1/27/2026

 Bento Maciel Parente, como Capitão de Entradas e Descobrimentos, liderou expedições exploratórias no Grão-Pará e regiões adjacentes durante as décadas de 1609 e 1610-1620, focadas em mapear rios, construir fortificações e combater invasores.

Expedições Principais no Pará

1609: Nomeado Capitão de Entradas e Descobrimentos em São Vicente, Maranhão e Pará, iniciou prospecções iniciais na "Conquista do Pará", usando o Forte do Presépio (Belém, fundado em 1616 por Francisco Caldeira Castelo Branco) como base contra holandeses e ingleses.

​1616-1621: Explorou rios desaguando na baía de São Marcos (norte e sul de São Luís), rio Mearim e rio Pindaré; construiu o Forte da Vera Cruz do Itapecuru (próximo a Rosário-MA), seguindo táticas bandeirantes para expansão territorial.

1623: Liderou a expedição militar contra fortes holandeses de Muturu e Mariocai (foz do Xingu), com 70 soldados e mil indígenas, fundando o Forte de Santo Antônio de Gurupá como base para expulsões subsequentes no Baixo Xingu e rio Tapajós.

​Outras Ações Relacionadas

Em 1626, ofereceu-se para subir o Amazonas em busca de sua nascente, mas a proposta não se concretizou. Suas explorações, combinadas com Pedro Teixeira, fortificaram o Presépio e estenderam o controle português na Amazônia.

A Capitania da Fortaleza de Santo Antônio do Gurupá, também chamada capitania-fortaleza do Gurupá, foi criada em 1623 após Bento Maciel Parente destruir o forte holandês de Mariocai e erguer a fortificação portuguesa na foz do Xingu.

​Fundação e Propósito Estratégico

Estabelecida como capitania régia — não hereditária —, subordinava-se ao Estado do Grão-Pará e Maranhão, com capitães-mores nomeados pelo Conselho Ultramarino por três anos. 

Servia para controlar a navegação amazônica, defender contra invasores e explorar "drogas do sertão", integrando uma rede com fortes de Belém, Tapajós e Pauxis.

O Regimento de 1683, dado a André Pinheiro de Lacerda, regulava deveres como propagar a fé católica, proteger indígenas da escravidão, reprimir desertores e registrar canoas. 

Cargos eram disputados por lucros, passando por famílias locais até intervenções reais no final do século XVII para evitar abusos. Perdeu relevância no século XVIII com reformas pombalinas, sob Francisco Xavier de Mendonça Furtado, sendo absorvida pelo Grão-Pará; seu legado persiste na identidade de Gurupá como enclave defensivo colonial. A fortaleza de Gurupá, fundada em 1623 por Bento Maciel Parente, tinha importância estratégica vital na Amazônia colonial por controlar a confluência dos rios Xingu e Amazonas, bloqueando invasões holandesas, inglesas e francesas.

Controle Fluvial e Defesa

Localizada na Ilha Grande de Gurupá, servia como posto avançado para monitorar navegação amazônica, interceptar canoas contrabandistas de "drogas do sertão" (como guaraná e cacau) e formar rede com fortes de Belém, Tapajós e Pauxis. Resistiu a ataques em 1629 (ingleses) e 1639 (holandeses), garantindo soberania portuguesa na bacia.

Aspectos Econômicos e Militares

Além da defesa, fiscalizava comércio indígena e sesmarias, sendo valiosa para capitães-mores por lucros; no século XVIII, apesar de reconstruções falhas (1690, 1760), manteve relevância até reformas pombalinas centralizarem no Grão-Pará.




GILVANDRO TORRES

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