O Evangelho nos conta que, bem cedo, as mulheres foram ao túmulo de Jesus carregando unguentos, luto e medo.
Elas não iam celebrar; iam apenas cumprir um gesto de amor até o fim.
Mas, ao chegar, encontram o túmulo aberto e vazio.
O que parecia o fim se torna o começo de uma fé nova.
O túmulo vazio não é apenas um lugar da história de Jesus; é um símbolo poderoso para quem hoje chora, sofre, se sente preso na morte de projetos, sonhos, direitos e até de entes queridos.
Na Amazônia, tantas vezes sentimos como se nossa terra tivesse um sepulcro fechado: por esquecimento, por abandono, pela pobreza que parece vencer.
Mas a Páscoa nos lembra: não adianta apenas olhar para o túmulo fechado; é preciso ousar entrar, apesar do medo, para ver que ele está vazio.
A fé nasce ali, justamente quando não encontramos o que esperávamos: o corpo da desesperança, o peso da indiferença.
O que encontramos é um sinal de que Deus é mais forte do que a morte e mais ousado do que o nosso desespero.
Pedro e o discípulo amado correm, veem as faixas deitadas, o lençol dobrado, e algo se transforma no coração deles: ainda não entendem tudo, mas começam a crer.
Nossa fé também não precisa começar pronta, perfeita ou sem dúvidas; ela começa quando, diante do vazio, continuamos a caminhar, a buscar a voz do Senhor.
Para o nosso povo, o “túmulo vazio” pode ser:
- Um projeto que parecia acabado, mas Deus abre nova porta.
- Uma família que perdeu alguém, mas descobre que a memória dele é semente de vida.
- Uma comunidade que parece esquecida, mas ressurge na força da fé, da oração e da organização.
Assim, o túmulo vazio nos ensina:
- Que a morte não tem a última palavra.
- Que Deus age no que parece “vazio” e “sem sentido”.
- Que a fé nasce quando, em vez de fechar o sepulcro com medo, entramos nele com esperança.
Que a Páscoa deste ano nos encontre dispostos a entrar no túmulo vazio da nossa história sem perder a fé, porque, se o túmulo está vazio, significa que Jesus vive – e, vivendo Ele, nossa terra, nossa gente e nosso futuro também podem ressuscitar.
GILVANDRO TORRES