12/21/2024

 

Identidade Afro Indígena na Amazônia.

 


Para extrair o pau Brasil os portugueses utilizavam do trabalho e conhecimento indígena, desde a derruba, corte dos galhos e madeira que traziam até a praia onde estavam ancorados os navios, era feito o sistema de trocas não utilizando moeda o escambo. Trocando madeira por espelho, facas, machados e tecidos.

Os contatos entre os colonizadores e os povos indígenas, foram elementos de dominação através da exploração dos recursos naturais, consequência o desaparecimento das línguas indígenas e a forte catequese que obrigava os indígenas a mudar o comportamento, inserindo nomes europeus, costumes, foi um processo de colonização com escravidão indígena, violência contra mulheres e doenças transmitidas pelos não indígenas.

Estima-se que populações inteiras foram dizimadas e tribos abandonaram suas terras, seus costumes e sua língua de origem, a miscigenação é o resultado da diversidade a diferença se deve à influência de outras línguas, as línguas indígenas, por exemplo: nosso vocabulário está cheio de palavras de origem tupi: além da língua, os portugueses também trouxeram instrumentos feitos de ferros como machados, espadas, facões, armas de fogos e etc.

Que não eram conhecidos pelos nossos indígenas, com a chegada dos negros trazidos pelos portugueses, o Brasil incorporou as características em sua cultura. Para a religião, os negros trouxeram a crença nos espíritos, o candomblé.

Na música brasileira são utilizados vários instrumentos de origem africana, os povos africanos também influenciaram na nossa língua portuguesa, com sotaques e palavras como senzala, quando os colonizadores chegaram ao Brasil, várias tribos indígenas eram inimigas entre si.

Os colonizadores faziam uso das rivalidades, aliando-se a algumas tribos para derrotar outras, o que facilitava sua dominação sobre o território, durante os primeiros anos da chegada dos portugueses a América, os nativos foram tratados "como parceiros comerciais", uma vez que os interesses portugueses voltavam-se ao comércio do pau-brasil, realizado na base do escambo.

Segundo os cronistas da época, os indígenas consideravam os europeus, amigos ou inimigos, conforme fossem tratados: amistosamente ou com hostilidade, com a instalação do Governo Geral, em 1549, intensificou-se a escravidão dos indígenas nas diversas atividades desenvolvidas na Colônia, gerando constantes conflitos, os povos indígenas habitam o território brasileiro muito antes de sua descoberta.

 A população indígena no país sofreu um enorme decréscimo, entre o século XVI e o século XX, passando de milhões para a casa dos milhares, extermínios, epidemias e também escravidão foram os principais motivos dessa redução. Foi após a década de 80 que esse cenário mudou e a população indígena voltou a aumentar, de acordo com o Instituto Socioambiental, os povos indígenas têm crescido em média 3,5% ao ano.

Franceses, holandeses começaram a invadir o litoral brasileiro para extrair especiarias exóticas, madeira, ouro e minério, os portugueses passaram a colonizar efetivamente Amazônia, dificultando as invasões.

Os missionários jesuítas eram contra a escravidão indígena no Brasil, mais impunham a conversão a religião católica.

Os Tupinambás ocupavam a foz, tiveram suas terras saqueadas, a história não relata mais houve muito derramamento de sangue indígena, região ancestral tupinambá Mairí, atual Belém foi um exemplo capitaneado pelo Cacique Guaimiaba.

A língua universal indígena era Nheengatu. Herdamos dos povos originários a culinária, andar descalço, deitar em redes, tomar banho diário além de praticar artesanatos com fios e fibras.

Os lusitanos ocuparam a região começando com a expulsam dos franceses do Maranhão e a implantação do forte do presépio em Belém, as batalhas contra os holandeses, franceses e corsários ingleses para assegurar o domínio da Amazônia oriental e os povos indígenas no processo de colonização foram perdendo suas terras, devido ao surgimento de Vilas e Fortificações.

Essas fortificações eram bases militares construída uma pequena casa de madeira e palha com um muro de pedras e canhões médios carregáveis de frente para o rio.

Os conflitos brutais entre indígenas e portugueses resultaram em mortes e aprisionamentos, as relações entre os dois povos foi marcada pela violência e imposição dos lusitanos, ao realizar o projeto expansão os portugueses tinham vários interesses ao erguer a cruz e realizar a primeira missa em 26 de abril de 1500 presidida pelo Frei  Henrique de Coimbra nas terras brasileiras, foi compreendido como recebimentos das benções da Igreja católica para a colonização em território brasileiro.

O Estado do Pará apresenta uma das maiores diversidades etnias do Brasil contando com 55 etnias e 77 territórios indígenas em 52 municípios paraense, o que representa 25% do Pará pertence aos povos originários contando com 60 mil indígenas.

O Brasil conta com 305 povos indígenas e 274 línguas originárias diferentes, a demarcação de terras indígenas é um direito ancestral previsto na Constituição cidadã de 1988, há mais de 500 anos lutam pela proteção de suas famílias, culturas e terras.

A Amazônia, pesquisas cientificas documentam que a ocupação remontam ao período da pedra, além dos povos tapajônica, marajoara e konduri, outros povos da Guiana estiveram aqui entre a região de Santarém e Xingu.

 

No século XVIII a população amazônica somava cerca de 54.200 e atualmente são menos de 12.000 com cerca de 21% do território nacional, os primeiros contatos deu-se pelo século XIV com holandeses na região de Gurupá, relatos que grupos indígenas viviam harmonia entre engaibas, mapuas, aruanes, taconhapés, ingabaybas.

Os primeiros contatos com os europeus deu-se necessário através de técnicas necessária como a linguagem universal indígena.

Contudo o desaparecimento de línguas indígenas foi concentrada em dois troncos linguísticos: macro e tupí.

Estima-se que 75% das línguas se perderam ao longo de 500 anos e parte dos povos indígenas que viviam na costa, no período da colonização, falavam línguas que pertenciam ao tronco Tupi.

Dentro desse tronco, o Tupinambá era uma das línguas gerais que existiram no Brasil e que era usada para se comunicar com os indígenas, o Tupi não é o único tronco linguístico indígena existente no Brasil. O tronco macro-jê é outro grande exemplo.

As Terras Indígenas se resumem em 4 tipos: as Terras Indígenas Tradicionalmente Ocupadas, relacionadas às terras que constam na Constituição Federal de 1988, no art. 231. “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.”

Como se vê, nossa Constituição Cidadã já contempla os direitos indígenas e o respeito às sua cultura.

Outro tipo de terra indígena é a Reserva Indígena, que consiste em terras doadas por terceiros, desapropriadas ou adquiridas pela União, com destino final à posse permanente dos povos indígenas.

Há também as Terras Dominiais, que são de propriedade das comunidades indígenas, obtidas por quaisquer formas dentro da legislação civil do Brasil.

E o último tipo de terra indígena é a Interditada, que são áreas interditadas pela FUNAI em busca da proteção de povos e grupos indígenas isolados, restringido a entrada e trânsito de terceiros nos locais.

Os vários enfretamentos entre colonos e missionários acabaram por expulsar os Jesuítas do Maranhão em 1659 e de Belém em 1661.

A criação da companhia de comercio do Grão Pará e Maranhão em 1682 foi uma tentativa de desenvolver e colonizar a região, houve nessa época aprisionamento de indígenas para trabalho escravo, sendo que em 1604 foi promulgado a lei que proibia por completo escravidão indígena no Brasil.

Os colonizadores se apossaram de terras e intensificaram o tráfico de pessoas escravizadas trazida do continente Africano.

Estima-se que chegaram ao Brasil cerca de 50mil africanos no século XVI e no século seguinte teriam sido 550 mil e no século XVIII por volta de 1 milhão e 700 mil africanos.

No total teriam chegado ao Brasil mais de 4 milhões de africanos seres humanos vindo do grande continente africano feito cativos.

As quatro principais rotas dos navios negreiros que ligaram o continente africano ao Brasil foram as da Guiné, Mina, Angola e Moçambique.

Elas concentravam o comércio de seres humanos que, na maioria dos casos, eram aprisionados em guerras feitas por chefes tribais, reis ou sobas africanos para esse fim.

Os traficantes, principalmente portugueses, mas também de outras nações europeias e posteriormente brasileiros, obtinham os prisioneiros em troca de armas de fogo, tecidos, espelhos, utensílios de vidro, de ferro, tabaco e aguardente, entre outros.

