4/20/2026

GILVANDRO TORRES, a dimensão da SINODALIDADE na Igreja

As CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), que sempre foram fermento de missão e justiça na América Latina, em uma Igreja em Saída: ser uma Igreja missionária, aberta a todos, que caminha sem se esconder, levando o Evangelho a periferias existenciais.

A sinodalidade é uma Dimensão essencial da Igreja, promovendo participação e discernimento coletivo, nesse método Ver-Julgar-Agir: Realidades nas dores do povo ribeirinho, pescadores, quilombolas e povos originários, reorganizando as CEBs para ouvir e atuar.

Essa abordagem une teologia e compromisso social, ecoando a tradição latino-americana de Medellín e Aparecida.

No contexto amazônico, isso ganha força ao valorizar as lutas locais contra a mineração ilegal e o desmatamento.

A Igreja não existe para se fechar em si mesma, mas para caminhar ao encontro das pessoas. Igreja “em saída” é a comunidade dos discípulos missionários que tomam a iniciativa, se envolvem, acompanham, frutificam e festejam. 

Isso não é apenas um estilo pastoral; é uma maneira de ser Igreja, aberta à escuta, ao discernimento e à missão.

Quando falamos de sinodalidade, falamos de uma Igreja que caminha junta.

Ou seja, não basta cada um fazer sua parte isoladamente; é preciso ouvir o Espírito Santo na vida do povo, sobretudo nos mais pobres, nas periferias e nas realidades feridas.

As Comunidades Eclesiais de Base sempre souberam fazer isso muito bem.

O método ver, julgar e agir ajudou gerações de cristãos e cristãs a ler a realidade à luz do Evangelho e a transformar a vida concreta do povo.

Ver os sinais dos tempos, julgar com a Palavra de Deus e agir com coragem continua sendo um caminho fecundo para nossas comunidades.

Uma igreja aberta para a realidade, através da teologia da libertação que interpreta os ensinamentos de Jesus Cristo como libertador da opressão e injustiças.

Segundo o teólogo professor Leonardo Boff, as comunidades eclesiais de base seriam um novo modo de ser igreja e de experimentar a salvação comunitariamente, o lugar de encontro do povo oprimido seriam capazes de "reinventar a igreja" a partir da fé do povo.

O sofrimento dos servos de Jesus está previsto, inevitável, mais faz parte da missão, pois é uma caminhada de fé longa e cheio de desafios, ser servo de jesus cristo, significa um amor fiel, quem aceita e responde este chamado como o Apóstolo Saulo se converteu renuncia a sua autonomia se perder sua identidade, pelo contrário esta é a profunda conversão que se encontra a sua verdadeira identidade.

Esta reflexão responde às perguntas sobre a vivência comunitária: o meu papel na comunidade em que vivo; meu compromisso com a caminhada e a minha necessidade de viver em comunidade.

De acordo com seu sentido etimológico, o termo grego “sínodo” significa “caminhar juntos”, a sinodalidade expressa a participação e a comunhão em vista da missão.

Como resposta a esta Igreja Missionária no sentido de caminhar juntos na escuta e no diálogo, proporcionando novas perspectivas de convivência ecumênica e inter- religiosa.

Nestas palavras o saudoso Papa Francisco expressava que nos aproximarmos de Deus, estudar a Palavra e fortalecer nossa fé, são passos importantes para viver em comunhão na Igreja, buscando sempre ser cada vez melhor.

O esperançar é caminhar numa Igreja de Xingu- Altamira como objetivo ser: Uma Igreja Missionária capaz de anunciar a alegria do Evangelho, respeitando as culturas, que lute pela Dignidade e Direitos dos pobres.

De modo que sua voz seja ouvida. Essa é a conversão da vida em comunidade como uma ferramenta de transformação, na medida em que seus membros vão participando intensamente das comunidades, passa a conhecer suas necessidades e sua realidade.

Os questionamentos aparecem, essa é a essência de viver em comunidade, as comunidades eclesiais de base são o porto seguro para sua viagem, para tua caminhada, são através desses questionamentos que se constrói o tecido seguro e resistente.

 Vivência na comunidade:

·       a Igreja povo, as Cebs são a presença mais linda, mais verdadeira, mais autêntica da Igreja base.

·       Igreja do povo. Com o trabalho evangelizador dentro das diretrizes da educação popular percebe-se que o povo começa a ter consciência dos seus direitos e deveres na sociedade e na família.

Para isso tem que viver desprendido de bens materiais, viver a realidade, viver o dia a dia fundamentado no verdadeiro evangelho como uma pessoa simples, popular, trabalhadora, a serviço dos humildes e oprimidos.

O verdadeiro evangelho: “quando o povo coloca sua esperança em deus ele responde com todo o seu amor” sl 34-(20.22) é aquele que vive o compromisso libertador, onde a igreja é do povo, é a essência da comunidade.

É neste trabalho de conscientização que se desenvolve o despertar crítico e o compromisso sociopolítico das lideranças comunitárias.

