As CEBs (Comunidades Eclesiais de
Base), que sempre foram fermento de missão e justiça na América Latina, em uma Igreja
em Saída: ser uma Igreja missionária, aberta a todos, que caminha sem se
esconder, levando o Evangelho a periferias existenciais.
A sinodalidade é uma Dimensão
essencial da Igreja, promovendo participação e discernimento coletivo, nesse método
Ver-Julgar-Agir: Realidades nas dores do povo ribeirinho, pescadores,
quilombolas e povos originários, reorganizando as CEBs para ouvir e atuar.
Essa abordagem une teologia e
compromisso social, ecoando a tradição latino-americana de Medellín e
Aparecida.
No contexto amazônico, isso ganha
força ao valorizar as lutas locais contra a mineração ilegal e o desmatamento.
A Igreja não existe para se fechar em si mesma, mas para caminhar ao encontro das pessoas. Igreja “em saída” é a comunidade dos discípulos missionários que tomam a iniciativa, se envolvem, acompanham, frutificam e festejam.
Isso não é apenas um estilo
pastoral; é uma maneira de ser Igreja, aberta à escuta, ao discernimento e à
missão.
Quando falamos de sinodalidade,
falamos de uma Igreja que caminha junta.
Ou seja, não basta cada um fazer
sua parte isoladamente; é preciso ouvir o Espírito Santo na vida do povo,
sobretudo nos mais pobres, nas periferias e nas realidades feridas.
As Comunidades Eclesiais de Base
sempre souberam fazer isso muito bem.
O método ver, julgar e agir
ajudou gerações de cristãos e cristãs a ler a realidade à luz do Evangelho e a
transformar a vida concreta do povo.
Ver os sinais dos tempos, julgar com a Palavra de Deus e agir com coragem continua sendo um caminho fecundo para nossas comunidades.
Uma igreja aberta para a
realidade, através da teologia da libertação que interpreta os ensinamentos de
Jesus Cristo como libertador da opressão e injustiças.
Segundo o teólogo professor
Leonardo Boff, as comunidades eclesiais de base seriam um novo modo de ser
igreja e de experimentar a salvação comunitariamente, o lugar de encontro do
povo oprimido seriam capazes de "reinventar a igreja" a partir da fé
do povo.
O sofrimento dos servos de Jesus
está previsto, inevitável, mais faz parte da missão, pois é uma caminhada de fé
longa e cheio de desafios, ser servo de jesus cristo, significa um amor fiel,
quem aceita e responde este chamado como o Apóstolo Saulo se converteu renuncia
a sua autonomia se perder sua identidade, pelo contrário esta é a profunda conversão
que se encontra a sua verdadeira identidade.
Esta reflexão responde às
perguntas sobre a vivência comunitária: o meu papel na comunidade em que vivo;
meu compromisso com a caminhada e a minha necessidade de viver em comunidade.
De acordo com seu sentido
etimológico, o termo grego “sínodo” significa “caminhar juntos”, a sinodalidade
expressa a participação e a comunhão em vista da missão.
Como resposta a esta Igreja
Missionária no sentido de caminhar juntos na escuta e no diálogo,
proporcionando novas perspectivas de convivência ecumênica e inter- religiosa.
Nestas palavras o saudoso Papa
Francisco expressava que nos aproximarmos de Deus, estudar a Palavra e
fortalecer nossa fé, são passos importantes para viver em comunhão na Igreja,
buscando sempre ser cada vez melhor.
O esperançar é caminhar numa
Igreja de Xingu- Altamira como objetivo ser: Uma Igreja Missionária capaz de
anunciar a alegria do Evangelho, respeitando as culturas, que lute pela
Dignidade e Direitos dos pobres.
De modo que sua voz seja ouvida.
Essa é a conversão da vida em comunidade como uma ferramenta de transformação,
na medida em que seus membros vão participando intensamente das comunidades,
passa a conhecer suas necessidades e sua realidade.
Os questionamentos aparecem, essa
é a essência de viver em comunidade, as comunidades eclesiais de base são o
porto seguro para sua viagem, para tua caminhada, são através desses
questionamentos que se constrói o tecido seguro e resistente.
Vivência na comunidade:
·
a Igreja
povo, as Cebs são a presença mais linda, mais verdadeira, mais autêntica da Igreja
base.
·
Igreja do
povo. Com o trabalho evangelizador dentro das diretrizes da educação popular
percebe-se que o povo começa a ter consciência dos seus direitos e deveres na
sociedade e na família.
Para isso tem que viver
desprendido de bens materiais, viver a realidade, viver o dia a dia
fundamentado no verdadeiro evangelho como uma pessoa simples, popular,
trabalhadora, a serviço dos humildes e oprimidos.
O verdadeiro evangelho: “quando o
povo coloca sua esperança em deus ele responde com todo o seu amor” sl
34-(20.22) é aquele que vive o compromisso libertador, onde a igreja é do povo,
é a essência da comunidade.
É neste trabalho de conscientização
que se desenvolve o despertar crítico e o compromisso sociopolítico das
lideranças comunitárias.