Os navios, dependendo do tipo, traziam de 300 a 600 cativos por vez. Entre 10% e 20% deles morriam na viagem.

Os franceses não concordavam com a divisão da América entre Portugal e Espanha.

Assim procuravam invadir terras e fundar colônias que ao norte ficou conhecido França Equinocial na região atual Estado do Maranhão, entre os anos de 1612 a 1615.

Fundando o forte São luís, uma tentativa dos franceses de fundar uma colônia francesa, o que originou a cidade São Luís, atual capital do estado do Maranhão.

Os franceses se depararam com um vasto território não ocupado pelos portugueses, a expedição francesa partiu do porto de Cancale na Bretanha sobre o comando de Daniel de La Touche.

Apesar da breve existência foi a única capital fundada por outro povo europeu, os franceses estabeleceram alianças com os indígenas, as Leis francesas proibiram os rituais de antropofágicos dos tupinambás, que estavam em constante disputas entre aldeias capturando os inimigos e faziam rituais de Antropofágia.

Os portugueses expulsaram os franceses no confronto militar ocorrido em 19 de novembro de 1614.

Os portugueses estavam em bastante número e com os aliados indígenas da etnia tabajará, e seus conhecimentos da floresta ajudaram a ganhar a batalha de guaxenduba.

É importante afirmar que a expulsão dos franceses possibilitou que a Amazônia passasse para o domínio português.

Nesta batalha de Guaxenduba, houve muitas baixas dos dois lados, entre eles sangue indígena, 115 soldados franceses mortos, 400 indígenas que lutavam ao lado dos franceses.

Do lado português sobre o comando de Jeronimo de Albuquerque, houve 10 soldados mortos, objetivo dos franceses estabelecer uma colônia francesa mercantilista denominada: França Equinocial.

A fundação da cidade de São luís pelos franceses foi em 08 de setembro de 1612, fundadores foram Daniel de La Touche e Francois de Rasilly.

O nome forte Saint- louis foi em homenagem ao Rei Louis XIII.  O povoado fundado pelos franceses manteve-se após o domínio português, tendo o seu nome sido aportuguesado para "São Luís".

Os franceses buscaram catequizar os índigenas, atribuindo-lhes nomes cristãos, e estabelecendo alianças contra os portugueses.

Realizaram também trocas de mercadorias. Exploraram os rios Mearim e Gurupi e iniciaram plantação de algodão, tabaco e cana.  Os portugueses, no entanto, viriam a conquistar o Maranhão em 1615.

O Tupi Guarani era língua originaria em 1751 uma provisão real proibiu a utilização do Tupi. 

Nossa linga recebeu influência dos povos originários e também dos povos da África que aqui chegaram forçadamente para trabalhar.

O Tupi se originou da língua tupinambá que foi incorporado a nação indígena tupinambás.

Nossa língua ganhou diferencial da língua portuguesa falada em Portugal. 

Os dialetos, costumes linguísticos, o legado do povo africano e indígenas contribuiu para os dias atuais uma enorme herança cultural, a beleza e cultura maranhense, começa pelo artesanato, com utilização dos recursos da palha de babacu, na confecção de bolsa, eco turismo e suas belezas culturais urbana e artísticas, um povo hospitaleiro. 

A culinária tem influência dos negros e indígenas, ao longo do tempo dos franceses e portugueses.

As festas populares danças e ritmos, o bumba meu boi e expressão máxima da cultura popular do Maranhão, assim como o tambor de crioula e dança do cacuriá.

Quem somos nós e uma pergunta a ser em nossas comunidades, reconhecer a diversidade cultural de nossa formação pode ser uma maneira de compreender nossa riqueza cultura.

A capoeira surgiu como resposta a violência a qual os escravizados eram submetidos em tempos coloniais e imperiais no Brasil, a partir de golpes e movimentos corporais ágeis, a luta permitia que eles se defendessem das brutais perseguições dos capitães do mato, cuja atribuição era capturar quem havia fugido.

Para não levantarem suspeitas – os senhores de engenho proibiam que praticassem qualquer tipo de esporte – os capoeiristas adaptaram os movimentos e adicionaram elementos coreográficos e musicais, camuflando seu verdadeiro significado.

Após a abolição da escravatura, a prática continuou sendo vista como subversiva e apenas em 1937 deixou de ser considerada criminosa pelo Código Penal brasileiro.

Acredita-se que a origem do nome capoeira tenha relação aos locais onde o esporte era praticado: em campos abertos e sem vegetação, esta técnica era também uma forma de preservar a cultura de origem e desenvolver laços entre os praticantes.

Hoje, a capoeira é considerada umas das maiores manifestações culturais brasileiras e é reconhecida mundialmente como prática que une o esporte e a arte. A música é um dos elementos que distingue esta modalidade de outras lutas. Inclusive, é essencial para que o praticante seja considerado um capoeirista completo.

Além dos movimentos corporais, os praticantes devem também saber tocar instrumentos de origem afro-brasileira como o atabaque, o agogô e o berimbau, este último é o principal dos instrumentos e também o mais famoso e mundialmente associado à capoeira.

Existem ainda diferentes maneiras de toques, como o "toque de cavalaria", que era utilizado para avisar aos capoeiristas que a polícia estava se aproximando.

Entre os povos do norte do continente, destacam-se os hábitos e costumes tradicionalmente islâmicos, pois essa denominação religiosa é predominante por lá.

É comum nas sociedades, sobretudo a egípcia e a marroquina, a prevalência do uso do véu para as mulheres muçulmanas e a instituição de um modelo patriarcal de família, baseado nos costumes do islamismo.

Já os povos do sul têm uma cultura mais vasta e, consequentemente, mais diversificada. Em alguns lugares, predomina-se a cultura cristã, sobretudo nos que a colonização estabeleceu-se com maior força, como a África do Sul.

Já em outros, como o Congo, Moçambique, Serra Leoa, Somália e Quênia, a prevalência do modo de vida tribal nos interiores ainda é marcante, o que nos remete às religiões politeístas nativas ainda existentes.

 A cultura afrodescendente no Brasil veio da cultura africana chegou às terras brasileiras pelos africanos trazidos para cá para servirem de escravos.

Os navios carregavam pessoas de várias etnias africanas, o que permitiu a pluralidade cultural de origem africana no Brasil. Deste contexto nasceu  a fusão entre a cultura africana e os vários elementos da cultura indígena e europeia, nasceu no país uma cultura muito vasta.

Se buscarmos em nossas origens, diversos são os elementos que compõem a nossa formação tradicional e têm origem no continente africano.

Candomblé e umbanda são religiões originalmente brasileiras, mas que surgiram com base em elementos religiosos africanos, consiste no culto aos orixás da cultura iorubá, enquanto a umbanda é uma forma sincrética entre o candomblé, o catolicismo e o espiritismo kardecista. Sendo uma religião monoteísta que acredita na existência da alma e na vida após a morte. A palavra “candomblé” significa “dança” ou “dança com atabaques” e cultua os orixás, normalmente reverenciados por meio de danças, cantos e oferendas.

A partir do momento que a Igreja Católica faz a fusão de elementos culturais desse povo na religiosidade, ela já configurou uma forma de sincretismo religioso, o simcretismo de origem afro surge com a religião católica, numa busca de camuflar as suas crenças, que eram totalmente proibidas em país católico.

Apesar das instituições escravagistas e da Igreja Católica Apostólica Romana, foi possível aos escravos comunicar, transmitir e  desenvolver sua cultura e tradições religiosas, pois o processo de catequização dos negros foi bem superficial e houve também vários fatos que os ajudaram a manter esta continuidade: os vários grupos étnicos continuaram com sua língua materna; havia um certo número de líderes religiosos entre eles; e os laços com a África eram mantidos pela chegada constante de novos escravos, que possibilitava a permanência da prática religiosa.

Embaixo do altar católico e das imagens de santos os negros louvavam e cultuavam seus orixás, tendo assim o sincretismo afro-brasileiro, os santos foram justapostos aos orixás africanos. Essa mistura religiosa originou as religiões afro-brasileiras. Os portugueses aderiram ao comercio de pessoas escravizadas da África para o Brasil ficou conhecido na história como Tráfico negreiro.

No continente africano os portugueses trocavam armas, tecidos por pessoas capturadas por chefes tribais, essas pessoas escravizadas eram aprisionados nas guerras tribais e eram negociados por mercadores, embarcados nos navios negreiros, muitos adoeciam e faleciam, as viagem ao Brasil levava até seis semanas, uma viagem com violência, suicídio, pouca agua potável, e alimentação escassa, as regiões que mais forneceram pessoas escravizadas, foram os países: Cabo da Guiné, Reinos do Congo e Angola.