 Que cristo encoraje todos nós nesta reflexão: vivência comunitária, onde um vive para o outro, pois é muito importante para nós numa época em que as pessoas se submetem a este sistema capitalista, onde o homem pensa tanto em ganhar em ter é preciso a gente pensar em ser e ser em função dos outros.

Um olhar de irmãos onde perdura o amor fraterno, justiça e a paz nas Comunidade Eclesial de Base no município de Gurupá para isso é preciso viver um processo de conversão permanente, porque a vida é um processo dinâmico onde ninguém nasce perfeito aos pouco se corrige, nas quedas, nas falhas enfim somos imperfeitos.

Conversão: É retomar o caminho que havia perdido, a conversão verdadeira nasce da fidelidade ao caminho, ao projeto de vida.

É uma necessidade existencial nesta linha de pensamento podemos observar as experiências da educação popular como uma conversão e renovação espiritual só assim poderão entender com clareza que uma caminhada da Cebs que dentro de um contexto de transformação social só tem futuro se estiver fundamentada numa profunda experiência de formação permanente.

O caminho sinodal se reveste de uma necessidade diante dos desafios em que nos encontramos a enfrentar. 

Quando Deus, chamou e encontrou-se com Moisés no deserto vasto no monte Horebe e lhe disse: “Certamente tenho observado a opressão e a miséria sobre meu povo no Egito, tenho ouvido seu clamor, por causa dos seus feitores, e sei o quanto estão padecendo.

Por esse motivo desci a fim de livrá-los das mãos dos egípcios e tirá-los daqui para uma terra boa e vasta, onde mana leite e mel, porque conheci as suas dores”(cf. Ex. 3).              

Ecoa firme também o clamor na Igreja da Amazônia, faz-nos lembrar do que lemos nos relatórios e escutamos novamente do grito de clamor que nos vem nessa manhã, mas também faz nos lembrar dos nossos mártires amazônicos: Pe Ezequiel, Ir Dorothy, Ir Adelaide, Dema, Chico Mendes e tantos outros anônimos, porque nos faz compreender o valor da missão batismal que interliga a fé e a vida pela profecia.

Todo cristão e cristã, que carregaram em sua vida de missão e caminhada e, nos lembra que devemos carregar também o dom de ser profeta, ou seja, de estarmos atento aos sinais dos tempos na Amazônia, no Brasil e no mundo para anunciar os desígnios de Deus e denunciar o que vai contra o plano de Deus, autor da vida e, portanto, tudo o que gera morte.

É também a missão de todo filho e filha amados de Deus. É uma missão encarnada na realidade, Igreja que se entrosa com a realidade.

Paulo VI foi canonizado pelo Papa Francisco em 14 de outubro de 2018, expressou em 1972: “Cristo aponta para a Amazônia”.

A Igreja se faz carne e arma sua tenda na Amazônia, no meio dos povos, de tal modo que aparece um rosto eclesial bem definido. Isso nos leva a uma Igreja comunitária, orante misericordiosa e missionária que interliga em sua ação, evangelização e a promoção humana.

“Uma Igreja em saída, que vai ao encontro das periferias sociais, culturais e existenciais”, para que “todos tenham vida plena”.

Ser Igreja sinodal é o esforço coletivo e a busca contínua de aprendermos a “caminhar juntos”, como irmãos e irmãs.

É um jeito de ser Igreja no qual cada pessoa é importante, tem voz, é ouvida, capacitada e envolvida na realização da missão.

Já não se trata de estarmos uns acima dos outros, mas de nos colocarmos unidos para, juntos, fazermos a experiência de fé diante dos desafios internos e externos que se apresentam em nosso dia a dia.

Uma Igreja sinodal é uma Igreja onde todo o povo de Deus caminha junto, onde todos(a), batizados discípulos missionários, qualquer que seja a sua vocação, se reencontram na Igreja em saída.

Os discípulos(as) tornam-se missionários(as), a partir do encontro com Jesus Cristo, que é o missionário do Pai.

Somente experimentando o seu amor, podem anunciar o amor misericordioso de Deus que deseja abraçar a todos. Como diz Apóstolo Paulo: "é o amor de Cristo que impulsiona".

              O pilar central desse movimento é a Opção Preferencial pelos Pobres.

Abaixo, detalho os pontos fundamentais para compreender esse conceito e diferente de uma simples caridade ou assistência social, a "opção pelos pobres" é uma escolha ética e teológica. Ela propõe que a Igreja deve olhar o mundo a partir da perspectiva dos marginalizados.

  • Pobreza como Pecado Estrutural: Argumenta que a pobreza não é uma fatalidade ou vontade de Deus, mas o resultado de estruturas econômicas e políticas injustas (pecado social).
  • Deus Libertador: Baseia-se na imagem bíblica do Êxodo, onde Deus ouve o clamor do povo oprimido e intervém para libertá-lo da escravidão.
  • Cristo Libertador: Jesus é visto como alguém que viveu entre os pobres e denunciou as opressões de sua época, tornando a libertação dos oprimidos a missão central da Igreja.

GILVANDRO TORRES

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