Embora a maior parte da fama de Antonio Landi venha de suas obras em Belém, ele também deixou seu traço no interior do estado. No caso de Gurupá, existe um detalhe histórico importante:
Landi projetou a Igreja Matriz de Santo Antônio de Gurupá por volta de 1759-1761.
Diferente das igrejas monumentais de Belém, o projeto para Gurupá foi pensado como um modelo paroquial para o interior da Amazônia.
Landi desenhou uma fachada mais sóbria, adaptada à mão de obra e aos materiais disponíveis na época no interior, mas mantendo a simetria e o equilíbrio do neoclassicismo italiano.
Existem desenhos originais de Landi (planta baixa, fachada e seção) que pertencem ao acervo da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Esses desenhos provam que a coroa portuguesa queria levar a arquitetura "erudita" para pontos estratégicos do Rio Amazonas, como Gurupá.
A Igreja Matriz é um marco central em Gurupá, que é uma das cidades mais antigas do Pará (fundada em 1623). Ela fica próxima ao famoso Forte de Santo Antônio de Gurupá, que também foi peça-chave na defesa da região contra invasores estrangeiros.
Um detalhe curioso: Muitos desses projetos de Landi para o interior sofreram modificações ao longo dos séculos devido a reformas, falta de recursos na época da construção ou até danos durante conflitos (como a Cabanagem).
Por isso, a igreja que vemos hoje pode não ser a cópia exata do desenho original de 1760, mas o "DNA" da arquitetura landiana está na sua fundação e concepção.
GILVANDRO TORRES
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