Pertenciam grupos étnicos sudaneses(Nigéria), Daomé (Costa do Marfim), Bantos (capturados no Congo), Angola e Moçambique. 388 anos o Brasil teve economia ligado ao trabalho escravo, as formas mais desumanas eram o acoitamento público e o chicote amento na senzala, as feridas eram aplicadas limão e sal.

Os africanos trazido a força do continente africano, alguns se atiravam em alto mar, a travessia do atlântico era tormento mais de 12 mil africanos vieram nos navios negreiros. Alimentação era constituída por farinha de mandioca, milho e carne seca, uma das doenças mais comuns era o Escorbuto que provoca dores no corpo, inchaço pela falta de vitamina C no organismo.

O Maranhão foi um dos grandes destino da mão de obra africana, sobretudo durante o último século do tráfico de escravos para o Brasil (1750-1850), principalmente para a capital, a Baixada Maranhense e o Vale do Itapecuru, regiões onde existiam grandes plantações de algodão e cana-de-açúcar.

O Tambor de Mina é uma religião e também uma atividade cultural, presente não só no Maranhão, mas em outros estados como Pará e Amazonas, tem sua origem na matriz africana, deixada por negros que foram trazidos para trabalhar no Brasil como mão de obra escravo.

E o Tambor de crioula tem origem africana realizada por descendentes do povo africano no estado do Maranhão, em homenagem ao Santo São Benedito, um Santo negro, as justificativas que levam os grupos de pessoas a dançarem o Tambor de Crioula são diversificados, podendo ser um pagamento de promessa para São Benedito.

        

Principal região de procedência dos cativos africanos (1693-1755)

Senegâmbia: 1693, 1695, 1696, 1701, 1740,

1741, 1743, 1752, 1755 pessoas escravizadas 1.115

Baía de Biafra 1714

Calabar 356

Baía do Benin 1703, 1708, 1715, pessoas escravizadas:342

Total de pessoas escravizadas para região do Maranhão:  1.813   


Principal região de procedência dos cativos africanos (1756-1778)

Senegâmbia: 1757, 1758, 1759, 1760, 1761,1762, 1763,1764, 1765,

1766, 1767, 1768, 1769, 1770, 1772, 1773, 1774, 1775, 1776,

1777, 1778 total de pessoas 9.258

África Centro-Ocidental 1765, 1776 total:  1.017 Soma 10.275 

Fonte: www.slavevoyages.org.

 

A cultura indígena e africana possui importância fundamental na construção da identidade nacional brasileira, ela está presente em elementos da dança, festas populares, culinária e, principalmente, na língua portuguesa falada no Brasil, que é fruto do processo de aculturação entre povos indígenas, negros e europeus.

Estudar a história e cultura Afro-brasileira e indígena é descobrir nossas raízes, nos ajuda a entender o passado, pensar no presente desmistificando ações e falas preconceituosas e nos possibilita construir um futuro melhor, mais humano e igualitário.

A obrigatoriedade de inclusão de História e Cultura afro-brasileira e africana nos currículos da educação básica é um momento histórico que objetiva não apenas mudar um foco etnocêntrico, marcadamente de raiz europeia para um africano, mas sim ampliar o foco dos currículos escolares para a diversidade cultural, racial, social e econômica brasileira.

Nessa perspectiva cabe às escolas incluir, no contexto dos estudos, atividades que abordem diariamente as contribuições histórico-culturais dos povos indígenas e dos descendentes de asiáticos, além das raízes africanas e europeias.

A Amazônia, de posse espanhola pelo Tratado de Tordesilhas, em 1494, manteve-se inexplorada até o século XVI, quando se tornou alvo de interesse de holandeses, franceses, ingleses, irlandeses e, principalmente, de portugueses, que saíram em 25 de dezembro de 1615 de São Luís do Maranhão e chegaram ao Pará, onde em 1616, instalaram na baía do Guajará o Forte do Presépio, nome que fazia referência ao dia da saída do Maranhão.

Após a retirada dos franceses, a Coroa Portuguesa determinou o envio de uma expedição à foz do rio Amazonas, com vistas a consolidar a sua posse sobre a região. Uma expedição de três embarcações, sob o comando de Francisco Caldeira Castelo Branco, foi enviada, nela seguindo o então Alferes Pedro Teixeira.

Em 12 de janeiro de 1616, as embarcações ancoraram na baía de Guajará onde, numa ponta de terra, foi fundado o Forte do Presépio, atual cidade de Belém, capital do Estado do Pará.

A fundação de Belém do Pará, em 1616, serviria de ponto de apoio e partida para várias entradas que iriam explorar a Floresta Amazônica, no que hoje seriam os territórios do Pará, Amazonas e Amapá.

O Militar Bento Maciel Parente, veterano de guerra da Paraíba e Rio Grande do Norte, e que posteriormente confrontou os holandeses e ingleses, com a criação do Estado do Maranhão, foi nomeado Capitão-Mor do Grão-Pará.

Fundou alguns fortes ao longo do rio Xingu, como os fortes Santo Antônio de Gurupá. Ao longo do rio Xingu, confrontou forças holandesas que haviam montado fortes ali, saindo vitorioso no final.

 Em maio 1623, junto com Luís Aranha de Vasconcelos, Aires de Souza Chichorro e Salvador de Melo, Bento Maciel Parente conquistou dos holandeses os pontos fortificados de Muturu (atual Porto de Moz) e Mariocay atual Gurupá), próximo à foz do rio Xingu, fundando no lugar do Forte de Mariocay, o Forte de Santo Antônio de Gurupá, fazendo dele a base de apoio para as suas arrancadas, expulsando nos anos seguintes os neerlandeses do Baixo Xingu e do rio Tapajós. A ação realizada no Forte de Mariocay foi um grande feito. Liderando cerca de 70 soldados e aproximadamente mil índios em canoas nativas, o Capitão-mor do Pará investiu contra os invasores holandeses, que não impediram o ataque luso-brasileiro à fortificação.

Bento Maciel Parente, buscando ludibriar a guarnição holandesa, manobrou na parte leste do Baixo Xingu, provocando a debandada dos invasores fugindo rumo à selva.

O desfecho português na derrota da força dos neerlandeses e aliados, foi alcançado no Forte de Nassau, 67 km acima do Xingu próximo ao atual vila Tapará, uma vez que a fortaleza capitulou sem luta.

O que teria acontecido com os indígenas que habitavam próximo ao rochedo do Forte Mariocay, fundado pelos holandeses em Gurupá, certo que foram dizimados, escravizados, num holocausto escondido nas inúmeras batalhas entre portugueses e holandeses.

A verdadeira vítima da invasão estrangeira e dos colonizadores portugueses, foram os indígenas que viviam e ocupavam pacificamente essas terras.

À medida que o forte foi construído aquela sociedade nativa ia se consumindo em guerras e derramamento de sangue no canal de Gurupá, sobretudo no trabalho escravo até a extinção da etnia indígena de Gurupá.

Com a colonização atraindo comerciantes que transferiam para Portugal em navios de pequeno porte até Belém, as produções agrícolas, hoje os povos originários que eram chamados Mariocay pelos holandeses não existem, nem sabemos onde era sua aldeia central, que provavelmente eram da nação Tupinambá.

Jorge Hurley em 1936 no livro “noções de história do Brasil ” descreve que a Palavra mariocay vem do Tupi: umary= frutos da mata, Cai= verbo queimar e Umary= queimado.

E a palavra que deu origem ao nome Gurupá, baseia-se que os portugueses chamavam de “Corupá”, porque os indígenas afirmavam que ali era um porto de canoa ou seja origem era Iguaru pába, porto e seria chamado de igararupá ou seja um porto de muitas canoas.

Informações precisas de Francisco Adolpho Varnhagem no seu livro história do Brasil do ano de 1962.

Os holandeses que sobreviveram fugiram para ilha grande de Gurupá. Houve outra batalha após um navio holandês, comandado por um capitão inglês chegando a frente a cidade de Gurupá, os portugueses atacaram e afundaram o navio, matando todos.

Os indígenas leais aos holandeses foram mortos, alguns sobreviveram e se tornaram escravos, para posterior reconstrução do forte em pedras e argila.

