aquele cenário de pobreza me chocou vi de perto a desigualdade social e onde as pessoas trabalhavam em subempregos, crianças pedindo no sinal de transito, tráfico de drogas e meninas se vendendo nas esquinas, a policia estava corrompida e facilitava tudo.

Alguns amigos morreram nessa época outros viraram assaltantes e não tiveram tempo de contar suas histórias,


Enfim o sistema não me corrompeu e sobrevivi diante das coisas que aconteciam tinha que adquirir experiência e ideologicamente já estava inclinado ao socialismo ,está fuga que resultou na solidificação de minha convicção esquerdista.

Vivi tudo na minha adolescência e claro algo incontrolável e agitado está na capital paraense tudo era sonhos rebeldes sem causa onde decifrar a palavra liberdade era escrever uma poesia entorpecida por um som que virava a cabeça de uma geração, onde aprendi a respeita as diferenças e me arriscar intensamente.

Percebi uma sociedade consumista vendida pelo capitalismo a imagem de Che Guevara nas estampas de camisas. 

Afastei-me da religião e fiz um pacto comigo mesmo seria o mestre de minhas próprias situações.

Ocupei espaços indevidos num mundo que não era o meu, fui exilado para longe num cenário poético e reflexivo no rio mararú absorvi novas experiências, iniciei minha militância ainda jovem nas passeatas mais agora a natureza que via era uma nova história na foz do rio amazonas em 54 meses de minha vida, estive nas mobilizações estudantis e rurais, fui um líder estudantil, nunca escondendo minha visão política.

2002 em Macapá cenas que marcaram minha vida!

Cenas que marcaram essa campanha no meio do mundo, considerando uma Experiência pessoal muito importante. Não tínhamos hora para almoçar, nem para dormir. 

De dia estava nas periferias buscando e conquistando votos e lugares para colocarmos as placas conseguimos eleger Capiberibe para senado e com meu voto elegemos Lula para presidente do país, pela primeira vez um operário comandaria um país exausto desigualdade social e desemprego. 

Vi Lula então candidato de perto, afinal meu cunhado subiu no palanque para apoia Dalva(PT),para governo, ela perdeu para o gurupaense radicado no Amapá Waldez (PDT). 

Perdemos a campanha por contratempos e traições politicas, mais valeu muito a experiência e a convivência com este povo, o mais engraçado foi o parto que aconteceu no carro, a caminho do hospital, não deu tempo de chegar e meu cunhado que é médico fez o parto ali mesmo a beira da pista, eu e minha irmã Mariana ajudamos,

Cenas e situações que nunca esqueceria. Foi dias de sufoco, ainda recordo com saudades, daqueles dias que levamos parentes e amigos para o estado do Amapá para transferir o titulo de eleitor para este estado, levamos muitas pessoas e fomos para Gurupá de voadeira e de lá fizemos compras e alugamos um barco, eu e minha irmã Mariana Duarte. 

Chegamos em casa de madrugada e de manhã ia buscar o pessoal, o dia ia ser longo a viagem foi tranquila, mais estávamos viajando clandestinamente para Santana, ajudei a fazer a comida e chegamos a noite na cidade de Santana, solo amapaense depois pegamos um micro ônibus e fomos para Macapá onde alguns ficaram na casa da minha irmã Mariana e outros na casa da mãe dela, conheci meu irmãos que moravam na capital amapaense e para mim tudo era novidade, foi uma grande experiência ter participado dessa campanha de reeleição do meu cunhado Alexandre Torrinha à deputado estadual.

Uma fase de minha vida ricamente ilustrada, lugares que nunca tinha imaginado ir, perto do povo estava no caminho certo, fatos e situações que a vida me oferecia.

Toda essa experiência vivida em 54 meses foi base daquilo que vivi desde minha viagem para o rio mararú,  aquela viagem me causou um impacto no sentido de moldar minha personalidade, quando comecei a viver com o povo ribeirinho, não só aprendi muitas coisas da vida como me serviram para avaliar futuras decisões que tive que tomar. 

As lembranças dessas viagens maravilhosas que participei num momento especial de minha vida,
desde a ilha grande de Gurupá. Ficam em minha memória como testemunho de momentos intensos que a vida me privilegiou aos meus conterrâneos a quem tenho muito estima e afeto ofereço esses relatos como uma forma de dizer o quanto tenho orgulho de ser gurupaense.

O verdadeiro ouro dos ribeirinhos de Gurupá

Quando cheguei no Mararú o comércio de palmito, já tinha perdido o mercado devido às exigências sanitárias no exterior, exportava-se muito para França através de compradores do estado do Amapá. 

A maior parte da produção de palmito naquela região é direcionada ao fornecimento de fabriquetas clandestinas, que não possuem qualquer controle de qualidade. 

Isso foi o grande motivo do fechamento de grandes fábricas instaladas na região chamada de areião(Melgaço). 

A fiscalização e o não cumprimento das exigências e o desmatamento da região. 

Se a fruta e o palmito de açaí do estuário amazônico perderem mais mercado, a sobrevivência dos ribeirinhos da região pode até ser comprometida no caso de monocultivo de açaí, por isso muitos ribeirinhos do rio Mararú transformaram seus terrenos em plantações de açaí. 

O açaizeiro É uma planta que prefere os terrenos alagados e áreas úmidas. Por isso sua ocorrência é mais frequente nas margens dos rios, como na ilha grande de Gurupá e especial do Mararú e Mojú. Como floresce e frutifica o ano todo, é possível encontrar na mesma árvore, diferentes estágios de maturação, desde flores até frutos maduros.

Dessa árvore, que chega a 30 m. de altura e se aproveita-se tudo. As folhas são usadas para cobertura de casas; a madeira é usada em construções rústicas; as fibras das folhas para tecer chapéus, esteiras e ''rasas'', cestas utilizadas como medida padrão no transporte e comércio da fruta; os cachos secos são aproveitados como vassouras. 

Alimento básico das populações ribeirinhas da Amazônia. (diário pessoal-2002)




Nenhum comentário:

Postar um comentário