3/30/2026

Evangelho (Jo 13,21-33.36-38)

 

Nesta Terçafeira da Semana Santa, Jesus está à mesa com os discípulos, celebrando uma refeição fraterna, um momento de comunhão. De repente, o clima muda: ele anuncia que um deles o trairá e que Pedro o negará três vezes.

A Ceia é, também, sinal da nossa comunidade de Gurupá, onde rezamos juntos, tomamos o mesmo pão, cantamos as mesmas músicas, mas, às vezes, traímos a confiança do próximo, seja por fofoca, por indiferença ou por falta de justiça.

A traição de Judas e as traições de hoje

Jesus diz: “Um de vós me entregará”. E é alguém que estava à mesma mesa, comendo do mesmo pão, da mesma comida. Judas, que cuidava do dinheiro do grupo, recebe o pedaço de pão, sai para trair o Senhor… e entra a noite.

Quantas vezes traímos Jesus no rosto do pobre, do ribeirinho, do trabalhador que não tem direitos?

Quantas vezes traímos a confiança de nossa comunidade por interesses pessoais, por favores políticos ou por comodidade?

Pergunta à assembleia:

“Em que situações, neste Pará, neste Gurupá, eu também me torno como Judas, favorecendo a injustiça e o malestar dos que mais sofrer?”.

A negação de Pedro e a nossa fraqueza humana

Pedro, impetuoso, diz: “Eu darei a minha vida por ti!”. Mas Jesus, sem humilhálo, responde com ternura realista: “O galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes”. Isso nos fala de presunção e humildade:

Muitas vezes, na missa, nos sentimos fortes, mas, depois, na vida diária, nos escondemos de nossa fé por medo de serem zombados, por medo de perder proveito, por medo de enfrentar a verdade.

Muitas pessoas negam Jesus ao ficarem caladas diante da destruição da natureza, da exploração do povo e da corrupção. “Assim como Pedro negou Jesus, também nós negamos Cristo quando não nos posicionamos em favor da vida, do povo e da terra.” Mesmo com a traição de Judas e a negação de Pedro, Jesus afirma: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele”. A glória aparece não no poder, mas na entrega; não na vitória fácil, mas na fidelidade até o fim. São cruzes de trabalho duro, de injustiças, de expropriação da terra, de filhos que vão embora buscando vida melhor.

Mas, mesmo nisso, Deus se glorifica onde há amor, serviço, cuidado com a família e com a comunidade.

Jesus não fica preso somente na traição e na negação: depois desse texto, ele anuncia o “novo mandamento”: “Amaivos uns aos outros, como eu vos amei”. Esse mandamento é o coração da nossa vida cristã aqui em Gurupá.

Peçamos a Deus a graça de reconhecer onde traímos e negamos Jesus em nossa família, na comunidade, na política local.

Decidamos, esta Semana Santa, viver o novo mandamento:

Defendendo a vida da Amazônia, não apenas com palavras, mas com ações concretas.

Acolhendo o pobre, o idoso, o sofrido, o que chega à nossa igreja com a dor no coração.

GILVANDRO TORRES

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