Bento Maciel Parente ficou em Gurupá, onde após destruir o forte dos holandeses, construí sobre taipa um forte invocando a proteção de Santo Antônio em 1623.

Em 1625 Pedro Teixeira, tendo às suas ordens os Capitães Pedro da Costa Favela e Jerônimo de Albuquerque, ataca e toma o forte holandês de Maniutuba, na foz do Xingu. 

O comandante inimigo Oudaen consegue fugir, com parte da guarnição, em uma lancha, para a ilha de Tucujus. Após a vitória do dia anterior, desembarca na ilha de Tucujus (Amazonas), onde os ingleses, comandados por Philipp Pursell, tinham três fortins.

Os dois primeiros foram tomados quase sem resistência, fugindo os defensores, o Capitão Pedro da Costa Favela combateu os ingleses e holandeses, os Chefes do fortins inglês Philip Pursell e Oudaen, foram mortos.

O outro fortim rendeu-se a Pedro Teixeira. Denominava-se  o forte de Taurege (Torrego), construído pelos ingleses na margem esquerda do Amazonas. Só foi tomado, em 1629.

Seguiu Teixeira para Vila de Gurupá. A guarnição inglesa foi conduzida para o Pará e seu chefe James Pursell remetido para Lisboa. O forte de Taurege ficava na margem esquerda do Amazonas, junto ao rio hoje chamado Toheré.

Em 1629 chegava o Capitão Pedro Teixeira com as tropas, que dois dias antes haviam rendido o forte de Taurege, e com os prisioneiros ingleses, a Vila de Gurupá.

Na fase paleoindígena, a população era pouco numerosa, dispersa, nômade e estava baseada na coleta de frutas e moluscos, na pesca e na caça. A ocupação paleoindígena da Amazônia tenha ocorrido por volta de 11,2 mil anos.

Em Monte Alegre no estado do Pará, se encontram esses vestígios nas serras paytuna, erere e aroxi, há uma grande quantidade de pintura rupestre feita com tinta colorida a partir de pó de rocha.

Os indígenas da Amazônia pré-colombiana tinham no cultivo da mandioca a base de sua alimentação, entre os povos que formavam grandes aldeias estavam os tuxauas, guerreiros do rio Tapajós. Os indígenas da Amazônia pré-colombiana tinham no cultivo da mandioca a base de sua alimentação. Entre os povos que formavam grandes aldeias estavam os tuxauas, guerreiros do rio Tapajós.

Estado do Maranhão e Grão-Pará foi criado por carta régia de 13 de junho de 1621. Era independente do Estado do Brasil e estava diretamente subordinado à Lisboa. Entre 1626 e 1775, compreendia os atuais Estados do Ceará, Piauí, Maranhão, Pará e Amazonas.

A capital era São Luís do Maranhão, embora Belém do Pará representasse no final do século 17 importante centro comercial, a partir de 1775, o Estado foi desmembrado e passou a se chamar Estado do Grão-Pará e Maranhão, em 1755, após o terremoto de Lisboa, Portugal decidiu explorar ainda mais as riquezas da Amazônia e, por essa razão, intensificou o tráfico de escravos da África para a região.

Estima-se que entre 1755 e 1815, cerca de 51 mil escravos africanos chegaram ao porto de Belém. No entanto, a população de escravos na Amazônia ainda era pequena, se comparada às de outras regiões brasileiras.

O trabalho forçado e desumano no período do Diretório dos Índios uniu indígenas e negros da Amazônia, os indígenas ensinaram aos negros como sobreviver na floresta e, assim, quando estes se revoltavam contra os abusos e maus-tratos e conseguiam fugir, escondiam-se na mata e criavam quilombos para se proteger na época, uma rede de quilombos formava um arco que começava no território do Maranhão e terminava no Amapá.

Essas áreas eram estratégicas, pois ofereciam proteção natural e recursos naturais para a sobrevivência, os negros do Grão-Pará eram basicamente oriundos de Bissau e Cacheu, na região da Guiné. Reunidos nos quilombos, os negros podiam manifestar livremente sua cultura e sua forma coletiva de trabalhar a terra trazidas da África pelos seus descendentes.

As músicas, danças, festas, brincadeiras e rituais puderam ser reavivados nessas comunidades e até hoje estão presentes em algumas regiões, a pintura corporal é um dos elementos que mais caracterizam a cultura indígena.

Ela também é comum em outras culturas, como a dos hindus, a dos africanos e a da sociedade ocidental por meio da maquiagem e da tatuagem.

A pintura corporal indígena é utilizada com fins cerimoniais. Cada tipo de pintura está ligado a um evento, como casamento, luta, caça e morte. Todo ritual indígena é retratado nos corpos, sendo uma expressão bem marcante dessas culturas.

A tinta é obtida através de pigmentos vegetais, na maioria das vezes, como o urucum, o jenipapo ou o babaçu. Os desenhos são abstratos, a Arte Plumária está relacionada a ritos de passagem, relações hierárquicas de prestígio e poder, imagens de identidade da pessoa, da família, do clã e da nação; essa arte até mesmo pode indicar o estado de espírito de quem a usa.

O Cocar é um dos tipos de Arte Plumária mais conhecidos, sua função varia de tribo para tribo, podendo servir desde adorno até símbolo de status na tribo. Geralmente são os caciques que o utilizam mais do que um simples objeto, a Arte Plumária é forma de comunicação, que transmite diversas mensagens, de diversas formas.

A Cerâmica indígena possui um alto requinte de decoração e uma qualidade técnica muito grande. Baseada também na funcionalidade, essa expressão artística possui características estéticas muito marcantes, é preciso observar que, nas sociedades tradicionais, não existe separação entre arte e artesanato, e entre artista e pessoa comum, a  cerâmica, nas tribos indígenas, geralmente é responsabilidade das mulheres, que utilizam o barro, matéria abundante na natureza. Essas peças de cerâmica produzidas se dividem em objetos utilitários, do tipo de cuias, pratos e panelas, ou em objetos de rituais, como os cachimbos, utilizados em cerimônias religiosas, e urnas funerárias.

A cerâmica Marajoara, das tribos indígenas que habitavam a ilha brasileira de Marajó (Estado do Pará), durante o período pré-colonial, de 400 a 1400 d.C., é considerada uma das mais bonitas e sofisticadas das Américas.

Os índigenas utilizam uma grande variedade de fibras vegetais para realizarem os trabalhos, como o bambu, a taquara e a flecha de ubá. Após o corte e o destalar dessas fibras, são feitas tiras de diferentes espessuras e delas é feito um trançado de acordo com o formato que se queira dar a uma peça.

Os padrões gráficos do trançado brasileiro foram criados pelos índios, explorando as formas geométricas das diferentes talas de fibras vegetais, misturando outros materiais e corantes, o trançado está presente em praticamente todas as tribos indígenas e é utilizado principalmente para criar cestos, transportar objetos ou para armazenagens de alimentos.

Os Tapajós fabricavam belos objetos de ceramica, estudos mostam que ocupavam um extenso território, onde se encontra a cidade de Santarém. Auge da civilização tapajônica ocorreu por volta do inicio do século XI. Os primeiros europeus a explorar a região amazônica, encontraram uma nação indigena, praticava agricultura, vivia da caça e pesca e tinha um rigida hierarquia obdecendo um chefe principal.

A arte tapajônica se caracteriza pelo zoomorfismo em seus vasos e estatuetas, isto é, são peças que apresentam a forma de um animal. Geralmente os animais da fauna existente nas cercanias eram os alvos de inspiração dos índigenas, os que mais eram retratados eram os jacarés e as onças-pintadas, tradição ceramista dos tapajós mantém vivas raízes e memórias existentes há quase um século. Mãos, argila, caraipé (cinza extraída do caraipezeiro), pigmentos naturais, paciência e muita criatividade dão vida à tradição ceramista dos tapajós há quase 100 anos.

A cerâmica marajoara, foi descoberta no seculo XIX na ilha do marajó o  desaparecimento da cultura marajoara ocorreu de forma gradual, devido a disputas grupos rivais. No seculo XVII quando os portugueses chegaram não havia descendentes dessa civilização, os povos indígenas tiveram presença marcante na formação da população paraense, neste contexto os dominios de Portugal chegam até Amazônia, a ilha do Marajó foi habitada, muito antes da chegada dos portugueses, entre os anos 400 e 1.300 d.C., por povos que faziam uma cerâmica bonita e refinada.

