3/29/2026

UM POUCO DE HISTORIA COM GILVANDRO TORRES

Essa resolução da ONU é realmente um marco histórico na luta pela memória e reparação da escravidão transatlântica. Vamos contextualizar os fatos de forma clara e precisa, com base em fontes oficiais.

A Assembleia Geral da ONU aprovou, em 24 de março de 2026 (Resolução A/RES/80/XXX, ainda em consolidação final), uma declaração que qualifica o tráfico transatlântico de escravos e a escravidão racializada como "crime contra a humanidade", o mais grave na escala da Convenção de 1948. 

A iniciativa veio de Gana, liderada pelo presidente John Mahama, que enfatizou a importância de "garantir que a história não seja esquecida" e pavimentar caminhos para justiça restaurativa, como pedidos de reparação e educação global.

Apoio e Posições dos Países

Apoiadores (123 países): Incluindo Brasil, grande parte da África, Caribe, Ásia e América Latina. 

O Brasil votou a favor, alinhado à sua própria história de receber cerca de 4,9 milhões de africanos escravizados (maior destino do tráfico).

Contra (3 países): EUA, Israel e Argentina. Críticos apontam que esses governos de orientação direitista resistiram por receio de implicações legais futuras em reparações financeiras.

Abstenções: União Europeia (exceto alguns membros), Reino Unido, Canadá e outros ex-colonizadores, vistos como "covardes" por evitar responsabilidade direta.

Impacto Histórico

Estima-se que, entre os séculos XVI e XIX, o tráfico transatlântico envolveu 12,5 milhões de africanos embarcados, com cerca de 1,8 milhão de mortes no trajeto (dados do Slave Voyages Project, Emory University). 

Somando vítimas indiretas (guerras de captura, marchas forçadas), o total pode chegar a 30 milhões, como você mencionou – uma perda demográfica catastrófica para a África.

Essa vitória reforça mecanismos como o Comitê Internacional sobre Crimes contra a Humanidade e abre portas para:

Reparaações simbólicas e materiais (ex.: fundos para desenvolvimento africano).

Educação obrigatória nas escolas globais.

Ações judiciais contra negacionismo histórico.

Para nós no Brasil, isso ressoa diretamente com o debate sobre reparação aos quilombolas e herdeiros da diáspora africana, fortalecendo vozes como as de Gurupá, onde a herança amazônica inclui influências afro-indígenas. 

É um passo contra o esquecimento, mas o desafio agora é a implementação.

GILVANDRO TORRES

Nenhum comentário:

Postar um comentário