Que cristo encoraje todos nós nesta reflexão:
vivência comunitária, onde um vive para o outro, pois é muito importante para
nós numa época em que as pessoas se submetem a este sistema capitalista, onde o
homem pensa tanto em ganhar em ter é preciso a gente pensar em ser e ser em
função dos outros.
Um olhar de irmãos onde perdura o
amor fraterno, justiça e a paz nas Comunidade Eclesial de Base no município de
Gurupá para isso é preciso viver um processo de conversão permanente, porque a
vida é um processo dinâmico onde ninguém nasce perfeito aos pouco se corrige,
nas quedas, nas falhas enfim somos imperfeitos.
Conversão: É retomar o caminho
que havia perdido, a conversão verdadeira nasce da fidelidade ao caminho, ao
projeto de vida.
É uma necessidade existencial
nesta linha de pensamento podemos observar as experiências da educação popular
como uma conversão e renovação espiritual só assim poderão entender com clareza
que uma caminhada da Cebs que dentro de um contexto de transformação social só
tem futuro se estiver fundamentada numa profunda experiência de formação
permanente.
O caminho sinodal se reveste de
uma necessidade diante dos desafios em que nos encontramos a enfrentar.
Quando Deus, chamou e
encontrou-se com Moisés no deserto vasto no monte Horebe e lhe disse:
“Certamente tenho observado a opressão e a miséria sobre meu povo no Egito,
tenho ouvido seu clamor, por causa dos seus feitores, e sei o quanto estão
padecendo.
Por esse motivo desci a fim de
livrá-los das mãos dos egípcios e tirá-los daqui para uma terra boa e vasta,
onde mana leite e mel, porque conheci as suas dores”(cf. Ex. 3).
Ecoa firme também o clamor na
Igreja da Amazônia, faz-nos lembrar do que lemos nos relatórios e escutamos
novamente do grito de clamor que nos vem nessa manhã, mas também faz nos
lembrar dos nossos mártires amazônicos: Pe Ezequiel, Ir Dorothy, Ir Adelaide,
Dema, Chico Mendes e tantos outros anônimos, porque nos faz compreender o valor
da missão batismal que interliga a fé e a vida pela profecia.
Todo cristão e cristã, que
carregaram em sua vida de missão e caminhada e, nos lembra que devemos carregar
também o dom de ser profeta, ou seja, de estarmos atento aos sinais dos tempos
na Amazônia, no Brasil e no mundo para anunciar os desígnios de Deus e denunciar
o que vai contra o plano de Deus, autor da vida e, portanto, tudo o que gera
morte.
É também a missão de todo filho e
filha amados de Deus. É uma missão encarnada na realidade, Igreja que se
entrosa com a realidade.
Paulo VI foi canonizado pelo Papa
Francisco em 14 de outubro de 2018, expressou em 1972: “Cristo aponta para a
Amazônia”.
A Igreja se faz carne e arma sua
tenda na Amazônia, no meio dos povos, de tal modo que aparece um rosto eclesial
bem definido. Isso nos leva a uma Igreja comunitária, orante misericordiosa e
missionária que interliga em sua ação, evangelização e a promoção humana.
“Uma Igreja em saída, que vai ao
encontro das periferias sociais, culturais e existenciais”, para que “todos
tenham vida plena”.
Ser Igreja sinodal é o esforço
coletivo e a busca contínua de aprendermos a “caminhar juntos”, como irmãos e
irmãs.
É um jeito de ser Igreja no qual
cada pessoa é importante, tem voz, é ouvida, capacitada e envolvida na
realização da missão.
Já não se trata de estarmos uns
acima dos outros, mas de nos colocarmos unidos para, juntos, fazermos a
experiência de fé diante dos desafios internos e externos que se apresentam em
nosso dia a dia.
Uma Igreja sinodal é uma Igreja
onde todo o povo de Deus caminha junto, onde todos(a), batizados discípulos
missionários, qualquer que seja a sua vocação, se reencontram na Igreja em
saída.
Os discípulos(as) tornam-se
missionários(as), a partir do encontro com Jesus Cristo, que é o missionário do
Pai.
Somente experimentando o seu
amor, podem anunciar o amor misericordioso de Deus que deseja abraçar a todos.
Como diz Apóstolo Paulo: "é o amor de Cristo que impulsiona".
O pilar central desse movimento é a Opção Preferencial pelos Pobres.
Abaixo, detalho os pontos
fundamentais para compreender esse conceito e diferente de uma simples caridade
ou assistência social, a "opção pelos pobres" é uma escolha ética
e teológica. Ela propõe que a Igreja deve olhar o mundo a partir da
perspectiva dos marginalizados.
- Pobreza
como Pecado Estrutural: Argumenta que a pobreza não é uma fatalidade
ou vontade de Deus, mas o resultado de estruturas econômicas e políticas
injustas (pecado social).
- Deus
Libertador:
Baseia-se na imagem bíblica do Êxodo, onde Deus ouve o clamor do povo
oprimido e intervém para libertá-lo da escravidão.
- Cristo Libertador: Jesus é visto como alguém que viveu entre os pobres e denunciou as opressões de sua época, tornando a libertação dos oprimidos a missão central da Igreja.
GILVANDRO TORRES

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