Eles fabricavam potes, vasos, tigelas, tangas, urnas funerárias, adornos e outros objetos, com um estilo próprio, que ficou conhecido como cultura marajoara, a cultura Marajoara foi a que alcançou o maior nível de complexidade social na pré-história brasileira, essa complexidade se expressa também na sua produção cerâmica, tecnicamente elaborada, caracterizada por uma grande diversidade de formas e decorada com esmero.

O povo Marajoara recebeu esse nome por causa da atual ilha de Marajó, onde viveram, atingindo um número aproximado de cem mil pessoas durante a quarta fase da ocupação da ilha, a  partir do século XIX pesquisas arqueológicas descobriram nesta região um tipo de objetos cerâmicos chamado de marajoara, os sítios marajoaras localizam-se na metade ocidental da ilha, próximo ao lago Arari e os tesos ali encontrados indicam terem sido construídos para fins específicos: como localização de aldeias ou como cemitérios. Além dos vasos cerâmicos com aprimoradas decorações em cores também foram encontrados ídolos, cachimbos, bancos, tangas e adornos zoormorfos e antropomorfos.


2-  Amazônia um território diversificado e intercultural.

 

A floresta amazônica é de uma importância para o planeta, rica biodiversidade e multicultural, hoje a riqueza da floresta e dos rios amazônicos está ameaçado pelos grandes interesses econômicos, contaminação dos rios e expansão das atividades de extração mineral ilegal.

A importância dos indígenas e dos negros na grande diversidade cultural e religiosa, seus saberes diferentes, espiritualidade, crenças que provocou expressão amazônica na cultura da identidade afro amazônida na região.

No contexto histórico percebe-se que a colonização na região da Amazônia   não foi pacifica, a região Amazônia equivale a 35% das áreas florestais do planeta, o ecossistema correspondem ao predomínio do clima equatorial úmido, sendo um dos locais mais chuvosos do planeta.

Apresentando enorme biodiversidade. Classificando como ecorregiões amazônicas. A floresta amazônica apresenta em três níveis diferentes: mata do igapó, que permanece alagada com arvores que chegam a 20 metros, a várzea é alagado durante as cheias e tem arvores características como seringueira.

A terra firme constitui 75% da floresta onde a agua não atinge seu solo. Esses são os níveis da floresta amazônica.  


A Amazônia Legal abrange nove estados do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e uma parte do estado do Maranhão.

As principais atividades econômicas desenvolvidas na região são a agricultura, a pecuária e o extrativismo.

Em relação à atuação de indústrias, atualmente, um dos maiores problemas enfrentados pela Amazônia Legal está relacionado com o desmatamento excessivo.

Esse fator tem comprometido o ecossistema bem como as populações que nele vivem. Cerca de 55% de todos os povos indígenas que habitam o Brasil vivem na área da Amazônia legal.

A degradação do ambiente, potencializada pelo desmatamento, afeta diretamente a conservação do ambiente natural e traz sérias consequências ao ecossistema amazônico.

A extração dos recursos minerais valiosos, a exploração exagerada das florestas e os métodos de mineração levam ao desmatamento, à erosão do solo e à contaminação da água com o uso do mercúrio e os resíduos.

Em muitas partes da Amazônia, a exploração ilegítima do ouro gera prejuízo as comunidades locais.

 Amazônia Legal é uma nomenclatura usada para demarcar os estados brasileiros responsáveis pela parte no Brasil.

A Amazônia Legal está dividida em Amazônia Ocidental e Amazônia Oriental.

A primeira se localiza no centro geográfico da Amazônia continental, ocupando uma área de 2 194 599 km².

Esta área corresponde a 25,7% do território brasileiro, tem 6 242 000 habitantes, segundo censo de 2010 e foi criada pelo decreto-lei 356/68.  segundo este, constitui-se dos estados de AmazonasAcreRondônia e Roraima

Já a Amazônia Oriental é definida por exclusão, restando ser constituída por: AmapáMaranhãoMato GrossoPará.

 

 

3-            Francisco Orellana, o descobrimento do Rio Amazonas.

 

O primeiro europeu a navegar o rio amazonas foi Francisco Orellana participou com Francisco Pizarro da conquista do Peru submetendo o Império Inca ao domínio espanhol em 1532-1535. O explorador espanhol Francisco Orellana, vindo do Peru por via fluvial, atingiu o rio amazonas, então chamado de mar dulce.

Em seus relatos documentais narram a viagem onde encontrou o navegador Gonzalo Pizarro navegaram no percurso da Amazônia uma das mais ricas biodiversidade e um conjunto de ecossistema que abrange a bacia amazônica uma das maiores florestas tropicais do mundo.

Objetivo da Expedição era encontrar uma suposta e valiosa plantação de canela, uma valiosa especiaria do século XVI a canela servia para várias utilidades.

A canela, juntamente com outras especiarias, como o cravo, a pimenta-do-reino e a noz-moscada, era utilizada como moeda de troca para pagar serviços, impostos, dívidas, acordos, obrigações religiosas e servia até mesmo como dotes, heranças, reservas de capital e divisas de um reino.

A metade da expedição vários tripulantes haviam morrido ao adentrar pela floresta acharam as arvores de canela eram poucas e de baixo valor comercial. Esta expedição, como tantas outras antes e depois dela, foi motivada pela lenda do ‘El Dorado’ e do ‘País da Canela’, regiões de riquezas incomensuráveis que os espanhóis julgavam existir na Amazônia.

A comida havia acabado as expedições se separaram esse período compreende ao século XVI, tendo uma perigosa descida a rio abaixo Orellana depois de meses de busca e seguindo a correnteza do rio e temporais no temido inverno amazônico, sendo seguido pelos indígenas, alguns hostis e outros pacíficos.

Sendo frequentes os ataques segundo relato do Frei Carvajal foram atacado por mulheres indígenas com habilidades com arcos e flecha.  O encontro com as conhapuiaras À medida que desciam rio, os espanhóis passaram por muitas aldeias tributárias das Amazonas, até que no dia 24 de junho teria ocorrido o violento encontro com as índias guerreiras. O episódio recriou a lenda das amazonas em uma versão para a América, e inspirou a imaginação dos aventureiros europeus. Ao ser informado do relato, o Rei Carlos V da Espanha ficou de certo modo tão impressionado que assim deu o nome ao rio – Amazonas, nome que também se estendeu à maior floresta equatorial do mundo que o cerca.

Acampam numa ilha do delta, após longas noites, doenças mortais, falta de alimentação, conflitos com indígenas, a tripulação sofre os segredos da floresta amazônica, o próprio Orellana falece em 1546 sem uma localização especifica ao longo do rio amazonas.

Certas fontes históricas acreditam que os colonizadores e exploradores europeus chegaram a Amazônia, as populações indígenas falavam mais de 1.300 diferentes línguas.

As terras que os Tupis chamavam de Pindorama desde antes de 1.500, a região que chamamos de Pan Amazônia é uma região geográfica latino americana, que compreende nove países e 67% pertencem ao Brasil.

O território tem 7,8 milhoes de KM² de superfície e conta com 34 milhoes de habitantes aos quais cerca de 3 milhões são povos originário da Amazônia.

Uma mistura de biodiversidade ambiental e uma vasta riqueza cultural, histórica e religiosa. A cultura indígena possui importante papel dentro da construção da identidade nacional.

Com a velocidade das águas o rio amazonas tem uma coloração barrenta, um longo percurso arrastando argila, areia e devido a densidade e temperatura desde a região dos andes peruano.

O que atraiu os exploradores na Amazônia, as famosas descrições do El dourado a cidade de ouro, assim sucederam expedições exploratórias e tentativas de colonização.

Entre várias expedições que percorreram a região.Importante mencionar que as cerâmicas mais antigas da América, foram encontradas na Amazônia, na região do Tapajós e no Marajó.

A conquista da Amazônia está marcada por conflitos pela violência, quando os colonizadores chegaram ao litoral, os Portugueses encontraram a arvores que chamaram de Pau Brasil, o nome correto na língua tupi-Guarani “ Ibirapitinga”. Uma arvore com madeira excelente para moveis, tingir tecidos e ornamentos. 

 

Pedro Teixeira revelou-se decisivo para a definição do território do Brasil, ao subir o rio Amazonas até Quito, no Equador, assim, este português contribuiu para a definição do maior país da América Latina.

