Nesta Terça‑feira da Semana Santa, Jesus
está à mesa com os discípulos, celebrando uma refeição fraterna, um momento de
comunhão. De repente, o clima muda: ele anuncia que um deles o trairá e que
Pedro o negará três vezes.
A Ceia é, também, sinal da
nossa comunidade de Gurupá, onde rezamos juntos, tomamos o mesmo pão, cantamos
as mesmas músicas, mas, às vezes, traímos a confiança do próximo, seja por
fofoca, por indiferença ou por falta de justiça.
A traição de Judas e as
traições de hoje
Jesus diz: “Um de vós me
entregará”. E é alguém que estava à mesma mesa, comendo do mesmo pão, da mesma
comida. Judas, que cuidava do dinheiro do grupo, recebe o pedaço de pão, sai
para trair o Senhor… e entra a noite.
Quantas vezes traímos Jesus
no rosto do pobre, do ribeirinho, do trabalhador que não tem direitos?
Quantas vezes traímos a
confiança de nossa comunidade por interesses pessoais, por favores políticos ou
por comodidade?
Pergunta
à assembleia:
“Em que situações, neste
Pará, neste Gurupá, eu também me torno como Judas, favorecendo a injustiça e o
mal‑estar dos que mais sofrer?”.
A
negação de Pedro e a nossa fraqueza humana
Pedro, impetuoso, diz: “Eu
darei a minha vida por ti!”. Mas Jesus, sem humilhá‑lo, responde com ternura
realista: “O galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes”. Isso nos
fala de presunção e humildade:
Muitas vezes, na missa, nos
sentimos fortes, mas, depois, na vida diária, nos escondemos de nossa fé por
medo de serem zombados, por medo de perder proveito, por medo de enfrentar a
verdade.
Muitas pessoas negam Jesus
ao ficarem caladas diante da destruição da natureza, da exploração do povo e da
corrupção. “Assim como Pedro negou Jesus, também nós negamos Cristo quando não
nos posicionamos em favor da vida, do povo e da terra.” Mesmo com a traição de
Judas e a negação de Pedro, Jesus afirma: “Agora foi glorificado o Filho do
Homem, e Deus foi glorificado nele”. A glória aparece não no poder, mas na
entrega; não na vitória fácil, mas na fidelidade até o fim. São cruzes de
trabalho duro, de injustiças, de expropriação da terra, de filhos que vão
embora buscando vida melhor.
Mas, mesmo nisso, Deus se
glorifica onde há amor, serviço, cuidado com a família e com a comunidade.
Jesus não fica preso somente
na traição e na negação: depois desse texto, ele anuncia o “novo mandamento”:
“Amai‑vos uns aos outros, como eu
vos amei”. Esse mandamento é o coração da nossa vida cristã aqui em Gurupá.
Peçamos a Deus a graça de
reconhecer onde traímos e negamos Jesus em nossa família, na comunidade, na
política local.
Decidamos, esta Semana
Santa, viver o novo mandamento:
Defendendo a vida da
Amazônia, não apenas com palavras, mas com ações concretas.
Acolhendo o pobre, o idoso,
o sofrido, o que chega à nossa igreja com a dor no coração.

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