A arquitetura e história colonial, falar de Antônio Landi (Giuseppe Antonio Landi) é essencial. Ele foi, sem dúvida, o homem que desenhou o rosto de Belém no século XVIII.
Diferente da Belle Époque, que trouxe um estilo mais francês, Landi trouxe a herança italiana e o neoclassicismo para o meio da Amazônia.
Aqui estão os pontos principais sobre o legado dele:
1. O Arquiteto Bolonhês na Amazônia
Landi chegou ao Grão-Pará em 1753 como parte da Expedição de Limites, enviada pela Coroa Portuguesa para demarcar as fronteiras do Tratado de Madri. Ele era um erudito formado na prestigiada Academia de Bolonha e acabou se apaixonando pela região, onde viveu por mais de 40 anos até sua morte.
2. Obras Icônicas em Belém
A influência de Landi está em quase todos os prédios históricos importantes do centro:
Catedral Metropolitana de Belém (Sé): Ele foi responsável pela conclusão da igreja, dando a ela o porte monumental que vemos hoje.
Palácio dos Governadores (Palácio Lauro Sodré): Uma de suas obras primas, mostrando a transição do barroco para o neoclássico, com linhas mais retas e elegantes.
Igreja de Santana: Considerada por muitos sua obra mais autoral e sofisticada em termos de design arquitetônico.
Igreja de São João Batista: Uma igreja menor, mas que exibe sua maestria no uso de plantas centrais (em formato octogonal).
3. Ciência e Natureza
Landi não era apenas um arquiteto. Como parte da expedição científica, ele fez ilustrações detalhadíssimas da fauna e flora amazônica. Seus desenhos eram tão precisos que serviram de base para estudos botânicos e zoológicos na Europa, ajudando o mundo a "enxergar" a Amazônia pela primeira vez com rigor científico.
4. Uma Curiosidade: O Túmulo Desaparecido
Apesar de ter transformado a paisagem de Belém, o local exato onde ele foi enterrado (provavelmente na Igreja de Santana ou na Igreja das Mercês) permanece um mistério histórico, o que traz um ar de lenda ao seu nome na capital paraense.
É curioso notar como Landi preparou o terreno para o que Belém viria a ser. Enquanto a Cabanagem foi um movimento de resistência e a Belle Époque foi o ápice do luxo, o período de Landi foi o momento em que a capital ganhou sua "espinha dorsal" monumental.
GILVANDRO TORRES
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