O Brasil é o único da América que tem o português como língua oficial. Para delimitar as terras de Portugal e de Espanha, de acordo com o Tratado de Tordesilhas, ele fundou o povoado da Franciscana, na confluência do rio Napo com o Aguarico, no alto sertão em 25 de julho de 1637, chefiou uma expedição partindo de belém, com 45 canoas, setenta soldados e mil e duzentos flecheiros e remadores indígenas subindo o curso do rio amazonas, buscando confirmar a comunicação entre o oceano atlântico e o peru, rota percorrida no século anterior por Francisco de Orellana.

Fundou franciscana na confluência do rio napo com o aguarico, no alto sertão, para delimitar as terras de portugal e espanha, segundo o tratado de tordesilhas a viagem foi registrada pelo jesuíta cristóbal de acuña em obra editada em 1641.

Pedro Teixeira foi responsável por achar o melhor caminho terrestre-fluvial entre os Estados do Pará e o Maranhão e, as vias para as transações comerciais entre as cidades de Belém e Bragança, que antes ocorria somente via rio Caeté.

Assim encontrou o Caminho do Maranhão, criado pelos Tupinambás, posteriormente também serviu para condução do gado de Piauí à Belém, atualmente é uma das principais vias da capital, chamada de avenida Almirante Barroso.

De Gurupá partiu, em outubro de 1637, esta incursão, considerada por muitos como a maior façanha sertanista da região, observando a área, buscou viabilizar o acesso à região peruana por via atlântica. Subiu os rios Amazonas e Negro onde deixou parte do grupo. Prosseguindo, alcançou Quito, em outubro de 1638.

Pedro Teixeira tomava posse das terras em nome do rei de Portugal, embora este Reino ainda estivesse sob o domínio espanhol favorecidos pelas boas condições de navegação, aqueles homens aventureiros deparavam-se a todo instante com riquezas naturais da flora amazônica como o urucu, primeira especiaria a ser exportada para a Europa.

A Expedição de Pedro Teixeira foi usada pela Coroa lusitana para reivindicar a posse da Amazônia. No contexto histórico essa ocupação do Vale do Amazonas, foi realizada através da instalação de fortes e missões religiosas nas margens dos rios.

Alguns capitães e sertanistas experientes, como Antônio Raposo Tavares, Manuel Coelho e Francisco de Melo Palheta, passaram a percorrer o Amazonas e seus afluentes descobrindo comunicações fluviais, atingindo aldeamentos espanhóis na região oriental da Bolívia, e coletando sem cessar as especiarias, com ajuda dos indígenas.

As atividades desenvolvidas pela Coroa Portuguesa , assim e pelo religiosos  entre eles franciscanos, carmelitas, mercedários e jesuítas, foram importantes na expansão territorial, na conquista e na consolidação do domínio português.

Pedro Teixeira Capitão português expandiu as fronteiras da atual Amazônia brasileira e sua  maior façanha, a primeira expedição subindo o rio Amazonas, de leste para oeste, até Quito, percorrendo mais de 10000km em terras desconhecidas, entre 1637 e 1639, possibilitou a aquisição de terras a oeste do Tratado de Tordesilhas, por Portugal, no século seguinte, aumentando o território da Coroa  Portuguesa.

Em 1639 “O Capitão-mor Pedro Teixeira começa em Quito a sua viagem de regresso para o Pará. Acompanhavam-no vários religiosos, entre os quais o Padre Christobal de Acuña, jesuíta autor da relação desta viagem (Nuevo descubrimento del gran rio de las Amazonas), que partira de Cametá em 28 de outubro de 1637, terminou a sua famosa expedição no dia 12 de dezembro de 1639.

O Capitão-mor Pedro Teixeira, de volta de Quito, chega à foz do Aguarico no Napo, e toma posse da margem esquerda deste último rio, em nome de Filipe IV, para servir de divisa entre os domínios de Portugal e Castela”.

O século XVI, quando os europeus atingiram o rio Amazonas, encontraram uma floresta habitada por povos indígenas durante a conquista e a colonização portuguesa desse território as populações indígenas foram reduzidas drasticamente, sobretudo por causa das doenças trazidas pelos europeus.

Atualmente a Amazônia está composta principalmente por pessoas miscigenados (índios, brancos e negros). Pedro Teixeira foi um português que se tornou, em 1637, o primeiro europeu a viajar até toda a extensão do Rio Amazonas.

Será sempre lembrado pela Expedição através do Rio Amazonas, chegando a região da Cordilheira dos Andes, de onde seguiram viagem até Quito (atual capital do Equador), na época a cidade pertencia a Real Audiência de Quito, um território administrativo, na época parte do Vice-Reino do Peru.

5-            A Lei 10.639/2003 obriga as escolas de ensino fundamental e médio a ensinarem sobre história e cultura afro-brasileira.

O conteúdo programático deve incluir o estudo da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura afro-brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à história do Brasil.

O calendário escolar deve incluir o dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra. Em referência a morte de ZUMBI dos Palmares.

Já em 2008, outra lei federal 11.645/ 2008, tornou obrigatório também o estudo da história e da cultura indígena, incluindo a contribuição na formação da sociedade brasileira, conforme a lei anterior.

Qual a importância da Lei 10.639 nas escolas que versa sobre o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana, ressalta a importância da cultura negra na formação da sociedade brasileira.

O objetivo dessa lei é combater o racismo em nossa sociedade através da educação, visto que em nossa educação existe uma supervalorização da história e cultura branco-europeia em detrimento das africanas e ameríndias.

Ensinado na escola que o brasileiro é resultado da mistura de três etnias: o branco europeu, o negro africano e o indígena nativo. A divisão do conteúdo ensinado, entretanto, não segue essa proporção.

A história e complexidade dos povos indígenas e da população negra se encontram muitas vezes resumidas à descoberta do Brasil e ao período da escravidão.

A nossa grande diversidade é apagada nos bancos escolares. Há uma tentativa de homogeneizar a cultura brasileira sob o olhar do colonizador europeu. No Brasil desde 1989 existe a Lei Federal n. 7.716 que define como crime qualquer forma de preconceito de raça ou de cor. Lei está que foi atualizada em 1997.

Determinando crime discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião. Transformando racismo em crime.

atualmente o dia 13 de maio é rememorado como o dia nacional da luta contra o racismo. o brasil é uma mistura étnica dos povos que aqui chegaram e já estavam os povos indígenas, atualmente 50% da população se identifica como negra ou parda.

Muitos livros didáticos não expressão o lado verdadeiro da história, em 1755 foi fundado a companhia geral do comercio do Grão Pará e Maranhão com a finalidade de transportar os produtos da produção paraense para Portugal e no retorno as embarcações traziam pessoas escravizada de origem africana, funcionado durante 22 anos.

Aproximadamente 12.587 mil escravos africanos, muitos ficaram espalhando nas fazendas do marajó no trabalho da pecuária. alguns conseguindo fugir e se organizando em quilombo.

Os escravos africanos e seus descendentes crioulos e mestiços influenciaram em profundidade a formação cultural do País, os aspectos de nossa cultura na religião, música, dança, alimentação, língua, temos a influência negra, apesar da repressão que sofreram as suas manifestações culturais mais cotidianas. A preservação da cultura negra significava a luta diária pela sobrevivência.

Embora ameaçados pelo cativeiro, proibidos de praticar os seus ritos, vítimas de violência e separação física entre pessoas do mesmo grupo familiar, eles continuaram lutando pela manutenção de seus valores culturais.

A partir desse dialogo expressado neste livro com objetivo de compreender nossa história Afro Amazônida com a necessidade de entender a multiplicidade dos clamores e gritos amazônicos provocados e mantidos, até hoje, pelo colonialismo interno.

Da mesma maneira que é importante, também, conhecer as bases, a realidade e a história da Amazônia brasileira a partir de seus povos, etnias e comunidades.

A presença afro- indígena é forte em vários aspectos culturais, como culinária, música e religião.

A influência não é apenas em elementos tradicionais. Hoje, a mistura de ritmos mostra que é possível trazer sons africanos, indígenas e ribeirinhos para estilos típicos do região do norte e compartilhado pelas regiões do Brasil em estilo único.

A cidade de Mazagão no Estado do Amapá é considerado, praticamente, o porto de entrada da raça negra no Amapá.

Para lá foram negros originários do Norte da África, na região de Marrocos (Mauritânia), colonizados pelos portugueses que os trouxeram visando os domínios lusitanos a partir da construção de um forte na África.

Provavelmente foi pelos rios do estado do Amapá que vieram os negros escravizados para a localidade Gurupá-Miri.

O Quilombo Gurupá Mirim, em Gurupá-PA, foi certificado como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares.

No período colonial os quilombos não eram só compostos por escravos fugidos, mas também de escravizados alforriados, brancos pobres, mestiços, indígenas, entre outros.

Hoje em dia ainda existem quilombos ocupados pelos remanescentes que possuem as mesmas tradições.

Associação Das Comunidades Remanescentes De Quilombos De Gurupá foi fundada em 05/11/1999. Título de Reconhecimento de Domínio Coletivo que o Governo do Estado do Pará, através do Instituto de Terras do Pará - ITERPA, outorga em favor da ARQMG - Associação dos Remanescentes de Quilombos de Gurupá.

O que teria acontecido com os indígenas da nação Tupinambá que habitavam próximo ao rochedo do forte de Gurupá antes da chegada dos portugueses.

Os indígenas foram dizimados, escravizados, o certo que a coroa portuguesa se apoderou das terras Gurupaense, num holocausto escondido entre os livros didáticos nas inúmeras batalhas entre portugueses e holandeses.

 A verdadeira vitima da invasão estrangeira e dos colonizadores portugueses, foram os indígenas da nação Tupinambá; Que ocupavam pacificamente essas terras. os verdadeiros donos.

À medida que o forte foi construído aquela sociedade nativa ia se consumindo em guerras e derramamento de sangue no canal de Gurupá, sobretudo no trabalho escravo até a extinção da etnia indígena de Gurupá.

Com a colonização portuguesa atraindo comerciantes que transferiam para Portugal em navios de pequeno porte até Belém, as produções agrícolas, hoje os indígenas que eram chamados Mariocay pelos holandeses não existem, nem sabemos onde era sua aldeia central.

O que temos é uma praça a beira mar que homenageia através de um coreto o nome Mariocay que provavelmente eram da nação tupinambá, que de inicio a praça era denominada "Coronel Magalhaes Barata". em homenagem ao Interventor da época que tinha aliados políticos em Gurupá, com a troca de poderes Ascenção de um novo modelo politico e aqueda do baratismo, foi trocado o nome da praça e rebatizada como Praça Mariocay.

Jorge Hurley em 1936 no livro “ noções de historia do Brasil ” descreve que a Palavra mariocay vem do Tupi: umary= frutos da mata, Cai= verbo queimar e Umary= queimado. Verdadeiro nome em Tupi: UMARY-CAY

Os holandeses chamavam de Mariocay os remanescentes da nação tupinambá que viviam no local onde atualmente é a sede da cidade de Gurupá.

Alguns historiadores e pesquisadores acreditam que os holandeses fizeram amizade com os indígenas e até comercializavam produtos, podemos descrever que o cotidiano dessa época:

1- Os indígenas produziam  roças, e trocavam os produtos com os Holandeses, eram especialistas também na pesca de tartaruga e no escambo troca de seus derivados como o óleo;

2- A  caça de animais silvestre com a comercialização da pele de onça, em troca os holandeses davam espelhos, roupas e utensílios para agricultura.

3-  Os Holandeses trouxeram pessoas escravizadas em suas embarcações provavelmente angolanos e ajudavam no trabalho pesado e no cultivo das terras pretas existentes em Gurupá para plantação do tabaco que tinha um preço muito bom na Europa.

Acredito que deveria ter um trabalho arqueológico de campo, ainda temos muitas informações guardadas neste solo. Gurupá Miri é um dos maiores sítios arqueológicos do período  Pré colonial.

 

  

6-    Gurupá, identidade afroamazônida. Rumo aos 400 anos.

 

Gurupá é fruto de um longo processo de ocupação pelos holandeses que desejavam uma melhor comercialização com os nativos da região, chamados pelos holandeses de Mariocay.

O termo “nativo”, entre outros significados, é aquele que nasceu no lugar, ou originário daquele lugar. Dessa forma, o correto é tratar os povos que chamamos de índios de povos originários ou nativos.

Em 1623, o Forte denominado de Mariocay pelos holandeses foi arrasado por Bento Maciel Parente capitão Mor e considerado conquistador de Gurupá, tendo fundado o forte de Santo Antônio.

Os holandeses pretendiam colonizar o Brasil. Não seria possível construir fortificações na Amazônia sem a mão de obra escravocrata.

Então, eles trouxeram pessoas escravizadas da África  para as tarefas braçais, na construção das feitorias no Xingu e Gurupá. O historiador Theodoro Braga descreve que a origem de Gurupá é indígena e significa “Porto de canoas”.

As batalhas contra os holandeses, franceses e corsários ingleses para assegurar o domínio da Amazônia oriental, os povos indígenas no processo de colonização foram perdendo suas terras, devido ao surgimento de Vilas e fortificações, essas fortificações eram bases militares construída uma pequena casa de madeira e palha com um muro de pedras e canhões médios carregáveis de frente para o rio.

Os conflitos brutais entre indígenas e portugueses resultaram em mortes e aprisionamentos.

As relações entre os dois povos foi marcada pela violência e imposição dos lusitanos, em 1639 a Vila Santo Antônio de Gurupá foi criada e mantida por uma lei de 05 de outubro de 1827.

Gurupá foi elevada à categoria de cidade através da Lei Provincial nº 1.209 de 11 de novembro de 1885.

Completando 400 anos de existência possui uma importante riqueza histórica. 

No município de Gurupá foram encontrados 50(cinquenta) sítios arqueológicos neste município, comprovados pelo museu Emilio Goeldi.

O município de Gurupá conta com dois distritos: 1- Carrazedo, localizado entre a sede do município e o município de Porto de Moz. 2-Itatupã localizado entre Gurupá e o município de Santana no Estado do Amapá. 

A cidade de Mazagão no Estado do Amapá é considerado, praticamente, o porto de entrada da raça negra no Amapá. Para lá foram negros originários do Norte da África, na região de Marrocos (Mauritânia), colonizados pelos portugueses que os trouxeram visando os domínios lusitanos.

Provavelmente foi pelos rios do estado do Amapá que vieram os negros escravizados para a localidade Gurupá Mirim.

O Quilombo Gurupá Mirim, em, foi certificado como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares. Associação Das Comunidades Remanescentes De Quilombos De Gurupá foi fundada em 05/11/1999.
Título de Reconhecimento de Domínio Coletivo que o Governo do Estado do Pará, através do Instituto de Terras do Pará - ITERPA, outorga em favor da ARQMG - Associação dos Remanescentes de Quilombos de Gurupá.

Aproximadamente 12.587 mil escravos africanos, muitos ficaram espalhando nas fazendas do Marajó no trabalho da pecuária. Alguns conseguindo fugir e se organizando em quilombo.


Os impactos causados pela chegada dos colonizadores e exploradores (doenças dos brancos para a comunidade indígena que habitava a região e sua dizimação pelas guerras e doenças.) e os benefícios que tivemos (termos um Brasil unificado e o mesmo idioma falado em todo o Território Nacional.

 Em estilo hispano lusitano, tendo no alto o sol a irradiar raios sobre uma estrela de cor azul, em cada centro superior, inferior e dos flancos direito e esquerdo de seu todo, haverá uma flor de lis em vermelho, lembrando as cores do Estado, ao centro do florão, dividido em duas partes, na direita uma Fortaleza recordando o marco inicial da cidade e os feitos heroicos de nossos antepassados.

 À esquerda, uma árvore de seringueira em corte, baseado no extrativismo do látex e da madeira, sobre fundo verde simbolizando nossas florestas.

A fortaleza estará sobre fundo azul, lembrando nossos céus, rios. Uma faixa branca com a inscrição Gurupá – Pará – 1623 definirá o município, o Estado a que pertence e a data de sua fundação.

           

Em 1652, a Coroa Portuguesa permitiu que os Jesuítas estabelecessem uma missão na Capitania de Gurupá, os Jesuítas estavam ansiosos por controlar a área, pois sentiam que Gurupá era o portão de entrada para a Amazônia. 1655 Padre Antônio Vieira passou por Gurupá viajando em canoa descoberta anunciando a boa nova. Em 1655, dois Jesuítas Missionários chegaram a Gurupá, segundo relatórios.

Entretanto, a chegada deles provocou hostilidades entre os colonos, que não queriam admitir a interferência Jesuítas no modo como utilizavam os nativos, no trabalho. Por volta de 1656, os Jesuítas estabeleceram uma missão, com o nome de São Pedro, próxima ao forte de Gurupá.

Os Frades Capuchinhos da Piedade de São José assumiram a responsabilidade Pastoral da matriz de Santo Antônio de Gurupá em 1692, sendo erguido a segunda Paróquia no Estado do Pará, no mesmo ano Dom Pedro mandou construir um convento no Carrazedo, a cata régia de 19 de março de 1693 confirma as atribuições aos Frades em 1693 é criado Paróquia de Santo Antônio de Gurupá, em 1831 Gurupá pertence a Diocese de Belém e em 1948 é incorporado a Prelazia do Xingu. Em 1661 a hierarquia jesuíta ordenou ao Padre de Gurupá, na época um alemão chamado Betendorf, que fugisse dos colonos, ele escondeu-se na floresta, com dezesseis nativos, por vários meses até que ficassem sem comida, quando ele retornou a Gurupá, vários moradores tentaram prendê-lo o Capitão-mor do Forte de Gurupá era a favor dos jesuítas e protegeu o Padre Betendorf, ele prendeu os principais agitadores anti-jesuítas e mandou enforcá-los, após confessarem-se com o padre Betendorf.

O papel da Igreja católica na redemocratização do Brasil em 1977, a conferência nacional dos bispos do brasil (CNBB) efetivou uma ruptura institucional com o regime militar, publicando o documento “exigências cristãs de uma ordem política”. afirmava  a luta por democracia, justiça social e direitos humanos como os fundamentos da crítica católica à ditadura militar que está instituído no Brasil.

A Igreja será sempre porta-voz dos oprimidos e daqueles que não tem nem voz e nem vez. aqui em grupo aproximou as pessoas para conscientizar e formar cidadãos críticos: JOC (Juventude Operária Católica); ACO (Ação Católica Operária), que buscou se aproximar dos trabalhadores urbanos; JEC (Juventude Estudantil Católica) ; JUC (Juventude Universitária Católica), para os estudantes; CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), para as classes populares, de modo geral;

Nas décadas seguintes, surgiram a CJP (Comissões de Justiça e Paz), o CIMI(Conselho indigenista missionário) e CPT (comissão pastoral da terra).

Destaca-se o Concílio Vaticano II (1962-1965) foi fundamental no contexto mundial também era de mudança das sociedades, o Papa João XXIII decidiu convocar o Concílio Vaticano II para discutir qual seria o papel da Igreja nas  transformações econômicas, sociais e políticas um profundo impacto na renovação da Igreja Católica, de entre os efeitos mais visíveis conta-se a utilização das línguas local nas missas, em vez do tradicional latim e da celebração com o padre virado para a assistência e não para o altar.

As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) abrangiam grupos reunidos em torno de uma paróquia ou comunidade, que buscavam soluções para problemas locais com base ideológica na Teologia de Libertação, corrente da Igreja Católica que defendia a opção preferencial pelos pobres, por meio da metodologia do “ver- julgar agir”, tomavam consciência da situação que o Brasil sob a ditadura. Destaca-se na defesa dos Direitos Humanos: Dom Hélder Câmara, bispo de Olinda e Recife; e o arcebispo de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns.

Em 06 de novembro de 2019, o Papa Francisco elevou a Prelazia do Xingu à categoria de Diocese de Xingu Altamira com sede em Altamira (PA). foi nomeado como primeiro Bispo Diocesano: Dom Frei João Muniz Alves, OFM. 

       

7-    Igreja sinodal em Gurupá, processo de educação popular nas Comunidades eclesiais de base.

 

O que o Papa Francisco diz sobre a Igreja: “A Igreja é aberta a todos, então existem regras que regulam a vida dentro da Igreja”, disse Papa Francisco. “Cada um encontra Deus a seu modo dentro da Igreja.

E a igreja é mãe e guia cada um a seu modo”. O Papa Francisco e a Sinodalidade.

Não se esqueçam: Igreja em saída. ‘Igreja em saída’: este é o tema. Sim, a Igreja é como a água: se a água não corre no rio, fica estagnada, adoece. Por outro lado, a Igreja quando sai, quando caminha, se sente mais forte. Sigam adiante e que a Igreja de vocês seja sempre em saída, nunca escondida”, mensagem do Papa Francisco para 15º Intereclesial.

 

Em suas próprias palavras, a Sinodalidade “é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio” porque é uma “dimensão constitutiva da Igreja”.

É por isso que o Papa Francisco pediu um Sínodo sobre a Sinodalidade, que vem acontecendo desde 2021 e vai até 2024.

Igreja em saída” é um termo cunhado pelo papa Francisco na exortação apostólica Evangelii Gaudium, a alegria do evangelho (EG).

É nessa exortação que o pontífice exprime suas principais preocupações a respeito da Igreja e do mundo, e desenvolve alguns temas que têm implicação direta na dinâmica pastoral e missionária da Igreja, a fim de delinear novo perfil eclesial.

O convite do papa Francisco para uma “Igreja em saída” é a marca predominante do seu pontificado, que deseja ver renascer na Igreja nova experiência de fé cristã missionária, fundamentada no evangelho, de modo que a mensagem da salvação chegue realmente a todos, sem exclusão.


Guiamo-nos pelo método ver-julgar-agir, nos dias de 18 a 22 de julho. Com o tema “ Cebs: Igreja em saída, na busca da vida plena para todos e todas” e o lema “ Vejam! Eu vou criar novo céu e uma nova terra”( Is 65,17ss). Método consagrado pela tradição da Igreja na América Latina e Caribe.

O reconhecer os sinais dos tempos a presença e atuação de Deus. Diálogos e varias realidades e regiões do Brasil. Vimos que a desigualdade social é fruto de um sistema capitalista, de natureza excludente constatamos uma triste realidade, como: Diocese de Xingu- Altamira

1-    A imensa fila de desempregados e desempregadas, de trabalhadores e trabalhadoras informais, muitos/as em trabalhos análogos à escravidão.

2-    O desmatamento e incêndios criminosos afetando os diversos biomas.

3-    A poluição das águas, do ar e da terra, destruindo a vida do planeta e das pessoas, o uso desregulado de agrotóxicos, o avanço do agronegócio e da mineração ilegal.

O processo de reorganização das Cebs, trazendo a realidade do novo céu e da nova terra para o viver diário das Cebs.

Identifica o rosto das Cebs ouvindo e se identificando suas dores e lutas, dos ribeirinhos, pescadores(as), quilombolas e povos originários como identidade das Cebs.

A luz do discipulado de Jesus de Nazaré, uma igreja profética e sinodal. Com a inserção nos conselhos sociais e pastorais. Neste compromisso assumido das Cebs como Igreja altamente Sinodal. Ressignificar a identidade das Cebs, via documentos da Igreja. Implantando grupos de Estudos e reflexões dos documentos da Igreja. Revendo a realidade enquanto regionais com o estudo do “Documento de Santarém 50 anos: Gratidão e Profecia”.

Com objetivo e prioridades principais o fortalecimento das comunidades eclesiais de base, a formação dos discípulos e discípulas missionárias na Amazônia, a defesa da vida dos povos da Amazônia, o cuidado com a Casa Comum, a evangelização das juventudes e a igreja com rostos amazônicos.

Autor e pesquisa : GILVANDRO TORRES 

 

REFERENCIAS:

 

HURLEY, Jorge Henrique. Noções de História do Brasil. Belém: Instituto Lauro Sodré, 1938.

BETTENDORF, João Felipe. Crõnica dos padres da compahia de Jesus no Estado do Maranhão. Belém: CENTUR, 1990.

MONTEIRO, Benedito. História do Pará.2006.

ROQUE, Carlos. Fortificações na amazônia.

SANTOS, Fábio José Brito dos.  A sincretização euráfrica na construção da identidade religiosa de Gurupá.

TORRES, Gilvandro dos Santos. Gurupá uma conquista do Povo. 1. Ed, Belém-Pa: Editora Paka-Tatu, 2019. 

PAIVA, Renata. História Pará. 2 Ed, São Paulo-SP: Editora Ática.

TIESE, Teixeira Junior. Estudos Amazônicos. 1 ED, Belém-pa Editora Paka-Tatu, 2010. 

Carta Encíclica Laudato Si - Doc.201: Sobre o cuidado da casa comum Capa comum – Edição padrão, 23 junho 2015.

Carta Encíclica do Santo Padre Francisco "Fratelli Tutti - Todos irmãos": sobre a fraternidade e a amizade social Capa comum – 15 outubro 2020.

Exortação apostólica pós-sinodal Querida Amazônia - Doc.209.

 

 

 

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